Zé Bruno, sobre o dízimo: “Se você entregar pela ganância de ter algo, Deus não quer”; Assista

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O pastor Zé Bruno, um dos fundadores da igreja A Casa da Rocha, publicou um vídeo sobre o princípio do dízimo, abordando as várias interpretações sobre o que a Bíblia diz a respeito do assunto, e afirmou que optou por não pregar a entrega de 10% dos ganhos.

No meio evangélico existe um debate muito frequente sobre o tema, e há duas correntes principais: a que defende a entrega de um valor equivalente a 10%, além de ofertas voluntárias; e a que prega a entrega de valores que sejam de inspiração própria.

No vídeo, Zé Bruno – vocalista da banda Resgate e ex-bispo da Igreja Renascer – fez um panorama sobre a citação ao dízimo no Velho Testamento, a origem da prática e a institucionalização quando a lei por apresentada ao povo hebreu por Moisés.

Já no Novo Testamento, Zé Bruno destacou que Jesus fez menção ao dízimo para chamar a atenção para o fato que ofertar não desobriga do cumprimento de outros princípios. “Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas” -Mateus 23:23.


Frisando que existem diferentes formas de interpretação, o pastor resolveu adotar a sua própria, baseada no princípio de liberdade: “Eu costumo olhar da seguinte forma — não vou dizer que sou o único, nem que estou correto. Abraão entregou não por lei, mas porque ele achou que deveria consagrar o que ele havia recebido em gratidão a Deus”, disse.

“Eu sou mais tendencioso a não usar a lei. Eu acredito que Jesus disse que deveríamos contribuir, mas entendo que o pressuposto na cabeça das pessoas quando escutam a palavra ‘dízimo’ já traz uma carga que o nosso evangelicalismo torna tão forte. Eu tenho como opção não usar essa palavra. Eu não prego o dízimo”, explicou.

Assim, os custos da igreja são sustentados por ofertas voluntárias, que cada frequentador decide quanto do seu orçamento ele destina a isso: “Paulo diz que devemos entregar nosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus — muito mais que a décima parte, mas a vida inteira. Não estou querendo dizer que as pessoas devem entregar tudo, e sim que a nossa vida pertence a Deus. E quando sua vida pertence a algo, você não faz contas. O seu amor, na lei da liberdade, te leva a ter um compromisso de vida”, pontuou.

Zé Bruno disse que não há nada que proíba as pessoas de doarem, exatamente, 10% de seus ganhos, mas desde que estejam cientes que isso não funciona como um seguro ou um investimento: “Eu não sou mais abençoado pelo dinheiro que eu entrego, mas pelo que Cristo fez na cruz por mim. Deus não lê o seu bolso para saber se Ele libera benção do céu ou não”.

A estratégia adotada, segundo Zé Bruno, dá mais trabalho, exige uma explicação semelhante a cada semana, e por vezes, impõe algum aperto financeiro à congregação, já que não existe uma média fixa de contribuição. “Mas mesmo assim eu preferi não adotar a alíquota”.

“Eu acho que Deus quer o nosso coração por inteiro. Pode ser que tenha dia que eu entregue tudo. Pode ser que tenha dia que não vai ser o dinheiro, e sim um sapato, uma roupa, uma cesta básica, ou que eu atenda pessoas com minha profissão. Não se esqueça que no Antigo Testamento se alimentavam órfãos e viúvas com os dízimos”, pontuou.

Por fim, fez uma reflexão sobre o assunto para concluir seu ponto de vista: “Se eu tiver que colocar uma obrigação para um filho amar seu próprio pai, é melhor não ter relação. Se eu tiver que colocar um decreto para que as pessoas entreguem, eu prefiro que elas não venham. Se elas tiverem que entregar por medo de serem devoradas, eu prefiro que elas não entreguem. Se elas tiverem que entregar pela ganância de ter algo a mais, eu acho que Deus também não quer”.

Assista na íntegra:

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