Magno Malta cita a Bíblia para justificar impeachment de Dilma: “Tudo que é feito no escuro virá à luz”

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O senador Magno Malta (PR-ES) discursou na noite da última terça-feira, 30 de agosto, no julgamento da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) por crime de responsabilidade, e afirmou que a reeleição da mandatária foi permitida por Deus para que os malfeitos fossem revelados.

Ao longo de seu discurso, o político capixaba fez referências à Bíblia Sagrada, o rei Salomão e o próprio Deus para justificar seu voto a favor do impeachment: “A presidente Dilma não está sendo caçada por mim ou nenhum desses outros senadores, mas ela será caçada por Salomão. Salomão é senador? Tem assento nessa casa? Não, mas Salomão escreveu que a arrogância precede a ruína”, afirmou.

Em novembro de 2014, Malta fez um discurso no Senado e disse ao colega Aécio Neves (PSDB-MG) que sua derrota nas eleições havia sido um livramento divino, devido à crise econômica que se revelou após o pleito. Ontem, o senador reiterou esse pensamento, dizendo que a vitória de Dilma há quase dois anos foi permitida por Deus.

“[A eleição], de fato, é fruto da vontade permissiva de Deus. As lambanças que fizeram no escuro — aliás, a Bíblia diz que tudo que é feito no escuro um dia virá a luz — precisavam vir à luz. Foi a eleição dela que permitiu que as lambanças viessem à luz, e tomamos conhecimento de todas elas”, asseverou.


Magno Malta ressaltou que as conquistas sociais alcançadas durante os governos do PT se devem à estruturação do país na área econômica realizada no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

“Eles [petistas] evocam o conjunto da obra para falar dos bons governos, se esquecendo que a Bíblia diz que um semeia e o outro ceifa”, contextualizou. “Quando falam sobre o conjunto da obra eles falam como se Lula tivesse descoberto o Brasil […] No conjunto da obra houve inclusão social? Houve. Mas houve porque os fundamentos da economia foram estabelecidos no governo Fernando Henrique”, acrescentou.

Na conclusão dessa linha de raciocínio sobre a permissão divina, Malta relembrou o pronunciamento no final de 2014, quando disse a Aécio que sua derrota teria um significado maior no futuro: “O então candidato derrotado — para sua própria felicidade — fez um discurso aqui. Daquela cadeira eu disse: ‘Vossa excelência não perdeu as eleições, e sim recebeu um livramento da parte de Deus’”.

Malta encerrou sua argumentação sobre o cenário do impeachment dizendo que, para os petistas e aliados, o golpe é se opor à corrupção: “O que é não ser golpista? É bater palmas para essa lambança que fizeram com o dinheiro público? As pedaladas fiscais foram feitas não por amor aos pobres, por amor à Minha Casa, Minha Vida ou por amor ao Bolsa Família. Não! Foram para tapar o rombo do BNDES”.

Assista, na íntegra, o discurso do senador Magno Malta:

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