Presbítero da Igreja Renascer comandará a bateria da escola de samba Mangueira durante Carnaval 2011

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Texto de Fabiana Sobral publicado originalmente em O Dia.

Quis o Criador abençoar o talento de Ailton André Nunes e ele acabou traçando seus passos no compasso do surdo de primeira. Ou melhor, da ‘Bateria Surdo Um’. Foi a paixão pelo ritmo, surgida quando ainda era moleque e rolava pelo lixão do Chalé, no Morro da Mangueira, em busca de latas e papelão para fazer tambores afinados com o calor de fogueiras, que fez o hoje presbítero, (uma espécie de líder) da Igreja ‘Renascer em Cristo’, aceitar o convite do presidente Ivo Meirelles e se tornar, há pouco mais de um mês, o novo mestre de bateria da Verde e Rosa.

Contradição com a fé? Não para Ailton, percussionista profissional, 39 anos, casado, pai de duas filhas e avô de outra menina. “Sou um servo de Deus e acredito que as pessoas têm um dom. E acredito no plano de Deus para a minha vida. E faz parte passar por isso, estar à frente da bateria”, explica o maestro, que também é um dos autores do samba que homenageia Nelson Cavaquinho, enredo da escola.

Antes de aceitar conduzir a bateria que ele conhece desde menino e da qual já chegou a ser um dos diretores — na época do primo Alcir Explosão, a quem elogia o talento —, além de primeiro repique, Ailton conversou com a família e seus orientadores na igreja.


A volta à escola, entretanto, levou 8 anos para acontecer. Foi quando, diz, “tinha outro tipo de conduta e estava perdendo a família”, acabou encontrando a igreja em seu caminho. Na caminhada de lá para cá, trabalhou com música, rodou a Europa como percussionista e reencontrou amigos no Brasil. Agora, só quer saber de unir a “Família Surdo Um” em torno de um objetivo: ganhar a nota dez para a Mangueira.

“Mas e as tentações do Carnaval?”, provoco eu ao entrevistado. “Todos nós somos pecadores. Só que tem um porém: eu tenho consciência que sou pecador, mas hoje não vivo pelo pecado”, responde, sem atravessar o discurso.

1 COMENTÁRIO

  1. Não cristão, creio nas escrituras, baliso pela racionalidade, descarto a religiosidade humana, mas…, um servo de Deus mestre de bateria de uma escola de samba, festa pagã e vulgar. Não sou contra processos culturas e manifestações de tais processos. No entanto, queria eu, poder rivalizar a vida cristã com esta festa denominada carnaval, como sendo forças que vergem para o mesmo fim… Sinceramente não dá…

    • O arranjo instrumental dos diversos instrumentos de percussão de uma bateria de escola de samba, é algo impar na sonoridade, algo sem igual no mundo, som compassado, empolgante e impactante; genuinamente brasileiro. No entanto, a matéria acima me causa estranhesa, pois, haveria de convir por alguma razão; por ventura agregar uma ala de evangélicos dentro do desfile carnavalesco ??? Entendo eu que não; nem uma ala e nem mesmo um unico servo de Deus…

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