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Veredicto de infidelidade contra dois cristãos no tribunal de Shiraz

Por Redação Gospel+ em 11 de setembro de 2008

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IRÃ – Após três meses detidos por agentes de segurança, dois novos convertidos foram acusados formalmente de infidelidade pelo tribunal de justiça da província de Fars, no Irã.

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Esse incidente faz parte da recente onda de prisões e detenções de cristãos iranianos que, desde o mês de maio, vêm sendo arrebanhados por forças de segurança do governo no Irã.

De acordo com os relatórios que a agência de notícias FCNN recebeu, dois iranianos cristãos – Mahomud Matin Azad de 53 anos e Arash Basirat de 40 –, foram presos em 15 de maio de 2008 por oficiais de segurança do Ministério da Informação. Eles estavam em um parque.

Mahomud e Arash foram levados para um centro de detenção bem popular, conhecido como Bloco 100, localizado na rua Sepah – a praça militar no centro de Shiraz. Eles foram colocados em solitárias por um longo período e sujeitados a interrogatórios desumanos e extremamente longos durante esse tempo.

Em 15 de julho de 2008, os dois foram transferidos para a prisão onde fica a população carcerária em geral.

Durante dois meses de solitária e de extremas pressões físicas e psicológicas feitas pelos oficiais da prisão, a condição desses irmãos continua a se deteriorar, apesar do fato de os interrogatórios e as outras formas de tortura terem diminuído aos poucos. A situação foi ainda pior para Arash, que sofre de diabetes.

Apesar de as famílias desses dois homens terem tentado pagar fiança para libertá-los e buscar ajuda médica para eles em várias ocasiões, o governo recusou suas solicitações com base na justificativa de que se tratava de casos especiais.

De acordo com os documentos que a FCNN recebeu, o júri popular e o tribunal revolucionário da cidade de Shiraz junto com o Ministério da Informação da província de Fars acusaram formalmente Mahomud e Arash de traidores religiosos e os condenaram por infidelidade.

A condenação foi feita com base na seção 214 do código penal e nas seções 1 e 9 do livro de Imã Khomeini, chamado de Tahrir al Vasileh – subseção que trata da infidelidade e do ato de se desviar do Islã para outra fé.

Outras acusações, como a de fazer atividades anti-revolucionárias, criar confusão pública, publicar infidelidades e insultar o fundador da revolução iraniana e o atual líder supremo da República Islâmica do Irã, foram acrescentadas às primeiras acusações criminais.

Vale ressaltar que, de acordo com cânones da crença islâmica, o ato de abandonar a fé mulçumana é estritamente proibido, e a pessoa que o pratica é declarada infiel. Portanto, é lícito derramar o sangue de tal pessoa.

De acordo com o código 167 da constituição da República Islâmica do Irã, um juiz deve dar a sentença com base nas leis e nos códigos penais existentes. No caso de tais leis e códigos não estarem disponíveis, o juiz deve basear seu julgamento em leis islâmicas disponíveis e nas fatwas (veredictos emitidos pelos clérigos religiosos). Portanto, os tribunais de Shiraz se apoiaram nos escritos de Khomoemi para declarar infiéis estes dois cristãos iranianos.

Até o momento, vários casos semelhantes de pessoas infiéis (cuja punição é a execução por enforcamento) têm se tornado públicos. Muitos grupos internacionais de diretos humanos têm dado voz às suas inquietudes e protestos contra o governo do Irã.

Fonte: Portas Abertas

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