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Pastor Ricardo Gondim explica porque rompeu com o movimento evangélico: “Não há sentido em remendar panos rotos”. Leia na íntegra

Avatar de Tiago Chagas Publicado por Tiago Chagas em 23 de abril de 2012
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Pastor Ricardo Gondim explica porque rompeu com o movimento evangélico: “Não há sentido em remendar panos rotos”. Leia na íntegra

O pastor Ricardo Gondim publicou um artigo em seu site pessoal explicando os motivos que o levaram a abandonar o movimento evangélico. “Passei a evitar a parceria de gente a quem eu jamais confiaria a carteira. Eu tinha que partir”, afirmou.

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Segundo Gondim, seu abandono ao movimento se deu por rejeitar a “ bitola que qualquer grupo -  fundamentalista ou não – chancelou e recomendou”, e emenda dizendo que não quer ser preso por um rótulo: “Não aceito que tradição, escola ou cânone, cerceiem a minha capacidade de arrazoar. Rechaço obediência servil. Odeio timidez intelectual. Aliás, a única chancelaria que admito é da consciência. Creio que posso ser movido pelo mesmo Espírito que inspirou, e capacitou, homens e mulheres no passado. Erros teológicos, enquanto não produzirem intolerância, ódio ou preconceito, tenho certeza, estão perdoados”.

Líder da Igreja Betesda, em São Paulo, e conhecido por suas opiniões polêmicas, Gondim afirma que agora pretende “amar e apreciar, sem extravagância, as coisas mínimas” e viver de praticar o que prega: “Quero descer do alto dos meus privilégios e estender a mão ao mortiço que jaz em alguma estrada poeirenta. Desisti de uma espiritualidade que se contenta em implorar favores à Divindade. Em minha partida, acalento o desejo de encarnar Deus. E assim dizer: não vivi em vão”.

-“Redigi um texto em que me despedia do convívio do Movimento Evangélico. Eu já não suportava o arrocho que segmentos impunham sobre mim. Tudo o que eu disse por alguns anos ficou sob suspeita. Eu precisava respirar. Sabedor de que não conseguiria satisfazer as expectativas dos guardiões do templo, pedi licença”, escreveu, afirmando que suas opiniões foram usadas contra ele. “Não há sentido em gastar os poucos dias que me sobram em remendar panos rotos. Para que continuar no mesmo arraial de pessoas que me desconsideram e que eu desconsidero?”, questiona.

Confira abaixo a íntegra do artigo “Porque parti”, de Ricardo Gondim:

Depois dos enxovalhos, decepções e constrangimentos, resolvi partir. Fiz consciente. Redigi um texto em que me despedia do convívio do Movimento Evangélico. Eu já não suportava o arrocho que segmentos impunham sobre mim. Tudo o que eu disse por alguns anos ficou sob suspeita. Eu precisava respirar. Sabedor de que não conseguiria satisfazer as expectativas dos guardiões do templo, pedi licença.

Depois de tantos escarros, renunciei. Notei que a instituição que me servia de referencial teológico vinha se transformando no sepulcro caiado descrito pelos Evangelhos. Restou-me dizer chega por não aguentar mais.

Eu havia expressado minha exaustão antes. O sistema religioso que me abrigou se esboroava. Notei que ele me levava junto. Falei de fadiga como denúncia. Alguns interpretaram como fraqueza. Se era fraqueza, foi proveitosa, pois despertava para uma realidade: o Movimento Evangélico vinha se transformando em cabide de oportunistas; permitindo que incompetentes, desajustados emocionais e – por que não dizer?  – vigaristas, se escorassem nele.

Não há sentido em gastar os poucos dias que me sobram em remendar panos rotos. Para que continuar no mesmo arraial de pessoas que me desconsideram e que eu desconsidero? Deixei de tolerar os bons modos de moralistas (sexuais) que não se incomodam em transformar a casa de Deus em feira-livre.

Verdade, desisti. Desisti, porém, de apenas um segmento religioso. Que eu já não trato como lídimo representante do caminho do Nazareno. Larguei o esforço de recauchutar um movimento carcomido de farisaísmo.

Mas saio assustado. A fúria dos severos defensores da reta doutrina, confesso, me surpreendeu. Há alguns anos experimento o peso do rancor religioso. Nada mais perigoso do que um crente assustado; e nada que assuste mais um crente do que a transgressão da ortodoxia. Amigos me voltaram as costas. Estranhos se intrometeram em minha vida particular. Fui traído. Antigas invejas se fantasiaram de zelo pela verdade, e parceiros se transformaram em inimigos. Senti o escarro do desdém.

Embora tenha repetido, não me deram atenção. Eu nunca me atrevi solucionar os paradoxos filosóficos ou os mistérios teológicos que se arrastam há séculos. Não sou ingênuo: as Esfinges modernas, iguais às míticas, devoram o fígado de incautos que se imaginam donos da verdade.

Meu adeus foi ético. Passei a evitar a parceria de gente a quem eu jamais confiaria a carteira. Eu tinha que partir. Se critérios éticos não bastarem para definir o acampamento onde cravamos nossa tenda, há algo muito errado em nossa credibilidade. Nervoso com o carreirismo de gente que não hesita em vender a alma, preferi caminhar por outra estrada.

Rejeito a bitola que qualquer grupo -  fundamentalista ou não – chancelou e recomendou. Não aceito que tradição, escola ou cânone, cerceiem a minha capacidade de arrazoar. Rechaço obediência servil. Odeio timidez intelectual. Aliás, a única chancelaria que admito é da consciência. Creio que posso ser movido pelo mesmo Espírito que inspirou, e capacitou, homens e mulheres no passado. Erros teológicos, enquanto não produzirem intolerância, ódio ou preconceito, tenho certeza, estão perdoados.

Quero reaprender a viver. Vou buscar a trilha onde menos homens e mulheres andam de dedo em riste. Anseio por fazer-me amigo de gente espirituosa, leve, risonha, que sabe desafogar a alma.

Por condescendência, alguém disse que não sou teólogo, apenas poeta.  Apesar de não me achar digno de ser chamado poeta, sorri de felicidade. Que honra! Poetas não acendem fogueira. Tenho certeza que Miguel de Serveto gostaria de ver-se na companhia de trovadores.

Pretendo amar e apreciar, sem extravagância, as coisas mínimas: o tirocínio dos meninos, o desabrochar da paixão na menina em flor, a conversa de bons amigos. E no final do dia, ao rever as horas, saber celebrar a paixão de simplesmente existir.

Saio para instruir-me na adoração. Necessito transformar genuflexão em serviço. Quero descer do alto dos meus privilégios e estender a mão ao mortiço que jaz em alguma estrada poeirenta. Desisti de uma espiritualidade que se contenta em implorar favores à Divindade. Em minha partida, acalento o desejo de encarnar Deus. E assim dizer: não vivi em vão.

Soli Deo Gloria



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Comentários via Facebook

159 comentaram, comente você também!

  1. Parabéns!!! Ricardo Gondim, compartilho com o seu rompimento com esses movimentos visando seus próprios interresses sobre a fé alheia. Ta difícil de ouvir e ver e aceitar tanta babozeiras de pseudos pastores pela televisão e radio.Precisamos de gente de coragem para desafiar esse tipo de evangelho pregado desordenadamente.

    Abraços
    Marcio.

  2. Triste ver mais um pastor, achincalhando e fazendo de pedra de tropeco o evangelho de Cristo. Na verdade Ricardo gondim quer ser noticia quer mídia quer ver der livros. Deus tenha compaixão da sua alma. Se VC se decepcionou com os evangélicos, fui que com essa magoa só pra VC, não tente arrastar os neófitos.

  3. Ivan Rodrigues Costa disse:

    Parabéns pela coragem Pr.Ricardo, quero dizer a você,não perdeu nada pelo contrário só ganhou e continuará ganhando,uma das piores situações no cristianismo é conviver com a hipocrisia religiosa e a mediucridade a olho nú.

  4. CRISTIANE SANTOS disse:

    RICARDO GONDIM, UM HOMEM DE VERDADE, CORAJOSO, INTEGRO E VERDADEIRO. O ADMIRO CADA VEZ MAIS, ESTOU CANSAÇADA DE TANTA HIPOCRISIA E RELIGIOSIDADE CEGA EM MUITAS IGREJAS, QUEM DERÁ EXISTISSE NO MUNDO MILHÕES DE RICARDOS GONDINS, FAZENDO O POVO PENSAR, POIS A RELIGIOSIDADE EMBUREECE AS PESSOAS QUE INFELIZMENTE NÃO TEM NENHUM CONTEUDO BÍBLICO. SOU SUA FÃ.

  5. Querido Pr. Ricardo Gondim.
    Sempre te admirei,nunca me importei com que os nossos colegas religiosos falam.
    Te admiro por sempre lutar por uma Espiritualidade Viva, pela sua inteligência.
    Te amamos, familia Melo

  6. Luis Cláudio disse:

    Sempre fui um admirador do Pr Ricardo Gondin, seja por seus artigos na Revista Ultimato, seja por seus livros. De qualquer modo é difícil se posicionar acerca de sua decisão. Por mais sincero que tenha sido em sua carta de despedida, certamente não esgotou o tema. O que realmente me preocupa não é sua decisão, mas o fato de que este tipo de atitude (o de deixar o movimento evangélico) tem sido cada vez mais constante, em todos os níveis. E o pior: se os “esclarecidos” se vão, permanecem os “lobos” e com um farto rebanho para alimentá-los.

  7. Anderson Theodoro Chaves disse:

    A liderança evangelica conforme cresce em fama e numero de membros acaba gostando do poder e se corrompendo com tudo. Vejo R. Gondim com toda sua filosofia, talvez cair na real, largar o poder e quem sabe voltar ao primeiro amor. Vejo a briga de igreja mundial e universal uma coisa nojenta, indigna do povo evangelico serio, que alias, não sei onde estão, devem estar no monte.Quando vejo membro da ultima igreja que frequentei, falando do pastor quando começou uma igreja pequena e um pequeno rebanho, um ajudando o outro nas suas necessidades.Hoje este irmão tem saudades, o pastor não tem tempo mais de falar com sua ovelha. Eu mesmo nunca recebi que ajuda que precisava nesta igreja, isso por que foi delegado ao lider de celula esta responsabilidade. Estes grandes pastores, alias, que se auti proclamam bispos, apostolos, quase deus, Henri cristos, que se misturam na politica do pais para ganhar votos do povo evangelico, mas na hora de defender a moral e os bons costumes, defender o povo ficam em cima do muro.

  8. Paulo Francis disse:

    Tive o imenso prazer em conhecer o Pastor Ricardo Gondin em meados de 2008 e pude ver e sentir o homem sensível que ele é sobretudo com as questões espirituais e é claro , que para alguém que tem o conhecimento e a sensibilidade que lhe é nata não poderia permanecer em cima do muro em questões como as que o fizeram tomar tal atitude . Devo parabeniza-lo pelo ato em si ? Não sei ! Porém sei que o parabenizo pelo fato de ser quem é autêntico e ainda zeloso pelos bons costumes da fé !! E olha que nos dias de hoje são poucos os que de fato brigam pelo evangelho !! Orgulho-me de ter conhecido alguém como o Sr Pastor e amigo ricardo Gondim … Que o Deus de paz continue guardando os teus pés para que não os tropesse em pedras !!

  9. walfredo soares disse:

    Lamento por você Ricardo Gondim, que demonstra ter apostatado da fé. O Conhecimento é algo que só terá o devido sentido e razão, se na verdade for acompanhado e interargido com o temor de Deus, conforme está escrito no livro de Salmos 111.10.
    O exemplo de Ricardo Gondim deve conduzir os evangélicos, e sobretudo àqueles que o admiravam, a terem um maior cuidado quanto a convicção que se defende em Cristo Jesus, pois muitos como ele podem estarem pregando, escrevendo e ensinando algo sem terem a devida convicção. Por isso a Palavra de Deus é bem clara, quando diz: ”Olhando para Jesus, autor e Consumador da fé”. Hebreus 12.2a.

    • Comentário lamentável!
      Ou esse cara é péssimo em interpretação de texto ou é mais um fariseu!
      Meu querido, nos tempos de hoje, quanto mais longe destes “movimentos evangélicos”, mais santo o sacerdote se torna!

    • Quem muito julga, muito serás julgado!! Parabéns Pastor, muitos evangélicos (verdadeiros) assim como nós, também estão cansados de tamanha hipocrisia e ganhos em nome de Cristo! Tamanha religiosidade tem deixado muitos cristãos cegos, para o que realmente tem acontecido, Cristo não precisa de religiosidade e sim de servos fiéis que preguem o que ele sempre pregou, o amor incondicional ao próximo! Jesus não julgou, ele apenas amou! Jesus não pregou uma denominação ele apenas amou! Denominações servem apenas para confundir pessoas que não tem conhecimento bíblico, da vida de Cristo e do amor incondicional de Deus, e que aceitam o que esses líderes dizem por pura inocência (ou não). Deixemos a religiosidade pra esses tantos! Não é isso o que Deus quer de nós! A atitude de deixar esse grupo não quer dizer se afastar de Deus, mas sim de querer cada vez mais lutar contra a atitude errada de certas pessoas que se dizem servos do Deus vivo.

  10. fico triste em saber que o pastor ricardo gondim se afastou mais creio que nao se desviou do seu objetivo que e anunciar as boas novas
    pois esse é nosso objetivo independente se vc vai ou nao a uma denominaçao temos que pregar o bom e suave evangelho de CRISTO

  11. Maria Apdª Icassati disse:

    Amo o Ricardo Gondim, e suas pregações inteligentes e sinceras. Sei que ele se afasta do meio por ser genuinamente sincero com os homens e principalmente com Deus e que nunca se desviará de Deus a quem ele ama e serve. Até porque nem todos que estão dentro de igrejas servem realmente ao Senhor. Quando Lutero se rebelou contra os dogmas do catolicismo, muitos se levantaram para julgá-lo e apedreja-lo, hoje somos gratos por sua “rebeldia!” que fez com que conhecessemos a verdade das escrituras. Que Deus continue abençoando e direcionando a vida deste (Gondim) que sempre será um grande pastor.

  12. Eu quero te felicitar por sua atitudi de ter se livrado da hiprocrizia da religiosidade.De recuperar sua alma de volta. Se livrando dos mercadores do templo, pois com a destruição do templo de Jerusalém, e com a queda de outro e sendo reconstruido em tres dias e não sendo feito por mãos humanas, os adoradores agora nesse novo templo que é o nosso próprio corpo adorarão em espirito e em verdade.Parabéns por sua coragem.

  13. Alessandra acho q você deveria ler mais…concordo com o nosso amigo: “Temo e tremo diante de julgamentos ao Ricardo Gondim”.Afinal, Lutero, Calvino e tantos outros hoje reconhecidos se encheiram com um sistema sem Deus e cheio de dogmas sem nenhum valor a alma.

    O que temos visto de “ministros” sem vocação enchendo as igrejas e ministérios por simples afiliação é algo descomunal!

    Para discutirmos RIcardo Gondim precisamos estarmos a altura e sinceramente não acredito que você já esteja……

    Então o melhor é seguir a Cristo é não julgarmos. E se precisarmos julgar, por oficio ou necessidade de gestãom etc.., que sejamos cautelosos e prudentes.

    Lembrando que a 1 separação do Novo Testamento (Paulo e Barnabe) foi muito benefica ao evangelho…..oremos!!!
    Felizmente para

    • voce deve conhecer o nosso tempo maninha.

      Tempos pós-modernos “pessoas que vivem conforme seus sentimentos e voltadas a seus interesses relativistas”
      Dentro de um pequeno grupo pós-modernos podemos destacar os pastores não evangélicos ou pastores que não acreditam mais nas igrejas evangélicas. Analiso eu, clara desistência por se opor aos dogmas de tal instituição e ignorância da vontade divina. Tenho por certo que há alguns segmentos que estrangulam a verdade como, por exemplo, os neo pentecostais. Porem a descrença nas igrejas evangélicas não podem ser polidas por opinião pessoal e ser creditado como suprema verdade, quando se leva em conta casos bem pontuais como do pastor Ricardo Gondim da Igreja Betesda.
      Ai vem a mente perguntas frequentes: Quem é que pode afirmar que a igreja evangélica é sua? Como podemos achar que a igreja já não suporta mais nossa visão de obra e interesses?
      A igreja foi instituída por Jesus o mesmo afirmou: (Mt 16.18) E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la. Pertencemos a igreja de Cristo membros de seu rebanho, Jesus é o cabeça lideres (pastores) são autoridades delegadas.
      É um tremendo engano achar que os preceitos de uma organização já não suportam nosso nível espiritual e intelectual. (Jr 17.9) O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo? Nossas motivações e interesses devem estar restritamente ligados a vontade do nosso Deus ou acabaremos virando hereges e presas fáceis para as feras desse mundo.

      é tempo de compriender que somos devedores de Deus ele nos pois por missão fazer sua obra: Pregar o Evangelho e edificar menbros. Enquanto uns entrão em polemica pessoais e se perdem em conceitos propios, outros marcham sem medo para a trincheira resgatando os cansados obrimidos e que ja não conceguem carregar sozinhos suas cargas.

  14. RAIMUNDO NONATO disse:

    pouco lhe conhecia, porem muito me conheço depois que comecei a analisar suas posições e esta ultima me dá a certeza de que és um homem de bons exemplos. Sua otica de nossa atual
    situação dos prosperos evagelicos, ou prosperidade negociada é realidade já citada na biblia
    a sua nocividade.

    Um dia terei a oportunidade de parabeniza-lo pessoalmente.

  15. Quem o conhece, sabe os seus valores, criticarmos é fácil quando não estamos na pele do criticado.

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