Bolsonaro e Maria do Rosário se desentendem e Feliciano sai em defesa do deputado: “Ele não a estupraria”

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O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) se desentendeu com a colega Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra da Secretaria dos Direitos Humanos no governo Dilma Rousseff (PT), e afirmou que não a estupraria porque ela “não merece”.

Conhecido por suas falas polêmicas, Bolsonaro reagiu de forma intempestiva às declarações da deputada sobre a ditadura militar no Brasil. Segundo Rosário, o regime ditatorial foi uma “vergonha absoluta”.

A parlamentar acrescentou ainda que “homens e mulheres (…) se colocaram de joelhos diante dela [da ditadura] para servirem ao interesse da tortura, da morte, ao interesse de fazer o desaparecimento forçado, o sequestro”. Os discursos foram feitos no contexto da comemoração do Dia Internacional dos Direitos Humanos, que acontece nesta quarta-feira, 10 de dezembro.

Como Bolsonaro é militar da reserva, reagiu ao discurso de Maria do Rosário afirmando que no Brasil, a data comemorativa dos Direitos Humanos deveria se chamar “Dia Internacional da Vagabundagem”.


“Os direitos humanos no Brasil só defendem bandidos, estupradores, marginais, sequestradores e até corruptos”, afirmou Bolsonaro.

O deputado carioca afirmou que Maria do Rosário o havia chamado de estuprador, e respondeu a acusação dizendo que não cometeria um abuso contra ela pois ela não merecia isso: “Fica aí, Maria do Rosário, fica. Há poucos dias, tu me chamou de estuprador, no Salão Verde, e eu falei que não ia estuprar você porque você não merece. Fica aqui pra ouvir”, disse, visivelmente exaltado.

Ao final, ainda teceu críticas à presidente Dilma Rousseff, que durante os anos de militância contra a ditadura, teve proximidade com crimes: “A Maria do Rosário saiu daqui agora correndo. Por que não falou da sua chefe, Dilma Rousseff, cujo primeiro marido sequestrou um avião e foi para Cuba, participou da execução do major alemão? O segundo marido confessou publicamente que expropriava bancos, roubava bancos, pegava armas em quartéis e assaltava caminhões de carga na Baixada Fluminense. Por que não fala isso?”, questionou.

Feliciano

Após a repercussão do discurso de Bolsonaro, o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) defendeu o colega, dizendo que ele não havia feito ofensas ou ataques a Maria do Rosário: “Eles estavam chamando o deputado Bolsonaro de estuprador, e ele disse que mesmo que fosse não estupraria a deputada. É preciso restabelecer a verdade, ele não disse que era um estuprador”, frisou.


69 COMENTÁRIOS

    • Só se for na torneira da sua casa.
      Comparar uma crise causada por uma seca que a 84 anos não se via com os escândalos de corrupção do governo que você defende chega a ser engraçado.

      • Engraçado é um idiota que come cocô a contagotas enquanto defende um bando de parasitas que tem por objetivo de vida o extermínio das populações do Brasil. Vá pesquisar na história seu analfabeto, sobre o branqueamento social brasileiro, sobre o regime militar e o apoio que os cristão deram essa corja. Deus é justo. Ohh glória, só o Senhor poderia nos prestar um espetáculo dessa magnitude. Servir bosta na torneira do coxinha com 26% de ágio na fatura da sabesp. Bendito é o Senhor, pois com isso honra os nordestinos e favelados desse país. E é esse mesmo Deus que levanta no nordeste brasileiro um operário para faze-lo assentar como principe e faze-los pagar por suas infâmias para com os oprimidos. Deus seja louvado.

        • Eu conheço a história muito melhor do que você imagina. E não defendo PSDB e nem os CANALHAS que você defende, diferente de você eu tenho minhas faculdades mentais em plena forma e posso julgar todas as coisas com equilíbrio.

    • Você não está querendo tapar o sol com a peneira, tá?? Estamos numa situação incomparável no Brasil e vem com essa. Isso é como o leproso reclamar da espinha do outro. Sem cabimento!

  1. bolsonaro pode ser divorciado adultero o que for ele e politico nao pastor nao precisa ter a mesma santidade que um ministro contanto que ele faça o trabalho dele direito e nao engane ninguem tem o meu apoio .questoes pessoais aparte.

  2. Só para refletir.

    Hoje, após abertas as cortinas de ferro do comunismo, é mais que certo que esse sistema para se firmar enquanto poder matou e fez as mais diversas atrocidades.

    Quando comparadas com as cometidas aqui no Brasil pelo capitalismo, todos vão dizer que aqui é fichinha pequena ao comparado com os do comunismo.

    Não que as duas violências se justifiquem, mas hoje tenho por certo que se aqui tivessem implantado tal regime, os mortos e as atrocidades seriam milhares de vezes pior, pois todos assim ocorreu, outrossim ainda viveriamos sem liberdade, quer dizer, a mesma liberdade da Coréia do Norte.

    Então acho que está mais que na hora de muitos que tentaram implantar tal regime e os que não o fizeram, pois apenas românticos por defenderem qualquer ideia de mudança, acabar com essa exaltação como se guerreiros de primeira grandeza que combateram e venceram o dragão.

    Não queremos heróis, pois estes o são os brasileiros que todos os dias repetem suas sagas como se ritual fosse seja em caminho ao trabalho ou à busca de empregos,
    de saúde,
    de educação,
    de segurança,
    de ordem nos estádios de futebol,
    de ordem nas empresas que operam as telecomunicações que os deixa duas horas numa ligação,
    de ordem com os mananciais de águas virados hoje em esgotos em face da inércia de servidores que são pagos pra cuidar,
    de ordem nas drenagens e nos sistemas de esgotos,
    ordem nas construções de imóveis e aplicação dos planos diretores das cidades e que não derrubam uma casa sequer para abrir ruas que trafeguem carros e que não duplicam uma casa em cima da outra pra criar esses espaços.

    Nada de novo, somente atos de heroísmos.

    Tudo tem seu tempo.

    • Quando vejo brasileiros fazendo manifestação pela volta da ditadura, penso que eles não podem saber o que estão dizendo. Quem sabe, não diz. Mas esse primeiro pensamento é uma mistura de arrogância e de ingenuidade. O mais provável é que uma parte significativa desses homens e mulheres que têm se manifestado nas ruas desde o final das eleições, orgulhosos de sua falta de pudor, peçam a volta dos militares ao poder exatamente porque sabem o que dizem. Mas talvez seja preciso manter não a arrogância, mas a ingenuidade de acreditar que não sabem, porque quem sabe não diria, não poderia dizer. Não seria capaz, não ousaria. É para estes, os que desconhecem o seu dizer, estes, que talvez nem existam, que amplio aqui a voz das crianças torturadas, de várias maneiras, pela ditadura.

      Crianças. Torturadas. De várias maneiras.

      Botavam meu pai no pau de arara e, para o fazerem falar, simulavam me torturar com uma corda. Eu tinha dois anos

      Como Ernesto Carlos Dias do Nascimento. Ele tinha dois anos e três meses. Foi considerado terrorista, “Elemento Menor Subversivo”, banido do país por decreto presidencial. Foi preso em 18 de maio de 1970, em São Paulo, com sua mãe, Jovelina Tonello do Nascimento. O pai, Manoel Dias do Nascimento, militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização comandada por Carlos Lamarca, havia sido preso horas antes. Ernesto é quem conta:

      “Me levaram diversas vezes às sessões de tortura para ver meu pai preso no pau de arara. Para o fazerem falar, simulavam me torturar, com uma corda, na sala ao lado, separados apenas por um biombo”.

      O menino de dois anos dizia: “Não pode bater no papai. Não pode”.

      E batiam.

      Libertado quase um mês depois, passou os primeiros anos com pavor de policiais de farda e grupos com mais de quatro pessoas. Entrava em pânico, escondia-se debaixo da cama ou dentro do armário, mordia quem se aproximava e urinava nas calças. Ernesto foi uma criança com pesadelos recorrentes. O mais comum era com um asno, uma corda e uma agulha. “O asno usava um boné militar, a agulha tinha olhos arregalados e uma risada aguda sarcástica e corria atrás de mim, eu apavorado tentava fugir. O asno me cercava, me dava coices ou chutava coisas sobre mim. A corda parecia boazinha, disfarçada de linha se estendia até mim, mas quando eu a segurava ela machucava minhas mãos e me deixava cair em um abismo.”

      Perto do parto, o líquido amniótico descia pelas minhas pernas e as baratas me atacavam em bandos. Eu gritava na cela”

      Ernesto é um dos 44 adultos torturados na infância – física e psicologicamente, mas também de outras maneiras – que contam sua história em um livro lançado em novembro pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”. Infância roubada – crianças atingidas pela Ditadura Militar no Brasil é a memória do inominável que precisa ser nomeado para que cada um deles possa viver, para que o crime de Estado não se repita. A maioria dos depoimentos foi registrada em audiências na Comissão da Verdade de São Paulo. Algumas pessoas, que não puderam comparecer ou não conseguiam falar sobre o assunto, foram entrevistadas depois.

      O que dizer sobre crianças torturadas pelo Estado? E torturadas ontem, em parâmetros históricos, bem aqui? Os relatos desse livro são alheios aos adjetivos. São silêncios que falam. E soluçam. Como João Carlos Schmidt de Almeida Grabois, o Joca, antes mesmo de nascer. Ele estava na barriga da mãe, Crimeia, quando ela levou choques elétricos, foi espancada em diversas partes do corpo e agredida a socos no rosto. Enquanto ela era assim brutalizada, os agentes da repressão ameaçavam sequestrar seu bebê tão logo nascesse. Quando os carcereiros pegavam as chaves para abrir a porta da cela e levar Crimeia à sala de tortura, o bebê começou a soluçar dentro da barriga. Joca nasceu na prisão e, anos depois, já crescido, quando ouvia o barulho de chaves, voltava a soluçar. A marca da ditadura nele é um soluço.

      Torturado por agentes da repressão ainda bebê, ele nunca se libertou do pavor. Suicidou-se aos 40 anos

      Perto da hora do parto, em vez de levarem Crimeia para a enfermaria, a colocaram numa cela cheia de baratas. Como o líquido amniótico escorria pelas pernas, elas a atacavam em bandos. Isso durou quase um dia inteiro. Só no fim da tarde, com outros presos gritando junto com ela, a levaram para o hospital. O obstetra disse que, como não estava de plantão, só faria a cesariana no dia seguinte. Crimeia alertou que seu filho poderia morrer. O médico respondeu: “É melhor! Um comunista a menos”. O pai de Joca foi assassinado pelo regime militar meses depois de o menino nascer. A primeira vez que ele viu o rosto do pai foi aos 18 anos, numa foto nos arquivos do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) de São Paulo.

      Carlos Alexandre Azevedo, o Cacá, não suportou a lembrança. Talvez porque ele nunca pôde transformá-la em memória. Era nele algo vivo e sem palavras, um silêncio que não conseguia se dizer. E um silêncio que não consegue se dizer é um pavor. Ele tinha um ano e oito meses quando sua casa foi invadida por policiais do DOPS/SP, em janeiro de 1974. Como começou a chorar, os policiais deram-lhe um soco na boca que de imediato sangrou. Passou mais de 15 horas em poder da repressão, nas mãos de funcionários do Estado, enquanto lá fora gente demais vivia suas vidas fingindo que nada acontecia. Seus pais ouviram relatos de que nesse período o menino, pouco mais que um bebê, teria levado choques elétricos. Cacá se matou aos 40 anos, em 2013. Seu pai diria: “Ele ficou apavorado. E esse pavor tomou conta dele. Entendo que a morte dele foi o limite da angústia”.

      Testemunhei o assassinato do meu pai. Não posso nem quero esquecer, porque

      a única lembrança que tenho dele é a da sua morte

      Ângela Telma de Oliveira Lucena escolheu lembrar. Tinha três anos e meio quando executaram o pai diante dela. Ângela diz:

      “Eu lembro como ele estava vestido. Eu lembro exatamente como tudo se desenrolou naquele dia. Eu estava no colo da minha mãe, e quando fui crescendo, durante muitos anos ficava pensando se tinha sonhado aquilo ou se era realmente um fato que tinha ocorrido. Eu vivia um conflito entre apagar, riscar aquilo da minha vida, mas, ao mesmo tempo, sabia que, se fizesse isso, estaria riscando a história da minha família. (…) As pessoas sempre colocam em dúvida se eu realmente consigo lembrar da morte do meu pai. (…) Eu gostaria muito de poder apagar esse momento do assassinato do meu pai da minha vida. Mas eu não posso, eu não quero e eu não consigo. Porque a única memória que tenho do meu pai é exatamente o momento da sua morte”.

      Houve Paulo Fonteles Filho, cujo parto da mãe foi uma tortura iniciada por policiais, completada pelo médico. Aos cinco meses de gestação, Hecilda era espancada com socos e pontapés, aos gritos de: “Filho dessa raça não deve nascer”. Era mantida acordada a noite inteira com uma luz forte no rosto, no que se chamava de “tortura dos refletores”. Depois, sentada numa cadeira, os fios subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios, causando calor, frio, asfixia. Mais tarde, foi colocada numa cela cheia de baratas. Ela já não conseguia ficar nem em pé nem sentada. Como não tinha colchão, deitou-se no chão. As baratas começaram a roê-la. Ela só conseguiu tirar o sutiã e tapar a boca e os ouvidos. Levaram-na então para o Hospital da Guarnição do Exército, em Brasília. Ela lembra da irritação extrema do médico, que induziu o parto e fez o corte sem anestesia. Hecilda não chorou. Ela conta no livro Luta, Substantivo Feminino: Mulheres Torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura, publicado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos: “Depois disso ficavam dizendo que eu era fria, sem emoção, sem sentimentos. Todos queriam ver quem era a ‘fera’ que estava ali”. Assim é contado o nascimento de Paulo, assim é como ele começa a se contar. Nascido entre feras – nenhuma delas a sua mãe. Nascido entre humanos, os mais brutais entre as feras.

      E houve as crianças que não nasceram, porque suas mães abortaram durante a tortura

      E há aqueles que não nasceram. Como o filho de Isabel Fávero que, aos dois meses de gravidez foi colocada numa sala e torturada com choques, pau de arara, ameaça de estupro e insultos verbais. No quinto dia, abortou. Isabel foi trancada num quarto fechado, onde ficou incomunicável. Ou Nádia Lucia do Nascimento, grávida de seis meses, colocada na temida “cadeira do dragão”. Depois de ter a roupa arrancada, levou choques elétricos por todo o corpo. Abortou. Teve hemorragias e dores, nenhum atendimento médico.

      Essa é a memória das crianças da ditadura. É a lembrança de parto de suas mães. Nós, que não fomos torturados, não temos como alcançar como é viver com essa marca – ou tentar fazer marca do que ainda é horror – num momento histórico em que – depois de tudo – alguns brasileiros perderam a vergonha de pedir a volta da ditadura. Podemos tentar nos colocar no lugar desses homens e mulheres, hoje adultos com seus próprios filhos, alguns já avós, nascidos ou presos nos porões em que seus pais foram torturados e alguns deles assassinados. É fundamental tentar vestir o outro, mas não alcançamos. Não há como alcançar. Como é passar pela Avenida Paulista, como aconteceu algumas vezes nas últimas semanas, ouvindo os gritos de gente – gente, certamente gente – gritando por intervenção militar e volta da ditadura. Como é?

      De Grenaldo Mesut a ditadura subtraiu sua própria história

      Entre as dezenas de relatos desse livro, há um que destoa. Este eu conheci de perto. Testemunhei. Ao contrário da maioria, Grenaldo Erdmundo da Silva Mesut não tinha lembrança da repressão. Sequer sabia o que era ditadura para além de um nome vago, uma história que não lhe dizia respeito. Alguns poderiam supor que talvez fosse melhor assim, mas isso é desconhecer o quanto a ausência da memória é brutal, um buraco que se pressente, mas não se sabe como apalpar.

      Sobre ele, a jornalista Tatiana Merlino, que o escutou e assina a edição e a organização primorosa desse livro, diz: “A ditadura deixou inúmeras marcas nos filhos das vítimas; dos desaparecidos, assassinados, presos: desde nascimento na prisão, serem levados aos órgãos de repressão, clandestinidade, exílio, banimento, etc. Há histórias de horror, de crianças que viram os pais torturados, que foram sequestradas… Mas a história do Grenaldo me toca por uma brutalidade especial a qual ele foi submetido, que é o desaparecimento, o apagamento, promovido pela ditadura, da sua própria história. A ele foi negado até o direito de vivenciar a dor da verdade de ser filho de um assassinado pelo regime. Para além da subtração da vida, do corpo, a mentira, a subtração da verdade. Quais são os impactos desse crime na construção da identidade do Grenaldo? É essa lacuna, que são se pode mensurar, que me toca profundamente”.
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      Meu caminho se cruzou com o de Grenaldo de uma forma que só acontece na vida real. Se fosse ficção, a história seria considerada tão fantasiosa que soaria de má qualidade. Na campanha eleitoral de 2002, eu trabalhava na revista Época e minha atribuição era contar o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva pela sua trajetória pessoal e familiar. Fiz várias reportagens e, no início do seu mandato como presidente, escrevi sobre a morte de sua primeira mulher, Maria de Lourdes, num parto em que ela e o bebê perderam a vida. Era mais uma das dores de Lula, dono de uma biografia que continha o DNA do Brasil, país que naquele momento ele começava a governar com a promessa de mudar o destino dos mais pobres e estatísticas como as da mortalidade materna.

      Durante a investigação jornalística, descobri uma curiosa coincidência. O médico que assinou o atestado de óbito de Maria de Lourdes era um dos legistas acusados de ter forjado laudos para a ditadura. Sérgio Belmiro Acquesta, absolvido pelo Conselho Regional de Medicina um ano antes de morrer, era então gerente do departamento médico da Villares, metalúrgica em que Lula trabalhava como operário, e também funcionário do Instituto Médico Legal de São Paulo. Numa das páginas da reportagem havia a foto de dois casos em que ele teria atuado para apagar a responsabilidade do regime militar. Um dos retratos, em tamanho 3X4, era de um marinheiro, Grenaldo de Jesus Silva, que em 1972 sequestrou sozinho um avião da Varig. Depois de ter liberado todos os passageiros e a maior parte da tripulação, ele foi detido, imobilizado e morto no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, aos 31 anos. No dia seguinte, jornais estamparam a versão do regime: “Encurralado, terrorista suicidou-se”.

      Três décadas depois, minha reportagem de capa foi publicada e essa pequena foto, mais do que toda a história de Lula e Lourdes, moveu lembranças insepultas. Dias depois, um homem que se apresentou como ex-sargento especialista da Aeronáutica, José Barazal Alvarez, então com 63 anos, procurou a revista. Quando o sequestro acabou, ele tinha sido o encarregado de fazer o relatório e recolher os pertences do morto. Ao examinar o corpo de Grenaldo, contou ter encontrado no peito uma carta ensanguentada e um segundo tiro. Nessa espécie de carta testamento, Grenaldo contava as razões do sequestro para o filho e prometia buscar a família tão logo chegasse ao Uruguai. José manteve segredo do que viu por 30 anos, não mencionou nada nem mesmo à própria mulher. Mas era assombrado pela carta, porque sabia que em algum lugar havia um filho que nunca recebera a palavra do pai, um gesto que, por não ter se completado, teria de ter causado estrago. Era desse pesadelo que José queria se libertar quando conversamos pela primeira vez. Ao ver a foto do marinheiro “suicidado” na reportagem, ele decidiu buscar o filho sem pai – e a libertação.

      Em um reportagem sobre a primeira mulher de Lula, o ex-militar reencontrou o rosto que o assombrava havia 30 anos, o filho a face desconhecida do próprio pai

      Eu procurei o filho. Mas mesmo entre as organizações de mortos e desaparecidos políticos da ditadura, a trajetória, as circunstâncias e a intenção do marinheiro que sequestrou um avião tinha muitas lacunas. Grenaldo foi um dos 1.509 marinheiros expulsos em 1964 por se alinhar com o presidente João Goulart. Destes, 414 foram condenados à prisão. Grenaldo recebeu a pena mais alta: cinco anos e dois meses. Fugiu e iniciou uma vida na clandestinidade. Dele era tudo o que se sabia até ressurgir num avião da Varig.

      Tentei vários caminhos para encontrar seu filho, não consegui. Quando o telefone da minha mesa na redação tocou, eu ainda o procurava, mas já tinha escassas esperanças. No outro lado, uma mulher me disse que o filho do marinheiro queria conversar comigo. As linhas finalmente se cruzavam e, por um breve instante, esqueci de respirar. O que tinha se passado era algo tão prosaico, um clichê. Uma mulher folheava distraída uma revista velha no consultório do dentista, quando se deparou com o nome bastante raro. De imediato ligou para a irmã: “Leila, tem um homem aqui com o mesmo nome do seu marido. Será que não é o pai dele?”.

      O marido de Leila não falava do pai. Ele era sobrevivente de uma infância arruinada, na qual o legado do pai era um “sangue ruim”. Sua mãe nunca soube das ações políticas do marido e, quando ele sumiu e reapareceu na capa dos jornais como “terrorista”, ela não pôde entender. Mônica Mesut já conhecera o marido na clandestinidade, na cidade paulista de Guarulhos, sem jamais ter sido informada de que ele tivera outra vida. Enquanto esteve com ela, Grenaldo foi vigia da construtora Camargo Corrêa e teve pelo menos dois negócios fracassados. Em 1971, começou a receber cartas que o deixavam muito nervoso. Um dia saiu de casa prometendo voltar para dar a família uma vida melhor e só voltou a aparecer num avião da Varig. O filho tinha quatro anos.

      Até a vida adulta, do pai ele só sabia que era “ladrão” e “terrorista”. A família era muito pobre, sem nenhuma formação política e precária educação. Grenaldo, o filho, cresceu num cenário em que tudo faltava, entre uma mãe alcoólatra, um tio violento e uma avó devastada. Christina, a avó, e Mônica, a mãe, já eram elas mesmas sobreviventes de uma outra guerra. Ao fugir da Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial, Christina encontrou um bebê nos braços de uma mulher morta. Sem leite ou comida, rasgou o pulso e alimentou-o com sangue. Era Mônica, a mãe de Grenaldo, que em 1972 não suportou ver o marido e pai do seu filho como terrorista e suicida nas capas dos jornais. Acreditou na ditadura e na imprensa. Em uma família na qual o passado já era trevas, mais um apagamento fazia todo o sentido.

      Quando Grenaldo ainda era criança, Mônica literalizou a destruição da memória ao sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) que a reduziu a quase nada. Morreria só anos depois. Enquanto viveu, Grenaldo e a mãe eram espancados primeiro pelo padrasto, depois pelo tio. O nome do pai só emergia pelo ódio, na boca de todos, por qualquer motivo e antes de cada surra: “Seu filho de ladrão!”. E então, quando ele tinha 35 anos, já professor de educação física e pai de família, apareceu aquele nome numa reportagem, com uma história diferente. Na mesma página de revista, José reencontrou o rosto que o assombrava, Grenaldo deparou-se com a face desconhecida do próprio pai.

      O filho do marinheiro marcou um encontro comigo numa pizzaria de São Paulo. Eu carregava vários livros sobre a ditadura para dar a ele e um enorme temor. Como contar a um filho quem era seu pai? Como dar a um filho notícias do pai? Como se faz algo assim tão enorme, com que palavras? Me senti tão insuficiente. Cheguei mais cedo, como sempre faço, e esperei. Vi aquele homem enorme chegar, com o rosto transtornado por algo que era medo e era expectativa e era, me parecia, um pedido de compaixão. Era como se ele suplicasse com aqueles olhos arregalados, quase infantis, que eu tivesse cuidado, que eu possuía ali o poder de acabar com o delicado equilíbrio que ele havia alcançado com um esforço impossível de mensurar. Percebi que ele não tinha a menor ideia do que ia ouvir. Naquele momento, Grenaldo começou uma travessia em busca de um pai e de um país. Os dois, ao mesmo tempo. E eu era a ponte imperfeita e aquém diante dele. Quando voltei desse encontro, lembro de ter deitado na cama de roupa e ficado ali de olhos estalados até o dia amanhecer, porque era tão grande aquilo, grande demais.

      Grenaldo iniciou, aos 35 anos, uma travessia em busca do pai – e do país

      Dias depois, marquei um encontro entre Grenaldo, o filho, e José, o ex-militar. A cena era impressionante. Grenaldo caiu de joelhos diante de José. E José libertou-se de um pesadelo de 30 anos. Todos naquela sala choravam. Naquele momento, a vida não cabia em nós.

      José encerrava ali três décadas de um pesadelo recorrente, o de um homem assassinado, amontoado como um saco de lixo, num Opala preto da repressão. E Grenaldo iniciava uma série de noites agitadas, em que sonhava ser um detetive em busca de pistas.

      Com a ajuda de um advogado, Grenaldo e eu passamos semanas, meses, buscando a carta que era sua. Numa noite, lembro de outra cena: as fotos do inquérito militar espalhadas pelo chão da sala da casa de Grenaldo. As imagens do pai morto, sangue, e nós dois tentando desvendar aquele quebra-cabeça macabro. Eu pensava: como ele vai suportar esse destino transtornado de um dia para o outro?

      Grenaldo tinha – tem – algo que poderia ser definido como uma pureza resistente, algo que ele manteve intacto mesmo no inferno que foi sua infância, algo que eu já vi em outros sobreviventes, e algo que naquele momento o salvava de novo. Consegui localizar a última pessoa a encontrar seu pai com vida no avião e provar que ele foi assassinado. Testemunhas lembravam do estranho caso do homem “suicidado com um tiro na nuca”. A granada que supostamente o marinheiro portava durante o sequestro era, segundo José, um carretel de pescaria enrolado com fita crepe.

      Grenaldo, o pai, foi reconhecido como um dos executados pela ditadura, e o filho pôde receber uma indenização do Estado. Meses depois, ele reencontrou a avó paterna no Maranhão e resgatou os laços perdidos com uma família que não sabia que tinha. Ele soube então que, depois de deixar a casa de Guarulhos e antes de sequestrar o avião, o marinheiro perseguido pela repressão tinha visitado a mãe, para dar a notícia de que ela tinha um neto e lhe deixar uma foto do menino. Atrás do retrato estava escrito: “São três anos que completo, sou um meninão. Um dia vou crescer, visitar o Maranhão. Naldinho. 9/6/71”. Passaram-se mais de três décadas até ele desembarcar no aeroporto de São Luís, onde a avó o esperava. Viveram uma relação de afeto pungente até a morte dela.

      Nunca conseguimos encontrar a carta, e o gesto do pai jamais será completado. É enorme a tragédia de uma carta que não encontra seu destinatário. Essa letra perdida será sempre um buraco que Grenaldo terá de sustentar, mas um buraco que ele vai preenchendo com a construção da memória. Hoje ele tem um pai – e tem um país. E é com os pedaços faltantes de ambos que precisa lidar. Grenaldo se prepara agora para contar para sua filha mais velha a história do avô. E às vezes, quando um dos dois filhos diz que não consegue fazer alguma coisa, ele diz: “Não fale que você não consegue, essa palavra não pode existir. Você é neto do Grenaldo!”.

      Não sei quem são os brasileiros que gritam nas ruas pedindo a volta da ditadura. Desconheço as pessoas que clamam por intervenção militar como se isso não fosse uma vergonha, uma indignidade, e sim a prerrogativa de “cidadãos de bem”. Acho que nunca tive tanto medo desse deformado discurso “do bem” quanto hoje, essa época em que todo o pudor foi perdido e a ignorância da História é ostentada como um troféu. Sei que são pessoas, porque só humanos são capazes de algo tão brutal.

      Dizem que eram “apenas” 400 no primeiro sábado de dezembro, em São Paulo. Alegam que 400 pedindo intervenção militar é pouco. Eu digo que um é muito. Respeito o direito que têm de se expressar, porque ao fazê-lo reforçam a expressão máxima da democracia, na grandeza de acolher a voz até mesmo de quem exige o seu fim. Mas me reservo o direito de, por um momento, escolher a ingenuidade. Prefiro acreditar que vocês não sabem do que falam nem o que pedem. Não podem saber. Se soubessem, não ousariam.

      Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes – o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos e do romance Uma Duas. Site: elianebrum.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter: @brumelianebrum

  3. Vem cá, pessoal do Gospel+, a matéria, travestida (será que pode essa palavra aqui?) com dados objetivos, está extremamente tendenciosa. Vocês estão defendendo o Bolsonaro! E ainda jogam de paraquedas na matéria o deputado Feliciano. Que vergonha, hein, GospelMais! Parem com isso!

  4. A resposta do deputado Bolsonaro foi na mesma medida que a ofensa feita pela Maria do Rosário, que não faz jus ao nome que tem. Por ser petista acho pouco provável que ela se dê o devido respeito.

  5. A resposta do dep. Bolsonaro foi na mesma medida que a ofensa feita pela Maria do Rosário, que não faz jus ao nome que tem. Por ser petista acho pouco provável que ela se dê o devido respeito.

  6. Olha ai Feliciano e corja apoiando o crente e estuprador BOLSANARO.

    Na fala de Bolsanaro tem mulher que merece ser estuprada, no caso ele estupraria as que merecem.
    Não é de de estranhar na igreja evangélica todos nós aprendemos que a mulher nunca deve se negar, com isso o IRMÃO pode estuprar a esposa e as irmãs em volta e se for ungido como O PASTOR MARCOS O ESTRUPADOR, recebe apoio de SILAS e FELICIANO.
    A igreja fundamentalistas é tão nojenta que até o diabo já tá com medo e nojo, não existe DEUS no meio desses fariseus.

  7. Aos fundamentalistas e apoiadores dos assassinos da Ditadura

    Testemunhei o assassinato do meu pai. Não posso nem quero esquecer, porque

    a única lembrança que tenho dele é a da sua morte

    Ângela Telma de Oliveira Lucena escolheu lembrar. Tinha três anos e meio quando executaram o pai diante dela. Ângela diz:

    “Eu lembro como ele estava vestido. Eu lembro exatamente como tudo se desenrolou naquele dia. Eu estava no colo da minha mãe, e quando fui crescendo, durante muitos anos ficava pensando se tinha sonhado aquilo ou se era realmente um fato que tinha ocorrido. Eu vivia um conflito entre apagar, riscar aquilo da minha vida, mas, ao mesmo tempo, sabia que, se fizesse isso, estaria riscando a história da minha família. (…) As pessoas sempre colocam em dúvida se eu realmente consigo lembrar da morte do meu pai. (…) Eu gostaria muito de poder apagar esse momento do assassinato do meu pai da minha vida. Mas eu não posso, eu não quero e eu não consigo. Porque a única memória que tenho do meu pai é exatamente o momento da sua morte”.

    Houve Paulo Fonteles Filho, cujo parto da mãe foi uma tortura iniciada por policiais, completada pelo médico. Aos cinco meses de gestação, Hecilda era espancada com socos e pontapés, aos gritos de: “Filho dessa raça não deve nascer”. Era mantida acordada a noite inteira com uma luz forte no rosto, no que se chamava de “tortura dos refletores”. Depois, sentada numa cadeira, os fios subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios, causando calor, frio, asfixia. Mais tarde, foi colocada numa cela cheia de baratas. Ela já não conseguia ficar nem em pé nem sentada. Como não tinha colchão, deitou-se no chão. As baratas começaram a roê-la. Ela só conseguiu tirar o sutiã e tapar a boca e os ouvidos. Levaram-na então para o Hospital da Guarnição do Exército, em Brasília. Ela lembra da irritação extrema do médico, que induziu o parto e fez o corte sem anestesia. Hecilda não chorou. Ela conta no livro Luta, Substantivo Feminino: Mulheres Torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura, publicado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos: “Depois disso ficavam dizendo que eu era fria, sem emoção, sem sentimentos. Todos queriam ver quem era a ‘fera’ que estava ali”. Assim é contado o nascimento de Paulo, assim é como ele começa a se contar. Nascido entre feras – nenhuma delas a sua mãe. Nascido entre humanos, os mais brutais entre as feras.

    E houve as crianças que não nasceram, porque suas mães abortaram durante a tortura

    E há aqueles que não nasceram. Como o filho de Isabel Fávero que, aos dois meses de gravidez foi colocada numa sala e torturada com choques, pau de arara, ameaça de estupro e insultos verbais. No quinto dia, abortou. Isabel foi trancada num quarto fechado, onde ficou incomunicável. Ou Nádia Lucia do Nascimento, grávida de seis meses, colocada na temida “cadeira do dragão”. Depois de ter a roupa arrancada, levou choques elétricos por todo o corpo. Abortou. Teve hemorragias e dores, nenhum atendimento médico.

    Essa é a memória das crianças da ditadura. É a lembrança de parto de suas mães. Nós, que não fomos torturados, não temos como alcançar como é viver com essa marca – ou tentar fazer marca do que ainda é horror – num momento histórico em que – depois de tudo – alguns brasileiros perderam a vergonha de pedir a volta da ditadura. Podemos tentar nos colocar no lugar desses homens e mulheres, hoje adultos com seus próprios filhos, alguns já avós, nascidos ou presos nos porões em que seus pais foram torturados e alguns deles assassinados. É fundamental tentar vestir o outro, mas não alcançamos. Não há como alcançar. Como é passar pela Avenida Paulista, como aconteceu algumas vezes nas últimas semanas, ouvindo os gritos de gente – gente, certamente gente – gritando por intervenção militar e volta da ditadura. Como é?

    De Grenaldo Mesut a ditadura subtraiu sua própria história

    Entre as dezenas de relatos desse livro, há um que destoa. Este eu conheci de perto. Testemunhei. Ao contrário da maioria, Grenaldo Erdmundo da Silva Mesut não tinha lembrança da repressão. Sequer sabia o que era ditadura para além de um nome vago, uma história que não lhe dizia respeito. Alguns poderiam supor que talvez fosse melhor assim, mas isso é desconhecer o quanto a ausência da memória é brutal, um buraco que se pressente, mas não se sabe como apalpar.

    Sobre ele, a jornalista Tatiana Merlino, que o escutou e assina a edição e a organização primorosa desse livro, diz: “A ditadura deixou inúmeras marcas nos filhos das vítimas; dos desaparecidos, assassinados, presos: desde nascimento na prisão, serem levados aos órgãos de repressão, clandestinidade, exílio, banimento, etc. Há histórias de horror, de crianças que viram os pais torturados, que foram sequestradas… Mas a história do Grenaldo me toca por uma brutalidade especial a qual ele foi submetido, que é o desaparecimento, o apagamento, promovido pela ditadura, da sua própria história. A ele foi negado até o direito de vivenciar a dor da verdade de ser filho de um assassinado pelo regime. Para além da subtração da vida, do corpo, a mentira, a subtração da verdade. Quais são os impactos desse crime na construção da identidade do Grenaldo? É essa lacuna, que são se pode mensurar, que me toca profundamente”

    • RAPAZ EU ESTIVE LA, FUI ATIVISTA, E COMO ME ARREPENDO QUANDO VEJO A HERNÇA QUE DEIXEI, PARA O PAÍS LIBERTINAGEM ROUBO E SAFADEZA, E A GAYZADA SOLTA, VCS. ERAM CONHECIDOS COMO PEDERASTAS NEM SERVIR A PTRIA PODIA, E VEJA QUE VERGINHA EU PRODUZI, E DIZER QUE QUASE MORRI POR ISTO, QUE NOJO.

    • O que tem de mais cruel em um País é uma ditadura cruel,assassina e sanguinária.Valeu,
      Andre, pelo excelente comentário.E vale lembrar: A pior ditadura é a religiosa – a fundamentalistas da lavagem cerebral que não tem diálogo,acordo e,matam por um nada
      e tudo por medo de perderem o poder.Num regime teocrático – de fanáticos fundamentalistas,só existe uma religião – a seita vencedora.As demais,eles mandam bala
      mesmo.É o manda quem pode e obedece quem tem juízo.A igreja católica já imitou um
      pouco as seitas fanáticas fundamentalistas.

    • O pai desta senhora foi Antônio Raymundo Lucena que era membro da VPR ( Vanguarda Popular Revolucionária) .Era membro do PCB (Partido Comunista Brasileiro).

      Participou do roubo de 10 caixas de dinamite em Cajamar (Grande São Paulo), no dia 30 de dezembro de 1967.

      O irmão da ilustríssima senhora, Ariston, além de também integrar a VPR participou da Guerrilha do Vale do Ribeira.

      Hoje esta senhora recebe do nosso dinheiro uma bolsa ditadura pelo simples fato de seu criminoso pai, guerrilheiro comunista ter sido assassinado pelos militares.

  8. Meus DEUS cada dia me sinto mais boquiaberto, antes imagina que os fundamentalistas fossem só homofóbicos e racistas, mas são estupradores vocês tem mãe, mulher e filhas?

    esqueci, mulher na igreja nem deveria falar, e com isso com certeza deveria ser estuprada e ficar quietinha.

    • André,

      Fundamentalistas existem em qualquer lugar, uns mais outro menos fundamentalistas, essa é a diferença.

      Tais pessoas costumam se manifestar mais ainda quando tem seus supostos interesses e ou direitos contrariados.

      Por isso sou contra a qualquer tentativa de impor à força qualquer tipo de idelogia.

      Foi isso que o catolicismo fez, foi isso que o comunismo fez, foi isso que os militares também fizeram.

      Nenhum deles está certo.

      Mas já que houve depoimentos tão bons citados abaixo, seria bom a gente trazer os depoimentos dados pelos que viveram no regime capitalista, os que enfrentaram as torturas católicas, do regime capitalista(vinhas da Ira…)

      Acho engraçado que alguns sabiam do que poderiam enfrentar, mas mesmo assim quiseram implantar o comunismo no Brasil. Mas também há os que foram confundidos, em que contra eles foram praticadas atrocidades,

      Vejo agora ao mesmo modo e jeito ou algo parecido com os movimentos levados avantes pelos ateus e dos que defendem a causa gay, pois estão acertando em cheio todos os evangélicos, e sorrateiramente deixando de lado a igreja católica. De pasmar, pois não são intransigentes tanto assim com os católicos, esquecendo que são os países de matriz evangélica que mais avançaram nas mais diversas pautas, e tudo à base do diálogo e convencimento.

  9. Mais da senhora Maria do Rosário

    Recentemente envolvida em nova polêmica com o histriônico Jair Bolsonaro, a deputada petista Maria do Rosário está entre os nomes da lista de doações de campanha da Engevix apreendida pela PF na sede da empreiteira, em São Paulo.

    A prestação de contas de Maria do Rosário ao TSE confirma as boas intenções da Engevix. Apesar de um provável erro de digitação ter grafado “Engemix Engenharia S/A” na lista de doadores da deputada, o CNPJ informado confirma que foi mesmo a empresa do encrencado Gerson Almada a autora de uma doação de 145 000 reais à campanha da petista.

    As doações de empreiteiras implicadas na Lava-Jato a Maria do Rosário não param por aí. A Queiroz Galvão doou 37 500 reais à deputada e a Andrade Gutierrez contribuiu com 33 250 reais.

    Como se vê, Maria do Rosário tem afinidade com os Direitos Humanos e com os das empreiteiras…

    A propósito, Bolsonaro não recebeu qualquer doação de empreiteiros;

    Por Lauro Jardim

  10. Mais da senhora Maria do Rosário

    Recentemente envolvida em nova polêmica com o histriônico Jair Bolsonaro, a dep. petista Maria do Rosário está entre os nomes da lista de doações de campanha da Engevix apreendida pela PF na sede da empreiteira, em São Paulo.

    A prestação de contas de Maria do Rosário ao TSE confirma as boas intenções da Engevix. Apesar de um provável erro de digitação ter grafado “Engemix Engenharia S/A” na lista de doadores da dep., o CNPJ informado confirma que foi mesmo a empresa do encrencado Gerson Almada a autora de uma doação de 145 000 reais à campanha da petista.

    As doações de empreiteiras implicadas na Lava-Jato a Maria do Rosário não param por aí. A Queiroz Galvão doou 37 500 reais à dep. e a Andrade Gutierrez contribuiu com 33 250 reais.

    Como se vê, Maria do Rosário tem afinidade com os Direitos Humanos e com os das empreiteiras…

    A propósito, Bolsonaro não recebeu qualquer doação de empreiteiros;

    Por Lauro Jardim

  11. Che Guevara estuprou sua empregada na frente de quatro amigos em sua casa durante uma reunião;
    (Silêncio de todos da esquerda que o enxergam como herói)

    -> Asessor de Gleise Hoffman foi acusado por estupro e pedofilia;
    ( Silêncio dos esquerda, lgbt´s, movimentos sociais )

    > Lula falou que tentou estuprar um colega de prisão na cadeia;
    ( Silêncio da esquerda, lgbt´s, movimentos sociais )

    -> Paulo Ghiraldelli falou que Rachel Sheherazad deveria ser estuprada;
    (Silêncio da esquerda, lgbt´s, movimentos sociais)

    -> O Isis grupo radical islâmico foi acusado de estuprarem mulheres no oriente médio;
    ( Silêncio da esquerda, lgbt´s, movimentos sociais )

    -> Maria do Rosário defendeu penas mais brandas pra estupradores;
    ( Silêncio da esquerda, lgbt´s, movimentos sociais )

    -> Bolsonaro é acusado de estuprador e se defende com ironia dizendo: “Não te estupro por que você não merece”;

    Ataque de pelanca da esquerda que estupra o país todos os dias e a anos conforme relatam os principais jornais do país..

  12. Quando escuto brasileiros fazendo manifestação pela volta da ditadura, penso que eles não podem saber o que estão dizendo. Quem sabe, não diz. Mas esse primeiro pensamento é uma mistura de arrogância e de ingenuidade. O mais provável é que uma parte significativa desses homens e mulheres que têm se manifestado nas ruas desde o final das eleições, orgulhosos de sua falta de pudor, peçam a volta dos militares ao poder exatamente porque sabem o que dizem. Mas talvez seja preciso manter não a arrogância, mas a ingenuidade de acreditar que não sabem, porque quem sabe não diria, não poderia dizer. Não seria capaz, não ousaria. É para estes, os que desconhecem o seu dizer, estes, que talvez nem existam, que amplio aqui a voz das crianças torturadas, de várias maneiras, pela ditadura.

    Crianças. Torturadas. De várias maneiras.

    Botavam meu pai no pau de arara e, para o fazerem falar, simulavam me torturar com uma corda. Eu tinha dois anos

    Como Ernesto Carlos Dias do Nascimento. Ele tinha dois anos e três meses. Foi considerado terrorista, “Elemento Menor Subversivo”, banido do país por decreto presidencial. Foi preso em 18 de maio de 1970, em São Paulo, com sua mãe, Jovelina Tonello do Nascimento. O pai, Manoel Dias do Nascimento, militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização comandada por Carlos Lamarca, havia sido preso horas antes. Ernesto é quem conta:

    “Me levaram diversas vezes às sessões de tortura para ver meu pai preso no pau de arara. Para o fazerem falar, simulavam me torturar, com uma corda, na sala ao lado, separados apenas por um biombo”.

    O menino de dois anos dizia: “Não pode bater no papai. Não pode”.

    E batiam.

    Libertado quase um mês depois, passou os primeiros anos com pavor de policiais de farda e grupos com mais de quatro pessoas. Entrava em pânico, escondia-se debaixo da cama ou dentro do armário, mordia quem se aproximava e urinava nas calças. Ernesto foi uma criança com pesadelos recorrentes. O mais comum era com um asno, uma corda e uma agulha. “O asno usava um boné militar, a agulha tinha olhos arregalados e uma risada aguda sarcástica e corria atrás de mim, eu apavorado tentava fugir. O asno me cercava, me dava coices ou chutava coisas sobre mim. A corda parecia boazinha, disfarçada de linha se estendia até mim, mas quando eu a segurava ela machucava minhas mãos e me deixava cair em um abismo.”

    Perto do parto, o líquido amniótico descia pelas minhas pernas e as baratas me atacavam em bandos. Eu gritava na cela”

    Ernesto é um dos 44 adultos torturados na infância – física e psicologicamente, mas também de outras maneiras – que contam sua história em um livro lançado em novembro pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”. Infância roubada – crianças atingidas pela Ditadura Militar no Brasil é a memória do inominável que precisa ser nomeado para que cada um deles possa viver, para que o crime de Estado não se repita. A maioria dos depoimentos foi registrada em audiências na Comissão da Verdade de São Paulo. Algumas pessoas, que não puderam comparecer ou não conseguiam falar sobre o assunto, foram entrevistadas depois.

    O que dizer sobre crianças torturadas pelo Estado? E torturadas ontem, em parâmetros históricos, bem aqui? Os relatos desse livro são alheios aos adjetivos. São silêncios que falam. E soluçam. Como João Carlos Schmidt de Almeida Grabois, o Joca, antes mesmo de nascer. Ele estava na barriga da mãe, Crimeia, quando ela levou choques elétricos, foi espancada em diversas partes do corpo e agredida a socos no rosto. Enquanto ela era assim brutalizada, os agentes da repressão ameaçavam sequestrar seu bebê tão logo nascesse. Quando os carcereiros pegavam as chaves para abrir a porta da cela e levar Crimeia à sala de tortura, o bebê começou a soluçar dentro da barriga. Joca nasceu na prisão e, anos depois, já crescido, quando ouvia o barulho de chaves, voltava a soluçar. A marca da ditadura nele é um soluço.

    Torturado por agentes da repressão ainda bebê, ele nunca se libertou do pavor. Suicidou-se aos 40 anos

    Perto da hora do parto, em vez de levarem Crimeia para a enfermaria, a colocaram numa cela cheia de baratas. Como o líquido amniótico escorria pelas pernas, elas a atacavam em bandos. Isso durou quase um dia inteiro. Só no fim da tarde, com outros presos gritando junto com ela, a levaram para o hospital. O obstetra disse que, como não estava de plantão, só faria a cesariana no dia seguinte. Crimeia alertou que seu filho poderia morrer. O médico respondeu: “É melhor! Um comunista a menos”. O pai de Joca foi assassinado pelo regime militar meses depois de o menino nascer. A primeira vez que ele viu o rosto do pai foi aos 18 anos, numa foto nos arquivos do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) de São Paulo.

    Carlos Alexandre Azevedo, o Cacá, não suportou a lembrança. Talvez porque ele nunca pôde transformá-la em memória. Era nele algo vivo e sem palavras, um silêncio que não conseguia se dizer. E um silêncio que não consegue se dizer é um pavor. Ele tinha um ano e oito meses quando sua casa foi invadida por policiais do DOPS/SP, em janeiro de 1974. Como começou a chorar, os policiais deram-lhe um soco na boca que de imediato sangrou. Passou mais de 15 horas em poder da repressão, nas mãos de funcionários do Estado, enquanto lá fora gente demais vivia suas vidas fingindo que nada acontecia. Seus pais ouviram relatos de que nesse período o menino, pouco mais que um bebê, teria levado choques elétricos. Cacá se matou aos 40 anos, em 2013. Seu pai diria: “Ele ficou apavorado. E esse pavor tomou conta dele. Entendo que a morte dele foi o limite da angústia”.

    Testemunhei o assassinato do meu pai. Não posso nem quero esquecer, porque

    a única lembrança que tenho dele é a da sua morte

    Ângela Telma de Oliveira Lucena escolheu lembrar. Tinha três anos e meio quando executaram o pai diante dela. Ângela diz:

    “Eu lembro como ele estava vestido. Eu lembro exatamente como tudo se desenrolou naquele dia. Eu estava no colo da minha mãe, e quando fui crescendo, durante muitos anos ficava pensando se tinha sonhado aquilo ou se era realmente um fato que tinha ocorrido. Eu vivia um conflito entre apagar, riscar aquilo da minha vida, mas, ao mesmo tempo, sabia que, se fizesse isso, estaria riscando a história da minha família. (…) As pessoas sempre colocam em dúvida se eu realmente consigo lembrar da morte do meu pai. (…) Eu gostaria muito de poder apagar esse momento do assassinato do meu pai da minha vida. Mas eu não posso, eu não quero e eu não consigo. Porque a única memória que tenho do meu pai é exatamente o momento da sua morte”.

    Houve Paulo Fonteles Filho, cujo parto da mãe foi uma tortura iniciada por policiais, completada pelo médico. Aos cinco meses de gestação, Hecilda era espancada com socos e pontapés, aos gritos de: “Filho dessa raça não deve nascer”. Era mantida acordada a noite inteira com uma luz forte no rosto, no que se chamava de “tortura dos refletores”. Depois, sentada numa cadeira, os fios subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios, causando calor, frio, asfixia. Mais tarde, foi colocada numa cela cheia de baratas. Ela já não conseguia ficar nem em pé nem sentada. Como não tinha colchão, deitou-se no chão. As baratas começaram a roê-la. Ela só conseguiu tirar o sutiã e tapar a boca e os ouvidos. Levaram-na então para o Hospital da Guarnição do Exército, em Brasília. Ela lembra da irritação extrema do médico, que induziu o parto e fez o corte sem anestesia. Hecilda não chorou. Ela conta no livro Luta, Substantivo Feminino: Mulheres Torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura, publicado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos: “Depois disso ficavam dizendo que eu era fria, sem emoção, sem sentimentos. Todos queriam ver quem era a ‘fera’ que estava ali”. Assim é contado o nascimento de Paulo, assim é como ele começa a se contar. Nascido entre feras – nenhuma delas a sua mãe. Nascido entre humanos, os mais brutais entre as feras.

  13. Está declarado pelo próprio “CLAMANDO” ,o cujo foi um torturador da ditadura deve ser um velhinho fanático e doente mental, pelas “pérolas do mal” que a criatura destila, aqui, deve ter participado, da morte de grávidas, e todo tipo de atrocidade, depois se convenceu do evangelho, digo se convenceu porque fundamentalista não se converte se convence e está a raiz da raiz maligna do fundamentalismo evangélico.
    Vai se tratar clamando.

    • Acorda Brasil,

      O deputado Bolsonaro a muito tempo denuncia o envolvimento da Presidente Dilma com crimes: Marido sequestrador de avião, roubos, assassinatos, etc.
      É o único com corragem para falar do passado da Dilma de forma aberta e pública.

      Demorou para inventarem algo contra ele.

      Se fosse desonesto já o teriam subornado.

      Os bolivarianos não suportam nem igualdade nem liberdade. Querem o controle de tudo e todos, para assumir o poder absoluto, doa a quem doer. Usam o que for necessário: mentiras, roubos, ameaça de morte, com fizeram com o presidente do supremo “Joaquim Barbosa” e ai vai.

      Acorda Brasil.

  14. Choques elétricos, pau de arara, violência sexual e animais vivos foram usados para
    aterrorizar vítimas

    por Mariana Sanches
    10/12/2014 10:59 / Atualizado 10/12/2014 13:16
    Pelo menos 22 pessoas morreram na Casa da Morte, em Petrópolis, durante a Ditadura Militar – Arquivo/Custódio Coimbra / Agência O Globo

    SÃO PAULO — A caixa era quadrada, com cerca de 1,5m de altura, forrada por isolamento acústico. Dentro dela, as temperaturas variavam entre um calor absurdo e um frio congelante em poucos segundos. Luzes piscavam em ritmo frenético. E sons estridentes ameaçavam romper os tímpanos de quem estava ali dentro. Foi nessa pequena estrutura que alguns presos políticos do período da ditadura ficaram confinados por alguns dias, sem qualquer comunicação, água ou comida, impossibilitados sequer de esticar as pernas. De acordo com o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, a caixa, vinda da Inglaterra, ficava na antiga sede do DOI no Rio de Janeiro. Pelo menos duas vítimas reconheceram à CNV o local onde o objeto, chamado de “geladeira”, ficava guardado.

    Além da “geladeira”, pelo menos mais trinta formas de tortura foram inventariadas pela Comissão Nacional da Verdade. A lista inclui violências já conhecidas, como a aplicação de choques elétricos e palmatórias, cadeira do dragão (assento que dava choque), “pau de arara”, afogamento, telefone (tapas nos dois ouvidos ao mesmo tempo) sufocamento e espancamentos. Muitas vezes eram combinados vários deles, como relatou Antônio Pinheiro Salles, em depoimento em de setembro de 2013, à CNV:

    “Este Nilo Oliveira (torturador), muitas vezes quando eu estava pendurado no pau de arara, foi inúmeras vezes chegar em cima de mim, lá no local onde o meu pescoço estava caído, abria a calça, tirava o pênis e urinava na minha cara. Ele fez isso várias vezes. ‘Eu estou com vontade de urinar, vou urinar aqui nesta latrina.’ Pegava e urinava.”, contou Salles ao detalhar sua situação durante a tortura:

    “A gente fica com a cabeça para baixo, pois durante um tempo você resiste, fica com a cabeça ainda levantada, depois de algum tempo você não exerce mais nenhum domínio sobre o corpo. É tudo assim, amortecido. O resto está amarrado, mas o pescoço, ele cai”.
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    Há ainda formas de tortura menos conhecidas. Os militares lançaram mão de animais vivos para aterrorizar suas vítimas. Cachorros, cobras, ratos, jacarés e baratas eram lançados contra os torturados, ou até mesmo colocados dentro de seus corpos. É o que relata a cineasta Lucia Murat em depoimento à CNV: “Eles estavam histéricos, eles sabiam que precisavam extrair alguma coisa em 48 horas, se não perderiam o meu contato. Gritavam, me xingavam, me puseram de novo no pau de arara. Mais espancamento, mais choque, mais água e dessa vez entraram as baratas. Puseram baratas passeando pelo meu corpo, colocaram uma barata na minha vagina. Hoje parece loucura, mas um dos torturadores, de nome de guerra Gugu, tinha uma caixa onde ele guardava as baratas amarradas por barbantes e através do barbante ele conseguia manipular as baratas pelo meu corpo”, relatou.

    Outro objeto de tortura citado é chamado de coroa de cristo. Consistia em um fita de aço colocada ao redor do crânio e apertada por uma tarraxa. O instrumento, apertado em excesso, teria provocado a morte da famosa militante Iara Iavelberg por esmagamento do crânio. O relatório menciona também a aplicação de injeções subcutâneas de éter, que provocavam o necrosamento dos tecidos, queimaduras por cigarro e outras mais.

    A CNV dedicou um capítulo específico do relatório à violência sexual aplicada especialmente contra as mulheres. Estupros e violações eram práticas sistemáticas do regime e configuram, na avaliação da CNV, crime contra a humanidade. Comumente as presas sofriam choques nos mamilos, na vagina e no ânus. Traços de feminilidade e maternidade eram frequentemente ridicularizados e usados para humilhar as vítimas. Um exemplo é o de Karen Keilt, levada com o marido para o Departamento Estadual de Investigações Criminais de São Paulo (DEIC-SP), maio de 1976. Ambos só foram libertados no início de julho, após o pagamento de um “resgate” de 400 mil dólares, segundo a CNV. Karen vive hoje nos Estados Unidos. À CNV, em testemunho inédito, ela contou:

    “Começaram a me bater. Eles me colocaram no pau de arara. Eles me amarraram. Eles me deram batidas, deram choque. Eles começaram dando choque no peito, no mamilo. Eu desmaiei. Eu comecei a sangrar. Da boca. Sangrava de tudo quanto era lugar. Da vagina, sangrava. Nariz, boca… E eu estava muito, muito mal. Veio um dos guardas e me levou para o fundo das celas e me violou. Ele falou que eu era rica, mas eu tinha a b***** igual a de qualquer outra mulher. Ele era horrível [choro]. Oh God! [choro]”

    Parte dos relatos que fundamentam as denúncias da CNV, no entanto, não são inéditos e foram reciclados de trabalhos feitos pela Anistia Internacional e pelo Brasil: Nunca Mais. Integrantes da CNV afirmam que a investigação poderia ter ouvido muito mais vítimas para embasar as denúncias e fortalecer politicamente os resultados obtidos. Ainda assim, o relatório tem o mérito de trazer novidades e reunir informações já conhecidas.

    A Comissão dá ainda um passo a frente ao responsabilizar o Estado por oito suicídios cometidos por ex-presos políticos. Alguns se mataram no exílio, outros no período democrático. Na interpretação dos comissionados, as mortes foram provocadas pelas torturas e violências sofridas na época da ditadura. Para as vítimas, teria sido penoso demais viver carregando consigo aquelas lembranças. O relatório tenta transformar essas lembranças pessoais tão doloridas em memória coletiva do país.

    Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/relatorio-da-comissao-da-verdade-relata-30-tipos-de-tortura-por-militares-14789552#ixzz3LhSWDHoD
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  15. Choques elétricos, pau de arara, violência sexual e animais vivos foram usados para
    aterrorizar vítimas

    por Mariana Sanches
    10/12/2014 10:59 / Atualizado 10/12/2014 13:16

    Pelo menos 22 pessoas morreram na Casa da Morte, em Petrópolis, durante a Ditadura Militar – Arquivo/Custódio Coimbra / Agência O Globo

    SÃO PAULO — A caixa era quadrada, com cerca de 1,5m de altura, forrada por isolamento acústico. Dentro dela, as temperaturas variavam entre um calor absurdo e um frio congelante em poucos segundos. Luzes piscavam em ritmo frenético. E sons estridentes ameaçavam romper os tímpanos de quem estava ali dentro. Foi nessa pequena estrutura que alguns presos políticos do período da ditadura ficaram confinados por alguns dias, sem qualquer comunicação, água ou comida, impossibilitados sequer de esticar as pernas. De acordo com o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, a caixa, vinda da Inglaterra, ficava na antiga sede do DOI no Rio de Janeiro. Pelo menos duas vítimas reconheceram à CNV o local onde o objeto, chamado de “geladeira”, ficava guardado.

    Além da “geladeira”, pelo menos mais trinta formas de tortura foram inventariadas pela Comissão Nacional da Verdade. A lista inclui violências já conhecidas, como a aplicação de choques elétricos e palmatórias, cadeira do dragão (assento que dava choque), “pau de arara”, afogamento, telefone (tapas nos dois ouvidos ao mesmo tempo) sufocamento e espancamentos. Muitas vezes eram combinados vários deles, como relatou Antônio Pinheiro Salles, em depoimento em de setembro de 2013, à CNV:

    “Este Nilo Oliveira (torturador), muitas vezes quando eu estava pendurado no pau de arara, foi inúmeras vezes chegar em cima de mim, lá no local onde o meu pescoço estava caído, abria a calça, tirava o pênis e urinava na minha cara. Ele fez isso várias vezes. ‘Eu estou com vontade de urinar, vou urinar aqui nesta latrina.’ Pegava e urinava.”, contou Salles ao detalhar sua situação durante a tortura:

    “A gente fica com a cabeça para baixo, pois durante um tempo você resiste, fica com a cabeça ainda levantada, depois de algum tempo você não exerce mais nenhum domínio sobre o corpo. É tudo assim, amortecido. O resto está amarrado, mas o pescoço, ele cai”.
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    Militares brasileiros tiveram aula em instituto americano sobre como praticar tortura
    Comissão da Verdade lista 434 nomes de vítimas na ditadura, mas conclui que número é maior
    Dilma chora na entrega do relatório final da Comissão Nacional da Verdade
    Relatório final da Comissão da Verdade pede revogação parcial da Lei da Anistia e responsabiliza ex-presidentes

    Há ainda formas de tortura menos conhecidas. Os militares lançaram mão de animais vivos para aterrorizar suas vítimas. Cachorros, cobras, ratos, jacarés e baratas eram lançados contra os torturados, ou até mesmo colocados dentro de seus corpos. É o que relata a cineasta Lucia Murat em depoimento à CNV: “Eles estavam histéricos, eles sabiam que precisavam extrair alguma coisa em 48 horas, se não perderiam o meu contato. Gritavam, me xingavam, me puseram de novo no pau de arara. Mais espancamento, mais choque, mais água e dessa vez entraram as baratas. Puseram baratas passeando pelo meu corpo, colocaram uma barata na minha vagina. Hoje parece loucura, mas um dos torturadores, de nome de guerra Gugu, tinha uma caixa onde ele guardava as baratas amarradas por barbantes e através do barbante ele conseguia manipular as baratas pelo meu corpo”, relatou.

    Outro objeto de tortura citado é chamado de coroa de cristo. Consistia em um fita de aço colocada ao redor do crânio e apertada por uma tarraxa. O instrumento, apertado em excesso, teria provocado a morte da famosa militante Iara Iavelberg por esmagamento do crânio. O relatório menciona também a aplicação de injeções subcutâneas de éter, que provocavam o necrosamento dos tecidos, queimaduras por cigarro e outras mais.

    A CNV dedicou um capítulo específico do relatório à violência sexual aplicada especialmente contra as mulheres. Estupros e violações eram práticas sistemáticas do regime e configuram, na avaliação da CNV, crime contra a humanidade. Comumente as presas sofriam choques nos mamilos, na vagina e no ânus. Traços de feminilidade e maternidade eram frequentemente ridicularizados e usados para humilhar as vítimas. Um exemplo é o de Karen Keilt, levada com o marido para o Departamento Estadual de Investigações Criminais de São Paulo (DEIC-SP), maio de 1976. Ambos só foram libertados no início de julho, após o pagamento de um “resgate” de 400 mil dólares, segundo a CNV. Karen vive hoje nos Estados Unidos. À CNV, em testemunho inédito, ela contou:

    “Começaram a me bater. Eles me colocaram no pau de arara. Eles me amarraram. Eles me deram batidas, deram choque. Eles começaram dando choque no peito, no mamilo. Eu desmaiei. Eu comecei a sangrar. Da boca. Sangrava de tudo quanto era lugar. Da vagina, sangrava. Nariz, boca… E eu estava muito, muito mal. Veio um dos guardas e me levou para o fundo das celas e me violou. Ele falou que eu era rica, mas eu tinha a b***** igual a de qualquer outra mulher. Ele era horrível [choro]. Oh God! [choro]”

    Parte dos relatos que fundamentam as denúncias da CNV, no entanto, não são inéditos e foram reciclados de trabalhos feitos pela Anistia Internacional e pelo Brasil: Nunca Mais. Integrantes da CNV afirmam que a investigação poderia ter ouvido muito mais vítimas para embasar as denúncias e fortalecer politicamente os resultados obtidos. Ainda assim, o relatório tem o mérito de trazer novidades e reunir informações já conhecidas.

    A Comissão dá ainda um passo a frente ao responsabilizar o Estado por oito suicídios cometidos por ex-presos políticos. Alguns se mataram no exílio, outros no período democrático. Na interpretação dos comissionados, as mortes foram provocadas pelas torturas e violências sofridas na época da ditadura. Para as vítimas, teria sido penoso demais viver carregando consigo aquelas lembranças. O relatório tenta transformar essas lembranças pessoais tão doloridas em memória coletiva do país.

    Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/relatorio-da-comissao-da-verdade-relata-30-tipos-de-tortura-por-militares-14789552#ixzz3LhSWDHoD
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  16. Tem muita gente substituindo história do Brasil por rede bobo de televisão, aí fica difícil…
    Acho que devemos evitar críticas generalizadoras a essa ou aquela religião, pois todas tem dentro de si mesma, pensamento libertador e escravizador, pessoas que tiveram e ainda tem coragem de dar a própria vida e pessoas que olham o tempo todo para o próprio umbigo. Infelizmente na igreja católica, apesar do exemplo do papa Francisco, vejo um aumento do individualismo, do preconceito e um encolhimento do amor ao próximo. Antes que algum colega católico se sinta ofendido, gostaria de deixar claro que é uma percepção minha, enquanto católica. E isso não nos faz nem melhor nem pior que qualquer outra religião ou seita, pois não existe nenhuma perfeita. O que há é uma busca de viver melhor e mais de acordo com aquilo que cada um entende como a vontade de Deus.

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