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Confira a matéria do The New York Times sobre o Pastor Silas Malafaia traduzida na íntegra

Avatar de Renato Cavallera Publicado por Renato Cavallera em 29 de novembro de 2011

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Confira a matéria do The New York Times sobre o Pastor Silas Malafaia traduzida na íntegra

Na semana passada quando estava em um hotel antes de realizar mais um evento da cruzada Vida Vitoriosa para Você em Pernambuco o Pastor Silas Malafaia concedeu uma extensa entrevista exclusiva ao jornalista Simon Romero que virou uma matéria no mundialmente famoso The New York Time traçando o perfil do líder da Igreja Vitória em Cristo.

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A matéria teve grande repercussão devido ao tom desdenhoso no qual o jornalista fala do pastor e a polêmica envolvendo a jornalista Eliane Brum a qual teria sido chamada de “vagabunda” pelo Pastor Silas, que nega afirmando ter sido apenas um mal entendido.

Abaixo está a matéria na íntegra traduzido pelo ativista Julio Severo em seu site:

Líder evangélico ergue-se nas guerras culturais do Brasil

Simon Romero

Os livros de Silas Malafaia, que vendem aos milhões no Brasil, têm títulos como “Como Derrotar as Estratégias de Satanás” e “Lições de um Vencedor”. O jatinho particular Gulfstream em que ele voa tem “A Serviço de Deus”, em inglês, inscrito na lataria.

Como evangelista de televisão, o Sr. Malafaia alcança espectadores em dezenas de países, incluindo os Estados Unidos, onde Daystar e Trinity Broadcasting Network transmitem suas pregações dubladas. Em mais de 30 anos de atuação, o Sr. Malafaia, 53, reuniu igrejas e prósperas empresas em torno de sua pregação pentecostal.

Ainda assim, ele poderia ter atraído pouca atenção fora de seus próprios seguidores se ele não tivesse entrado na versão brasileira das guerras “culturais”. Afinal, o Brasil tem líderes evangélicos que comandam impérios maiores, como Edir Macedo, cuja Igreja Universal do Reino de Deus controla a Rede Record, uma das maiores redes de televisão do Brasil. Outros, como Romildo Ribeiro Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, são conhecidos por maior zelo missionário.

Mas é o Sr. Malafaia que recentemente atraiu a maior atenção, ao atacar verbalmente, de forma incisiva, uma ampla variedade de inimigos, incluindo os líderes do movimento de direitos homossexuais, os defensores do direito ao aborto e também apoiadores da descriminalização da maconha no Brasil.

“Eu sou o inimigo público nº 1 do movimento gay no Brasil,” O Sr. Malafaia disse em uma entrevista neste mês aqui em Fortaleza, uma cidade no Nordeste do Brasil, onde ele chegou para dirigir um de seus eventos que ele descreve como “cruzada”, num episódio misturando Bíblia e música em frente de um público de aproximadamente 200.000 pessoas. Lágrimas escorriam pelos rostos de alguns dos participantes comovidos, enquanto outros dançavam conforme a atuação que serviu para a abertura que ele fez.

Antes de subir ao púlpito, ele descreveu como ele se tornou cobiçado em programas de entrevista da televisão como a parte do programa que discute, como numa disputa de boxe, contra líderes gays. Mas isso é apenas uma pequena parte de seu repertório, e a televisão é apenas um dos muitos meios de comunicação à disposição do Sr. Malafaia. No Twitter, ele tem quase 250 mil seguidores, e em vídeos distribuídos no YouTube, ele não só desce o chicote em inimigos liberais, mas também em jornalistas e líderes evangélicos rivais.

O que não é de surpreender é que sua proeminência crescente fez dele uma fonte de admiração e desconforto. Ele mobilizou milhares de pessoas para se manifestar na capital, Brasília, neste ano, contra um projeto de lei que visa ampliar legislação anti-discriminação para incluir a orientação sexual.

“Ele é como Pat Robertson, no sentido de ser um pioneiro ao mover a direita evangélica do Brasil para a esfera política nacional”, disse Andrew Chesnut, especialista em religiões latino-americanas da Universidade Commonwealth da Virginia, comparando o Sr. Malafaia ao evangelista conservador da televisão americana.

A elite do Brasil está tentando entender a ascensão de uma figura tão polarizadora, e como ele poderá influenciar a política da nação. Piauí, uma revista que é o equivalente tosco da revista The New Yorker nos Estados Unidos, publicou um longo artigo neste ano sobre como o Sr. Malafaia se ergueu da obscuridade no Rio de Janeiro, onde ele cresceu numa família militar, para o poder que ele agora ostenta.

Além do Sr. Malafaia, a ampla expansão de religiões evangélicas, especialmente o pentecostalismo, nas últimas décadas está alterando a política do Brasil. (Embora o pentecostalismo varie muito, os seus princípios no Brasil incluem a cura pela fé, profecia e exorcismo.) Líderes em Brasília são agora forçados a consultar-se sobre uma série de questões com uma bancada evangélica de legisladores com influência sólida.

Estima-se que de cada quatro brasileiros, um faça parte de igrejas evangélicas, e pentecostais como o Sr. Malafaia estão na vanguarda desse crescimento. Numa notável transformação religiosa, estudiosos dizem que embora o Brasil ainda tenha o maior número de católicos romanos no mundo, o Brasil está agora também competindo com os Estados Unidos ao ter uma das maiores populações pentecostais.

Nem todo mundo no Brasil está entusiasmado com essa mudança.

Num artigo de novembro, o jornalista Eliane Brum escreveu sobre a intolerância para com os ateus que tem sido demonstrada no Brasil por alguns adeptos de religiões de pessoas que “nasceram de novo”, descrevendo o que ela chamou de “disputa cada vez mais agressiva para as cotas de mercado” entre as grandes igrejas.

Nesse artigo, a Sra. Brum desencadeou uma onda de reações de pentecostais. E as palavras do Sr. Malafaia estavam entre as mais cáusticas.

Durante a entrevista aqui, ele chamou a Sra. Brum de “vagabunda”, e repetiu sua afirmação de que “os ateus comunistas” na antiga União Soviética, Camboja e Vietnã foram responsáveis por mais mortes do que “qualquer guerra produzida por questões religiosas.”

Quer por intenção ou falta de opção, a linguagem agressiva dele tem frequentemente se tornado um espetáculo. Em novembro, reportagem da revista Época disse que o Sr. Malafaia, durante comentários acalorados sobre a possiblidade de adotar medidas legais contra Toni Reis, um proeminente defensor dos direitos homossexuais, disse que ele “fornicaria” Reis.

O Sr. Malafaia apresentou uma explicação de que ele tinha realmente dito que iria “funicar” o Sr. Reis. Embora os pesquisadores não tivessem conseguido encontrar a palavra do Sr. Malafaia em dicionários de referência, ele disse que era uma gíria que em termos gerais se traduzia como “repreender vigorosamente”.

A visibilidade que o Sr. Malafaia alcança com tais episódios está alimentando questionamentos sobre suas ambições políticas. Ele disse que não tinha vontade alguma de se candidatar a cargos políticos, pois isso poderia colocá-lo em obrigações com um partido político específico, limitando assim a visibilidade mais ampla que ele tem agora.

“Deus me chamou para ser pastor”, disse ele, “e não vou trocar isso por um cargo político.”

Mas a influência política é outra questão. O Sr. Malafaia disse que votou duas vezes no ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e durante anos teve acesso aos corredores do poder de Brasília. Mas ele também contou um fato curioso sobre a sucessora de Lula, a presidente Dilma Rousseff, que sugere como figuras evangélicas estão se tornando importantes nas eleições nacionais.

Ele disse que ela falou com ele por telefone por 15 minutos durante a campanha presidencial do ano passado, tentando atrair o seu apoio. Mas ele disse que recusou por causa de diferenças ideológicas com aspectos do governo do Partido dos Trabalhadores do Sr. Lula, um ex-líder sindical, e da Sra. Rousseff, ex-agente de um grupo de guerrilha urbana.

“Eu disse a ela: ‘Não tenho nada pessoal contra você. Eu acho você uma mulher inteligente e qualificada’”, disse ele. “Mas como posso votar em você se eu passei quatro anos lutando contra a facção de seu partido que apoia um projeto de lei para beneficiar gays, assim me prejudicando?”

O Sr. Malafaia, enquanto gesticulava, com os dedos com anéis de ouro adornados com diamantes incrustados, como se estivesse atacando o ar com punhais, passa tais contos em português estrondoso com abundante sotaque carioca.

Sua imagem deu-lhe um status de quase estrela do rock entre alguns que o apoiam.

“Eu não o reconheci sem bigode”, disse Erineide Mendonça, 39, uma empregada do hotel de Fortaleza onde o Sr. Malafaia estava hospedado, referindo-se ao bigode que era a marca registrada dele e que ele não raspava há muito tempo. “Mas reconheci a voz dele”, disse ela, pedindo para ser fotografada com o evangelista que ela adora.

Tanto o Sr. Malafaia quanto sua esposa Elizete foram treinados como psicólogos, e quando ele sobe ao púlpito, sua voz ecoa nas pregações carregadas de aulas de autoajuda e perseverança.

Um tema favorito envolve o sucesso e como alcançá-lo. Embora afirme que ainda vive uma vida relativamente humilde e nem sequer seja um milionário, ele não se desculpa por sua própria ascensão material. Aliás, ele a celebra, elogiando demasiadamente, por exemplo, o seu Mercedes-Benz — um presente, ele explica, de um amigo próspero.

Depois, há o jatinho Gulfstream, adquirido de segunda mão nos Estados Unidos, disse ele, não por ele mas pela sua organização religiosa sem fins lucrativos a um preço razoável.

“O papa voa num avião a jato”, disse ele, referindo-se ao avião fretado da Alitalia que transporta o bispo de Roma, e irritando-se com o que ele via como a hipocrisia com a qual os líderes evangélicos em ascensão no Brasil estão sendo obrigados a lutar. “Mas se um pastor viaja em algum jato velho, ele é considerado um ladrão.”

A original em inglês está disponível no site do The New York Times.



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