Home » Destaque, Internacional

Começou o Congresso Financeiro da Igreja Universal do Reino de Deus

Por Renato Cavallera em terça-feira, 28 outubro 2008
Tags: , , ,
Começou o Congresso Financeiro da Igreja Universal do Reino de Deus

No Congresso Financeiro da Igreja Universal do Reino de Deus, procura-se, a todo o custo, solução para a vida econômica. No Templo Maior, tudo pode estar em crise como a vida lá fora. Menos a fé.

Se não imagina Coco Chanel numa sessão da Igreja Universal do Reino de Deus, descanse. Provavelmente, a lendária estilista também não. Mas ela anda por aqui e não está sozinha. Ferdinand Porsche, Enzo Ferrari, René Lacoste, Levis Strauss fazem-lhe companhia. As marcas, e o seu incalculável valor actual, formam rebanho no Templo Maior, em Marvila.

Em mais uma sessão do Congresso Financeiro, os mandamentos, ou colunas, para uma vida bem-sucedida, prometem inspirar os presentes. São em menor número do que os dois mil lugares de lotação reservados aos fiéis. As cadeiras vazias explicam-se com outra etiqueta de referência: Sport Lisboa e Benfica. A águia não está em palco. Está em campo a disputar uma partida. E isso diz muito. ‘Quando há jogos, também há menos afluência. Pensam que somos pessoas diferentes, mas também vamos ao futebol, ao cinema’, justifica um dos pastores.

O horário coincide com o jantar. No Templo alimentam-se os ânimos. Há quem lhes chame ‘palestras motivacionais’ num contido eufemismo escutado por portas e travessas. Aqui, o ‘orador’ é bispo. Alfredo Paulo segura o microfone com os dedos mestres de um entertainer nato em mangas de camisa. ‘Jesus Cristo é o Senhor’. Mesmo num neón laranja. O discurso inflamado condensa referências bíblicas, conselhos, exortações. E verdadeiros momentos de peculiar humor que arrancam gargalhadas da assistência. ‘Dinheiro para comida o seu marido não tinha, mas para a cachaça sim!’, responde a uma fiel, Felizarda. Que antes de ser não o era.

A melhor desgraça é a que se ri de si própria. E a que sabe dar a volta por cima. Fica provada a evidência de que o espírito ‘devorador’ acaba por ‘gastar dinheiro com vícios’. Uma prova menor, comparada com os desígnios divinos. ‘A única vez que Deus nos convida a dar uma prova é com o dízimo.’ Depois das noites da ‘Parceria com Deus’, ‘Atitudes Positivas’, ‘Superação’, ‘Investimento’ e ‘Perseverança’, a da ‘Visão’. Procura-se ‘uma solução para a vida económica’ , com direito a interlúdios musicais que entram nos ouvidos com tantos decibéis quanto a injecção de fé.

Para desvanecer qualquer dúvida, um testemunho ‘in loco’. O casal Domingos e Augusta levanta-se. E com eles põe-se de pé uma das receitas possíveis para a prosperidade. ‘Não tínhamos nada, mas fomos juntando e conseguimos chegar ao topo.’ As imagens projectas no ecrã exibem o sucesso da escalada. E o alpinismo social da garagem. Domingos não tinha negócio próprio e andava a pé. Hoje, tem uma loja de artigos de desporto e sete carros. As bocas deixam escapar o espanto. Quem não quer matar a fome com fartura?

O Congresso junta pastores e esposas de todo o País, em aprumados fatos e gravatas que em tudo lembram as fardas de uma companhia aérea. Também os fiéis se deslocam de longe. De chinelo no pé ou salto agulha. Novos, velhos, crianças. Brancos, negros. O auxílio estende-se a todos. E a tudo. Até aos sacos das compras. ‘Eu não podia nem com um quilinho de batatas! Estou aqui há 14 anos e tenho tido muitas bênçãos! Maria de Jesus. 71 anos. Apologista convicta do dízimo. ‘É muito bom. Com 500 euros dá-se 50. E o dinheiro é muito bem abençoado.’ E quanto mais possa ser separado. Porque, afinal, o tamanho importa mesmo. ‘Posso fazer um voto com uma quantia inferior, mas Deus não quer coisas pequeninas’, sentencia a reformada, que chegou a fazer uma ‘corrente pela filha’ às terças-feiras, descrente de quem jura por Hipócrates. ‘É Deus quem cura, não são os médicos.’ O negócio não tem idade. ‘Não tenho empresa, mas gostava de abrir um cabeleireiro. Espero que Deus me abra as suas portas. Tenho uma filha cabeleireira, ficava tudo em família.’

A família nem sempre vê com bons olhos a devoção. No final de mais um congresso, Benvinda, 51 anos, ainda tem tempo para um depoimento curto para a TV Record, que transmite todas as sessões. ‘O meu marido dizia que eu ia para a igreja dar dinheiro. Foi difícil de aceitar. Vendi o meu quiosque na Amadora, o que foi uma bênção. Todos pensavam que não ia conseguir. Foi aí que lhe deu o clique.’ O companheiro rendeu-se às ofertas como Benvinda. Como quem usa lente bem graduada, comenta: ‘Vejo bem o dízimo. Tornei–me dizimista ao fim de seis meses. Frequenta as sessões há dois meses. A Igreja há 16 anos. ‘Havia o cinema Alvalade.’ Hoje, é em Carnaxide que a antiga ‘católica, não praticante’, assiste ao culto. As segundas-feiras no Templo Maior são sagradas, mesmo que impliquem deslocação de Linda-a-Velha. ‘Tinha a vida destruída, o casamento por um fio. Consegui solucionar com muita fé que ia dar a volta. E foi uma volta de 180 graus.’ Longe vão os tempos em que achava ‘que era tudo uma fantochada.’ Benvinda está em casa, à espera de abrir um negócio, com o fito num ramo certo. ‘Quero ter um café.’ ‘Você vai trazer cartão da empresa. Deus vai fazer surpresa grande’, anuncia o bispo. Para Ângela, não é surpresa que muitos saiam mudos e quedos das sessões, indisponíveis para abrir a alma aos jornalistas. ‘Quem não fala é porque não tem tido bênçãos’, justifica sem hesitar. ‘Tenho muita fé em Deus e temos de alcançar o que podemos. Há sete anos a empresa onde trabalhava ficou a dever-me dinheiro. Até hoje. Aqui vou conseguir. Deus vai abençoar–me’, acredita. Desempregada das limpezas, frequenta a IURD há sete meses, em São João do Estoril. O número de vezes que a faca se cruzou consigo, e que o golpe – divino – foi desferido com tino, dá força adicional. ‘Tenho 11 operações e Deus curou-me de tudo.’

Nem só de trabalho e dinheiro vive a motivação de quem frequenta o Congresso. ‘É a fé e a esperança.’ São elas que movem Ester, cortadora de calçado, e o marido, Ricardo. As maiores de todas têm o nome da filha: Maria da Luz. O pai nunca atendeu a pregações, ‘gozava com tudo’. Quando a bebé nasceu, prematura, há 18 meses, o par de Casal de Cambra repensou o cepticismo. ‘Desde que entrei aqui ela conseguiu ficar bem. Hoje só vai a consultas de rotina.’

‘Quem crê em Abraão?’ Erguem-se os braços. Mãos entrelaçam-se. Bocas sibilam ladainhas fervorosas. Os olhos cerram-se numa promessa de fé. E num presente. Quando é de negócios que se fala, a conversa envolve dinheiro. ‘Vai dar uma oferta de cem euros ou mais. Não vai dar menos!’, pede o bispo. A maioria levanta-se em peso e acorre à fila para recolher o envelope onde depositam as ofertas. ‘Se não tem fé, não faça. Não é obrigado’, acrescenta, qual tranquilizante de feito retardado. Se a esmola é muita, ‘Ele’ não desconfia. Pelo contrário. Agradece.

“EXORTAÇÃO DA FÉ EM TEMPO DE CRISE”

Todos os dias, em média, cerca de 1500 a 2000 pessoas passam pelo Templo Maior. “São pessoas de classe média, embora também de classe baixa, assim como da alta. Em termos de idade, a diversidade também é grande, pois temos muitas crianças que acompanham os pais. Com a actual situação económica e financeira apelamos à exortação da fé”, explica o Bispo João Fernandes Araújo, vice-presidente do Centro de Ajuda Espiritual, com cem centros espalhados pelo País. “Neste Congresso Financeiro existe uma concentração de todos os pastores, e suas respectivas esposas, que viajam de todas as cidades do País para a capital.”

Fonte: Correio da Manhã
Via: Notícias Cristãs

Notícias em seu email

Receba as notícias do Gnóticias em seu email gratuitamente!

Email

5 Comentários »

  • Rodrigo disse:

    isso é uma verdadeiro absurdo!!! mais valioso dessa terra é a salvação… enquanto se preocupam em aumentar seu padrao de vida financeiro, esquecem do seu padrao espiritual.

  • Joice disse:

    Teologia da Prosperidade!!!!
    Fim dos tempos!!!
    Banalização do que é Deus!!!
    Culto a um deus dinheiro!!!
    Enfim…uma infinidade de adjetivos…
    Prefiro nem comentar!!!
    Tristeza!!! Off!

  • pedro disse:

    na minha opinao os patores sempre prosperando e as ovelhas passando necessidade tem que ter uma orientaçao maior na hora da oferta para que a pessoa nao va passar necessidade

  • ANDR disse:

    Que culpa IURD tem,por ter FÉ de levar o povo a prosperar,sendo que a prosperidade vem de DEUS minha gente ??? Esses críticos devem ser os mesmos que acreditam que miséria,doenças,sofrimento é “PROVAÇÃO” do SENHOR,ou é a CRUZ que a pessoa tem que carregar,ou dvem dizer que se JESUS sofreu,devemos sofrer também…rsrsrs

  • ANDR disse:

    2a. feira : teologia da prosperidade
    3a. feira : teologia da saúde física e espiritual ( sessão do descarrego )
    4a. feira : teologia dos filhos de DEUS ( estudos biblicos )
    5a. feira : teologia da sagrada família ( orações pelo lar )
    6a. feira : teologia da libertação ( quebra das maldições )
    sábado : teologia sentimental ( terapia do amor )
    domingo : teologia de louvor e adoração a DEUS

    SE É PRA ROTULAR,ENTÃO ROTULA DIREITO…não julgueis para não serdes julgados…esqueceram ???

Deixe sua opinião!

Adicione seu comentário abaixo, ou faça faça trackback de seu site ou blog. Você pode também assinar esses comentários via RSS.

Seja legal. Não escreva em CAIXA ALTA. Mantenha no tópico.

Você pode usar essas tags html:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>