Junto & Misturado, da Globo, faz piadas com a crucificação de Jesus e a igreja Bola de Neve e causa polêmica

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O humorístico Junto & Misturado, da TV Globo, usou um bloco da edição do último domingo, 08 de dezembro, para fazer piadas sobre a religião, e entre as tradições citadas, estava a evangélica.

O tema era a fé em geral, e a discussão começa quando uma das personagens do quadro revela que encomendou um despacho, termo usado para descrever rituais de religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé.

Entre as sacadas de humor, Jesus aparece como alvo da piada dos humoristas Bruno Mazzeo, Luís Miranda, Gabriela Duarte, Heloísa Perissé – que é evangélica -, entre outros.

As piadas variavam conforme as esquetes, mas elementos cristãos foram citados sempre tendo um símbolo da fé como motivação para a zombaria, como uma suposta reunião de Jesus com assessores discutindo o marketing da crucificação, ou a imagem da “virgem” na infiltração de um apartamento.


A Bola de Neve Church foi citada indiretamente com uma menção sobre o culto do surf e imagens e frases que remetiam à denominação liderada pelo apóstolo Rina.

Os vídeos da esquete com a Bola de Neve e a discussão de marketing entre Jesus e seus assessores foram retirados do site do programa no portal da Globo.com, mas a íntegra da edição de domingo ainda permanece na página, disponível apenas para assinantes.

Por Tiago Chagas, para o Gospel+

8 COMENTÁRIOS

  1. Casualmente assisti tal programa e, graças a Deus, as esquetes em questão me causaram náuseas! Agora lendo a presente publicação, me veio a mente um trecho da Palavra que passo a reproduzir, e que por si só, diz tudo o que Deus pensa a respeito de tais zombarias:

    22 Até quando, ó simples, amareis a simplicidade? E vós escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós insensatos, odiareis o conhecimento?
    23 Atentai para a minha repreensão; pois eis que vos derramarei abundantemente do meu espírito e vos farei saber as minhas palavras.
    24 Entretanto, porque eu clamei e recusastes; e estendi a minha mão e não houve quem desse atenção,
    25 Antes rejeitastes todo o meu conselho, e não quisestes a minha repreensão,
    26 Também de minha parte eu me rirei na vossa perdição e zombarei, em vindo o vosso temor.
    27 Vindo o vosso temor como a assolação, e vindo a vossa perdição como uma tormenta, sobrevirá a vós aperto e angústia.
    28 Então clamarão a mim, mas eu não responderei; de madrugada me buscarão, porém não me acharão.
    29 Porquanto odiaram o conhecimento; e não preferiram o temor do Senhor:
    30 Não aceitaram o meu conselho, e desprezaram toda a minha repreensão.
    31 Portanto comerão do fruto do seu caminho, e fartar-se-ão dos seus próprios conselhos.
    32 Porque o erro dos simples os matará, e o desvario dos insensatos os destruirá.
    33 Mas o que me der ouvidos habitará em segurança, e estará livre do temor do mal.
    (…como diz um adágio popular, “…quem ri por último, ri melhor…”)

  2. nem a Globo, e nem a Record prestam. o mundo jaz no maligno, e infelizmente, ninguém entra pra competir no “show business” sem se vender.. e a galera vai ao delírio com umas migalhas de personagem evangélico, de minissérie bíblica etc..,

  3. A Globo vê os”evangélicos”,como mercadorias nada mais.
    Não esperem respeito.
    Só pelo consumidor.
    Mais venhamos e convenhamos.
    Mais” igreja bola de neve”,que nome é este?
    Digno de zombaria.

    • Vai entender o significado. Deus usa as coisas loucas desse mundo para confundir os sábios. Se não fosse essa igreja eu e muitas milhares de pessoas não seriam libertas das drogas e da prostituição. Vai conhecer depois vc fala.

  4. Não está correto a palavra virgem entre aspas, quando se refere a mãoe de Jesus.
    1) Introdução

    Jesus não é filho de José.

    Leiamos a genealogia de Jesus em Mat 1, 1-17: “… Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus chamado Cristo…”.

    Comentário: Não é mencionado que José gerou Jesus.

    Leiamos a genealogia de Jesus em Luc 3, 23-37: “Ao iniciar o ministério, Jesus tinha mais ou menos trinta anos e era, conforme se supunha, filho de José, filho de Eli…”

    Comentário: O texto sagrado não afirma que Jesus era filho de José, mas que conforme o povo supunha ele era tido como filho de José.

    Leiamos Mat 1, 18-20: “A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, comprometida em casamento com José, antes de coabitarem, ela concebeu por obra do Espírito Santo. José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo. Enquanto assim decidia, eis que o anjo do senhor manifestou-se a ele em sonho, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo”.

    Comentário: se José fosse o pai do filho de Maria, por que ele estava pensando em abandoná-la, se Maria já estava prometida em casamento a ele, isto é, já estava noiva dele, e se os filhos neste período eram considerados legítimos?

    Maria teve outros filhos?

    O Novo Testamento não conhece outros filhos de Maria e nem de José. Nunca em nenhuma passagem do novo testamento, ninguém é chamado filho de Maria a não ser Jesus. Nunca em nenhum texto do novo testamento, de ninguém Maria é chamada mãe, a não ser de Jesus (cf. Joa 19, 25).

    1) Maria virgem antes do parto, no parto e depois do parto.

    1.1) Maria virgem antes do parto:

    Luc 1, 34: “Maria, porém, disse ao anjo: como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?”.

    Comentário: conforme as palavras de Maria, até aquele momento, ela era virgem e, ao que parece, não tinha planos em vista de mudar aquela sua realidade.

    Nota: alguns teólogos católicos julgam que Maria havia feito propósito de virgindade consagrada à Deus. Isa 7, 14: “Pois sabei que o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a jovem concebeu e dará à luz um filho e pôr-lhe-á o nome de Emanuel”.

    Comentário: a palavra hebraica Almah significa a jovem na flor de seus anos, o que não dá alusão direta à virgindade, mas a tradição judaica entendeu almah, no sentido virgem. Os tradutores da bíblia, em Alexandria, para o grego, no século III a.C., usaram o termo Aieparthénos (virgem) em lugar de Almah. São Mateus em seu evangelho (Mat 1, 23) utilizou a profecia de Isaías em sua forma grega: Aieparthénos, ou virgem Maria, e seu filho Emanuel, Deus conosco. Assim a própria escritura explica a escritura.

    1.2) Maria virgem no parto:

    Joa 1, 12-13: “Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que crêem em seu nome, ele, que não foi gerado nem do sangue, nem de uma vontade da carne, nem de uma vontade do homem, mas de Deus”.

    Luc 2, 7: “E ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o com faixas e reclinou-o numa manjedoura…”.

    Comentário: Tais dizeres insinuam a ausência das dores e da prostração que costumam acompanhar todo parto. A tradição, aliás, repetiu freqüentemente que Maria deu a luz sem dor, intencionando professar a maternidade virginal de Maria, pois ela nasceu sem a mancha do pecado original.

    Joa 20, 19: “À tarde desse mesmo dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas onde se achavam os discípulos, por medo dos judeus, Jesus veio e, pondo-se no meio deles, lhes disse: a paz esteja convosco!”.

    Comentário: assim como Jesus transpôs as portas, ou paredes, do local onde os apóstolos se achavam reunidos, assim também, Jesus, pelo poder do Espírito Santo, transpôs o seio da virgem Maria e nasceu no meio dos homens.

    1.3) Maria virgem depois do parto – o Filho único:

    Há sete textos no Novo Testamento que mencionam “Os Irmãos de Jesus”, no entanto o mais expressivo é o de Mar 6, 3: “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E as suas irmãs não estão aqui entre nós?”.

    Leia também: Mat 13, 55s; Mar 3, 31-35; Mat 12, 46-50; Luc 8, 19-21; Joa 2, 12; Joa 7, 2-10; Ato 1, 14; Gál 1, 19 e 1 Cor 9, 5.

    Vejamos então, qual o verdadeiro sentido do grau de
    parentesco entre esses “Irmãos” e Jesus

    A expressão “Irmãos de Jesus” foi concebida originariamente não em ambiente grego, mas no mundo Semita. Os habitantes de Nazaré, por exemplo, não falavam grego, mas aramaico. É preciso, portanto, que procuremos avaliar o sentido da palavra “irmão” em aramaico. Ora, em aramaico, assim como em hebraico (línguas afins entre si), a palavra “Irmãos” Ah, em hebraico e Aha, em Aramaico, designava não somente os filhos dos mesmos genitores, mas também, os primos ou até parentes mais remotos, pois estas línguas eram pobres em vocabulário.

    No antigo testamento, vinte passagens atestam o amplo significado da palavra “Irmão”, vejamos alguns exemplos:

    Leiamos Gên 11, 27: “Eis a descendência de Taré: Taré gerou Abrão, Nacor e Arã. Arã gerou Ló”.;
    Leiamos Gên 12, 5: “Abrão tomou sua mulher Sarai, seu sobrinho Ló,…”;
    Agora leiamos Gên 13, 8: “Abrão disse a Ló: que não haja discórdia entre mim e ti, entre meus pastores e os teus, pois somos irmãos”. (Leia também Gên 14, 12.14.16).

    Leiamos 1 Cro 23, 21-22: “Filhos de Merari: Mooli e Musi. Filhos de Mooli: Eleazar e Cis. Eleazar morreu sem ter filhos, mas teve filhas que foram desposadas pelos filhos de Cis, seus irmãos”.

    Leiamos Tb 8, 9: Aconselhado pelo Arcanjo Rafael a casar-se com Sara, filha única de Raguel e de Ana, parentes próximos de seu pai, Tobias assim rezou a Deus: “Senhor, sabeis que não é por motivo de luxúria que recebo por mulher esta minha irmã”.

    Outros exemplos: Gn 12, 8-14; Gn 29, 12.15; Gn 31, 23; Gn 37, 16; Gn 39, 15; Gn 42, 15; Gn 43, 5; 1 Cro 15, 5; 2 Cro 36, 10; 2 Reis 10, 13;1 Sam 20, 29; Lv 10, 4; Jó 19, 13-14; Jó 42, 11.

    Comentário: Vale esclarecer que na tradução grega foi usado o termo “Adelphós” irmãos, apesar do grego ter a palavra primo, em virtude da língua de pregação de Jesus ser o hebraico e o aramaico, que não tinha palavra própria para dizer primo. Com base nesta verificação, não teremos dificuldade de compreender que os “Irmãos de Jesus” eram, na verdade, primos de Jesus. Ora, é sabido que entre os orientais, os parentes mais próximos eram chamados de irmãos, como até hoje se dá em alguns países notadamente a Índia, onde em alguns idiomas locais não há palavras para designar “primo” Vejamos as pistas que alguns textos do evangelho nos dão:

    Mat 27, 55-56: “Estavam ali muitas mulheres olhando de longe. Haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia a servi-lo. Entre elas Maria madalena, Maria, mãe de Tiago e de José e a mãe dos filhos de Zebedeu”. (Confira Mar 15, 40).

    Comentário: essa Maria, mãe de Tiago e de José, não é a esposa de José, mas de Clopas (ou Cléofas, ou Alfeu), conforme Joa 19, 25: “Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena”.

    Para melhor compreensão vejamos seguintes:

    Filhos de Eli (Luc 3,23): José (pai adotivo de Jesus) e Clopas (ou Alfeu ou Cléofas). José (pai adotivo de Jesus) casou-se com Maria, mãe de Jesus. Clopas casou-se com uma mulher também chamada Maria (denominada Maria de Clopas). Dessa união, nasceram os seguintes filhos: Tiago (menor); José; Judas (não é o Iscariotes); Simão (não é Simão Pedro).

    Pois bem, os nomes de Clopas (ou Alfeu ou Cléofas) designam em grego a mesma pessoa, pois são formas gregas do nome aramaico Claphai. O mais antigo historiador da Igreja, Hegesipo (180 d.C. – Memórias) conta-nos que Clopas (ou Alfeu ou Cléofas) era irmão de São José.

    É muito comum nas Escrituras uma pessoa ser conhecida pôr 2 ou mais nomes diversos: O sogro de Moisés é chamado Raguel (Êxodo 2, 18 a 21) e logo depois é chamado Jetro (Êxodo 3, 1). Gedeão, depois de ter derribado o altar de Baal é chamado também Jerobaal (Juizes 6, 32). Josias, rei de Judá, é chamado também Azarias (2 Reis 15, 23; 1 Crônicas 3, 12). E no Novo Testamento o mesmo Mateus é chamado Levi: ‘Viu um homem, que estava sentado na coletoria de impostos, chamado Mateus (Mateus 9, 9). “Viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos (Marcos 2, 14). O mesmo que é chamado José é chamado Barsabas (Atos 1, 23)”.

    Ainda, para melhor entendimento, é necessário esclarecer que outra família também entra neste contexto, a de Zebedeu tinha por esposa Salomé e teve os seguintes filhos: João (discípulo a quem Jesus amava) e Tiago (maior).

    Ainda existe a família de João (Joa 21,15), que não é João o Evangelista, que era pai de Simão (que passou a se chamar Pedro) e André.

    Esse esquema explica a íntima relação que unia as famílias de Clopas e de José. Supõe-se que São José morreu antes da vida pública de Jesus. Parece então que a virgem Maria e seu divino Filho foram para a casa de seu cunhado e as duas famílias se fundiram numa só. Quando Jesus, aos 30 anos de idade deixou sua mãe para iniciar sua vida pública, Maria sempre saía acompanhada de seus sobrinhos (a mulher oriental no judaísmo antigo não se apresentava em público sozinha, mas sempre acompanha por parentes próximos masculinos), isto explica porque nos evangelhos Maria aparece freqüentemente em companhia dos “Irmãos de Jesus”, que na verdade, não eram filhos da virgem Maria, mas sim, seus sobrinhos.

    Estavam ao pé da cruz:

    Segundo os Evangelhos Sinóticos:

    Mat 27, 55-56: “Estavam ali muitas mulheres olhando de longe. Haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia a serví-lo. Entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José ( mulher de Clopas Jô 19, 25 ) e a Mãe dos filhos de Zebedeu”.

    Mar 15, 40: “Achavam-se ali também umas mulheres, observando de longe. Entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago (menor) e de José, e Salomé”.

    Luc 23, 49: “Os amigos de Jesus como também as mulheres, que o tinham seguido desde a Galiléia, conservavam-se a certa distância, e observavam estas coisas”.

    Segundo o Evangelista João:

    Joa 19, 25: “perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas e Maria Madalena”.
    (Entende-se aqui que Maria de Clopas era concunhada de Maria, termo inexistente na língua hebraica. Talvez Maria de Clopas pudesse também vir a ser irmã de sangue de Maria – mãe de Jesus, porém não há como prová-lo.).

    Enumerando as mulheres que estavam juntamente com Maria ao pé da cruz, Mateus, Marcos e João as identificam da seguinte maneira:

    Mateus 27, 56
    Marcos 15, 40
    João 19, 25

    Maria, mãe de Tiago e de José;
    Maria, mãe de Tiago Menor e de José;
    a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas

    Maria Madalena;
    Maria Madalena
    Maria Madalena

    a mãe dos filhos de Zebedeu.
    Salomé

    Por aí se vê que a mesma Maria que é apresentada por São João como tia de Jesus (Irmã de sua mãe) é apresentada por São Mateus e São Marcos como mãe de Tiago menor e de José. E é claro que não se trata de Maria Salomé, que é a mãe dos filhos de Zebedeu e, portanto, é mãe de Tiago Maior.

    Tiago (maior) e João:

    Mar 10,35: “Aproximaram-se de Jesus Tiago e João, filhos de Zebedeu e disseram-lhe: ‘Mestre, queremos que nos concedas tudo o que te pedirmos”.

    Mat 20, 20: “Nisto, aproximou-se à mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e prostrou-se diante de Jesus para lhe fazer uma súplica”.
    (Trata-se de Salomé, mulher de Zebedeu).

    Relação dos Apóstolos:

    Luc 6, 14-16: “Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro, André, seu irmão, Tiago, João, Felipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Simão, chamado zelador, Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor”.

    Mat 10, 2-4: “Eis os nomes dos doze apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro, depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Felipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. Simão, o cananeu e Judas Iscariotes, que foi o traidor”.
    (Tadeu é o Judas que não é o Iscariotes).

    Mar 3, 16-19: “Escolheu estes doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais pôs o nome de Boanerges, que quer dizer, filhos do trovão. Ele escolheu também André, Felipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão o zelador, e Judas Iscariotes, que o entregou”.

    Jesus foi filho único?

    Luc 2, 41-46: “Seus Pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa. Quando o menino completou doze anos, segundo o costume, subiram para festa. Terminados os dias, eles voltaram, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. Pensando que ele estivesse na caravana, andaram o caminho de um dia, e puseram-se a procurá-lo entre os parentes e conhecidos, e não o encontrando, voltaram a Jerusalém à sua procura. Três dias depois, eles o encontraram no templo, sentado em meio aos doutores, ouvindo-os e interrogando-os”.

    Comentário: Os dias de festa da Páscoa eram 7 (sete), contando os dias de viagem de ida e volta, a Sagrada Família deve ter ficado cerca de quinze dias fora de casa. Ora, Maria e José não podem ter deixado no lar, por tanto tempo, filhos pequenos, donde se conclui, logicamente, que aos doze anos de idade Jesus era filho único.
    Por que nunca os evangelhos chamam os “irmãos de Jesus” de “filhos de Maria” ou de “José”, como fazem em relação ao Nosso Senhor? E como, durante toda a vida da Sagrada Família, o número de seus membros é sempre três? A fuga para o Egito, a perda e o encontro de Jesus no Templo, etc…

    Joa 19, 26-27: “Jesus, então, vendo sua mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse a sua mãe: mulher, eis o teu filho! Depois disse ao discípulo: eis a tua mãe! E a partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa”.

    Comentário: Jesus ao morrer confiou sua mãe a João evangelista, filho de Zebedeu, membro de outra família. Este gesto seria incompreensível se Maria tivesse outros filhos em casa, já que segundo a lei de Moisés teria que ficar aos cuidados do filho mais velho. Jesus é dito “suposto filho de José” em Luc 3, 23; é dito “o filho de Maria” (com artigo) -“uiós Marias”, em Mar 6, 3. O Evangelho nunca diz: “A mãe de Jesus e seus filhos”, embora isto fosse natural se ela tivesse outros filhos (ver Mar 3, 31-35 e Ato 1, 14).

    Objeções para a virgindade de Maria

    1) “Antes de coabitarem” (Mat 1, 18):

    “… Antes de coabitarem, ela concebeu por obra do Espírito Santo”.

    Comentário: Com esta expressão, o Evangelista dá a entender que a concepção virginal de Cristo se deu antes que a Virgem Maria estivesse vivendo na casa de seu castíssimo esposo. O que não significa que tenham coabitado depois. Como alguém que diz, fulano estava dormindo e morreu antes de acordar. Não significa que depois tenha acordado. Que não houve coabitação se constata também quando o mesmo Evangelista narra que São José, percebendo que sua esposa concebera, não conhecendo o mistério, mas não querendo difamá-la, resolveu “rejeitá-la secretamente”. Mas o anjo do Senhor apareceu-lhe em sonhos tranqüilizando-o e aconselhando-o a recebê-la em casa, porque ela concebera por obra do Espírito Santo ( Mat 1, 20-24 ).

    2) Expressões “Até que…” ou “Até o dia em que…” (Mat 1, 25):

    “Mas não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um filho. E ele o chamou com o nome de Jesus”.- Dando a entender que São José a teria conhecido após o Nascimento de Jesus.

    Leiamos também os seguintes textos sagrados:

    2 Sm 6, 23: “E Micol, filha de Saul, não teve filhos até o dia da sua morte”.
    Comentário: Ninguém deduziria daí que os teve depois da morte.

    Sal 110, 1: “Oráculo de Iahweh ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos como escabelo de teus pés”.
    Comentário: Isto não significa que depois de vencidos os inimigos o Messias deixará de se sentar à direita do pai.

    Gên 28, 15: “Eu estou contigo e te guardarei em todo lugar aonde fores, e te reconduzirei a esta terra, porque não te abandonarei enquanto não tiver realizado o que te prometi”.
    Comentário: e depois que Iahweh realizar aquilo que prometeu o abandonará?

    Gên 8,7: “O corvo de Noé soltou após o dilúvio, Não voltou à arca até que as águas secassem”.
    Comentário: Isso não quer dizer que, depois do dilúvio, o corvo voltou à arca”.

    Mat 28, 20: “E ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.
    Comentário: E depois da consumação dos séculos não estará mais conosco?

    Esclarecimento

    A expressão “até que” (ou “até o dia em que”) corresponde ao grego “Heos Hou”, ao hebraico “Ad ki” e ao latim “donec”. Esta partícula na Escritura ocorre para designar apenas o que se deu (ou não se deu) no passado, sem indicação do que haveria de acontecer no futuro.

    Nota: Às vezes, edições mais recentes da Bíblia substituem o “até que” por “a fim de que”, “sem que”, “sem” ou semelhante. Mas o caso é sempre o mesmo.

    3) “O seu filho primogênito” (Luc 2, 7):

    “E ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o com faixas e reclinou-o numa manjedoura,…”.

    Esclarecimento

    O termo primogênito não significa que a mãe de Jesus tenha tido outros filhos após ele. Em hebraico “Bekor”, que quer dizer primogênito, podia significar simplesmente o bem-amado, pois o primogênito é certamente aquele dos filhos no qual durante certo tempo se concentra todo amor dos pais; além disso, o primogênito era considerado pelos Hebreus, como de especial amor da parte de Deus, pois devia ser consagrado ao senhor desde os seus primeiros dias. ( cf. Lc 2, 22; Ex 13, 2; Ex 34, 19 ) e ele devia cumprir, logo no 1º mês, a lei do resgate. (Núm. 18,16) Essa lei não esperava pelo segundo filho para que o primeiro fosse tido e tratado por toda vida como primogênito.

    Vejamos os seguintes textos sagrados:

    Êxo 13, 2: “Consagra-me todo primogênito, todo o que abre o útero materno, entre os filhos de Israel. Homem ou animal será meu”.

    Êxo 34, 19: “Todo o que sair por primeiro do seio materno é meu: todo macho, todo primogênito das tuas ovelhas e do teu gado”.

    Zac 12, 10: “Derramarei sobre a casa de Davi e sobre todo habitante de Jerusalém um Espírito de Graça e de Súplica, e eles olharão para mim. Quanto àquele que eles transpassaram, eles o lamentarão como se fosse a lamentação de um filho único; eles o chorarão como se chora sobre o primogênito”.

    Comentário: a palavra primogênito podia ser sinônima de “unigênito”, pois um e outro vocábulo na mentalidade semita designam o bem amado. Mesmo fora da Terra de Israel, podia chamar-se primogênito o menino que não tivesse irmão nem irmã mais jovem. É o que atesta uma inscrição sepulcral judaica datada de 5 a.C. e descoberta em Tell-el-Yedouhieh ( Egito ), no ano de 1922. Lê-se nela que uma jovem chamada Arsinoé morreu “nas dores do parto do seu filho primogênito”

    4) “Todo macho que abre o útero” (Luc 2, 23):

    “Conforme está escrito na lei do Senhor: todo macho que abre o útero será consagrado ao senhor”, (Leia também Êxo 13, 2.12.15).

    Comentário: Utiliza-se este trecho da Sagrada Escritura para argumentar que Maria não teria sido virgem no parto, pois nesse texto, São Lucas aplica a Jesus “o macho que abre o útero”, a isto responde-se: esta expressão “O macho que abre o útero” ou, conforme outra tradução, “O filho que abre o seio materno” é clássica da lei de Moisés para designar o primeiro (ou também o único) filho. Tais palavras não têm em vista um fenômeno fisiológico, mas apenas a posição jurídica do filho na família.

    A Sagrada Tradição Cristã sobre a virgindade de Maria

    · “Filho de Deus pelo desejo e poder de Deus, nasceu verdadeiramente de uma Virgem” (S. Inácio de Antioquia, “Carta aos Magnésios”, 110 d.C.).

    · “O Príncipe deste mundo ignorou a virgindade de Maria e o seu parto, da mesma forma que a Morte do Senhor: três mistérios proeminentes que se realizaram no silêncio de Deus” ( Santo Inácio de Antioquia, Ad. Eph. 19, 1: SC 10 bis, 74 ( Funk 1, 228 ); cf. 1 Cor 2, 8 ).

    · “E novamente, como Isaías havia expressamente previsto que Ele nasceria de uma virgem, ele declarou o seguinte: ‘Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e seu nome será chamado “Deus-conosco”‘. A frase ‘Eis que uma virgem conceberá’ significa certamente que a virgem iria conceber ser ter relacionamento. Se ela tivesse relacionamento com qualquer um que fosse, ela não poderia ser virgem. Mas o poder de Deus, vindo sobre a Virgem, a encobriu, e a induziu a conceber, embora ainda permanecesse Virgem” (S. Justino Mártir, “Primeira Apologia”, 148-155 d.C.).

    · “A Virgem Maria mostrou-se obediente ao dizer: “Eis aqui tua serva, Senhor; faça-se em mim conforme a tua palavra”. Entretanto, Eva foi desobediente; mesmo enquanto era virgem, ela não obedeceu. Como ela – que ainda era virgem embora tivesse Adão por marido… – foi desobediente, tornou-se a causa da sua própria morte e também de todo gênero humano; então, também Maria, noiva de um homem, mas, apesar disso, ainda virgem, sendo obediente, se tornou a causa de salvação dela própria e de todo o gênero humano… Assim, o problema da desobediência de Eva foi eliminado pela obediência de Maria. O que a virgem Eva causou em sua incredulidade, a Virgem Maria eliminou através da sua fé” (S. Ireneu, “Contra as Heresias” Harvey, 2, 124 180-199 d.C.).

    · “A Virgem Maria, tendo sido obediente à palavra de Deus, recebeu de um anjo a alegre notícia de que iria dar à luz ao próprio Deus” (S. Ireneu de Lião, “Contra as Heresias V, 19,1”, 189 d.C.).

    · “Apesar de permanecer virgem enquanto carregava um filho em seu ventre, a serva e obra da sabedoria divina tornou-se a Mãe de Deus” (Efraim o Sírio, “Canções de Louvor 1,20”, 351 d.C.).

    · “Houve quem negasse que Maria tivesse permanecido virgem. Desde muito temos preferido não falar sobre este tão grande sacrilégio. Maria (…) que é mestra da virgindade, (…) não podia acontecer que aquela que em si tinha trazido Deus resolvesse andar as voltas com um homem. Nem José, varão justo, cairia nessa loucura de querer misturar-se com a mãe do Senhor, em relação carnal”.( Santo Ambrósio, De Inst. Virg. I, 3).

    · “O Verbo gerado do Pai do céu, inexpressavelmente, inexplicavelmente, incompreensivelmente e maneira de eterna, nasceu há tempos atrás da Virgem Maria, a Mãe de Deus” (S. Atanásio, “A Encarnação do Verbo de Deus 8”, 365 d.C.).

    · “O Filho de Deus encarnou-Se, isto é, foi gerado de modo perfeito por Santa Maria, a sempre Virgem, por obra do Espírito Santo” (Santo Epifânio, Ancoratus, 119,5; DS 44, 374 d.C.).

    · “Se alguém disser que a Santa Maria não é a Mãe de Deus, ele está em divergência com Deus. Se alguém declarar que Cristo passou pela Virgem como se passasse por um canal, e que não se desenvolveu divina e humanamente nela – divina porque não houve a participação de um homem, e humanamente segundo a lei da gestação – tal pessoa é também herege” (S. Gregório de Nanzianzo, “Carta ao Sacerdote Cledônio”, 382 d.C.).

    · “Invoco o Espírito Santo para que Ele possa se expressar através da minha boca e, assim, defenda a virgindade da bem-aventurada Maria. Invoco o Senhor Jesus para que proteja o santíssimo ventre no qual permaneceu por aproximadamente dez meses, sem quaisquer suspeitas de colaboração de natureza sexual. Rogo também a Deus Pai para que demonstre que a mãe de Seu Filho – que se tornou mãe antes de se casar – permaneceu Virgem ainda após o nascimento de seu Filho.” ( São Jerônimo, Da Virgindade Perpétua de Maria, Cap. 2, 383 d.C. )

    · “Você diz que Maria não continuou virgem. Eu brado ainda mais que José, ele mesmo, aceitou que Maria era virgem, de modo que de um casamento virgem nasceu um filho virgem. Porque se, como um homem santo, ele não se apresentou com a acusação de fornicação, e está escrito que ele não teve outra esposa, mas foi o guardião de Maria, aquela que foi tida por sua esposa, mas não ele por seu marido; a conclusão é que aquele que foi julgado digno de ser chamado pai do Senhor, permaneceu casto.” ( São Jerônimo, Da Virgindade Perpétua de Maria, Cap. 21, 383 d.C. )

    · “Nos ajuda a compreender os termos “primogênito” e “unigênito” quando o Evangelista diz que Maria permaneceu Virgem “até que deu à luz ao seu filho primogênito” [Mt 1,25]. Nada fez Maria, que é honrada e louvada acima de todas as outras: não se relacionou com ninguém, nem jamais foi Mãe de qualquer outro filho; mas, mesmo após o nascimento do seu filho [único], ela permaneceu sempre e para sempre uma virgem imaculada” (Dídimo o Cego, “A Trindade 3,4”, 386 d.C.).

    · “Entre todas as mulheres, Maria é a única a ser, ao mesmo tempo, Virgem e Mãe, não somente segundo o espírito, mas também pelo corpo. Ela é mãe conforme o espírito, não d’Aquele que é nossa Cabeça, isto é, do Salvador do qual ela nasceu, espiritualmente. Pois todos os que nele creram – e nesse número ela mesma se encontra – são chamado, com razão”, filhos do Esposo” [Mt 9,15]. Mas, certamente, ela é a mãe de seus membros, segundo o espírito, pois cooperou com seu amor para que nascessem os fiéis na Igreja – os membros daquela divina Cabeça – da qual ela mesma é, corporalmente, a verdadeira mãe” (S. Agostinho, “A Virgindade Consagrada 6,6”, 401 d.C.).

    · “Maria permaneceu Virgem concebendo seu Filho, Virgem ao dá-lo à luz, Virgem ao carregá-lo, Virgem ao alimentá-lo de seu seio, Virgem sempre” ( Santo Agostinho, sermão, 186, 1: Pl 38, 999 ).

    · “Quem jamais houve que tivesse ousado proferir o nome de Maria sem acrescentar a palavra “Virgem”? Porque Ela permaneceu Virgem ilibada. Negá-lo, seria grande perversidade”. (Santo Epifânio, Panarion, em “Adversus haereses”, 403 d.C.).

    · “Voltando-se o Senhor, viu o discípulo a quem amava”, e lhe disse, a respeito de Maria: “Eis aí tua Mãe”; e então à Mãe: “Eis aí teu filho” (Jo 19,26). Ora, se Maria tivesse filhos, ou se seu esposo ainda estivesse vivo, por que o Senhor a confiaria a João, ou João a ela? Mas, e por que não a confiou a Pedro, a André, a Mateus, a Bartolomeu? Fê-lo a João por causa da sua virgindade. A ele foi que disse: “Eis aí a tua mãe”. Não sendo mãe corporal de João, o Senhor queria significar ser ela a mãe ou o princípio da virgindade: dela procedeu a Vida. Nesse intuito dirigiu-se a João, que era estranho, que não era parente, a fim de indicar que sua Mãe devia ser honrada. Dela, na verdade, o Senhor nascera, quanto ao corpo; sua encarnação não fora aparente, mas real. E se ela não fosse verdadeiramente sua Mãe, aquela de quem recebera a carne, e que o dera à luz, não se preocuparia tanto em recomendá-la como a sempre Virgem. Sendo sua Mãe, não admitia mancha alguma na sua honra e no admirável vaso do seu corpo. Mas prossegue o Evangelho: “e a partir daquele momento, o discípulo a levou consigo”. Ora, se ela tivesse esposo, casa e filhos, iria para o que era seu, não para o alheio.”( Santo Epifânio, PG, 42, 714s, 403 d.C. ).

    · “O próprio Verbo, vindo por sua vontade à Bem-Aventurada Virgem, assumiu para si o seu próprio templo da substância da Virgem e saindo dela, fez-se completamente homem de modo que todos pudessem vê-lo externamente, mas sendo verdadeiramente Deus internamente. Portanto, Ele preservou sua Mãe virgem mesmo depois dela ter dado à luz” (S. Cirilo de Alexandria, “Contra aqueles que não desejam professar que a Santa Virgem é a Mãe de Deus 4”, 430 d.C.).

    · Se a dignidade de ser Mãe de Deus supôs a virgindade antes e no parto, essa mesma dignidade segue existindo depois do parto (São Tomás de Aquino, S. Th. III, q. 28, a .3).

    · “Não pode negar que Maria e José contraíram o verdadeiro matrimônio, porquanto que Maria concebeu e
    deu a luz a Cristo virginalmente e no dia da união com José. Com isso, pode se dizer aos fiéis casados que, ainda guardado de comum consentimento a continência, permanece o vínculo conjugal sem a união dos corpos”. (São Tomás de Aquino, S. Th. Q.29, a.2).

    · “De fato, no mistério da Igreja, a qual também se chama com razão virgem e mãe, à Santíssima Virgem Maria pertence o primeiro lugar, por ser de modo eminente e singular exemplo de virgem e mãe” ( Cf. Ps. Pedro Damasceno, Serm. 63: Pl 144, 861 AB. Godofredo de São Vítor, In Nat. B. M., Ms. Paris, Mazarine, 1002 fol. 109r. Gerhobus Reich, De Gloria et Honoré Folii hominis 10: Pl 194, 1105 AB. ).

    · “E é também Virgem, que guarda a fé jurada ao Esposo, íntegra e pura; e, á imitação da Mãe do seu Senhor, conserva, pela graça do Espírito Santo, virginalmente íntegra a fé, sólida a esperança, sincera a caridade” ( Cf. Santo Ambrósio, 1. Cit e Expôs. Lc 10, 24-25: Pl 15, 180. Santo Agostinho, In Jô. Tr. 13, 12: Pl 35, 1499. Cf. Serm. 191, 2, 3: Pl 38, 1010etc. Cf. Vê. Beda, In Lc Expos. I, cap. 2: Pl 92, 330. Isaac de Stella, Serm. 54: Pl 194, 1863 A. ).

    · Sobre a virgindade perpétua de Maria: ” Tua pureza fica salva no anúncio angélico sobre tua prole; tua virgindade encontra segurança no nome de teu Filho, e assim permaneces honesta e íntegra depois do parto. Não quero ver-te [Joviano] questionar sobre o pudor de nossa Virgem no parto, não quero ver-te corromper a sua integridade na geração; não quero saber violada sua virgindade no momento em que deu à luz. Não lhe negues a maternidade porque foi virgem; não a prives da plena glória da virgindade, porque foi mãe. Se uma dessas coisas tu confundes, em tudo erraste. Desconhecer a harmonia que as une é ignorar por completa a verdade que encerram. Se não pensas assim estas errado, pecas contra a justiça. Se negas à Virgem sua maternidade ou sua virgindade, injurias grandemente a Deus. Negas que ele possa fazer a sua vontade, que ele possa manter virgem a que encontrou virgem. Mas então a divindade do Onipotente antes trouxe detrimento do que benefício a Maria; enfeiou-a Aquele que enchera de beleza, ao cria-la. Cesse o pensamento que assim julga, cale-se a boca que assim fala, não ressoe tal voz. Porque Maria é Virgem por graça de Deus, virgem de homem, virgem por testemunho do anjo, virgem por declaração do esposo, virgem sem sombra de dúvida, virgem antes da vinda do seu filho, virgem depois de concebê-lo, virgem no parto, virgem depois do parto. Fecundada pelo Verbo e de repleta, dignamente deu-o à luz, em nascimento humano, sim, conforme a condição e à verdade das coisas humanas, mas de modo intacto, incorrupto e totalmente íntegro. Isso ela deve a um dom divino, a uma divina graça, a uma divina concessão, mediante uma obra totalmente nova, de eficácia nova, de realização inédita, mantendo-se virgem pela concepção e depois da concepção, pelo parto, com o parto e depois do parto, virgem com o que havia de nascer, com o que nascia, virgem depois do seu nascimento. Dita, pois, esposa e virgem, escolhida para esposa e virgem, criada como esposa e virgem. Sempre virgem, apesar do filho e do esposo, alheia a toda união e comércio conjugal. Verdadeiramente virgem e santa, virgem gloriosa, virgem honrada. E após o nascimento do Verbo encarnado, após a natividade do homem assumido em Deus, do homem unido a Deus, mais santa virgem ainda, santíssima, mais bem-aventurada, mais gloriosa, mais nobre, mais honrada, e mais augusta.” (Santo Ildefonso de Toledo, Patrologia Latina 96,58, 617-667 d. C.).

    Os Reformadores Protestantes sobre a virgindade de Maria

    1) Martinho Lutero (1483-1546):
    Lutero foi formado na Tradição Católica que lhe ensinou a veneração a Maria, veneração que ele guardou até o fim da vida. Eis alguns de seus comentários:

    · Sobre o Magnificat (Luc 1, 46-55): “Ó bem aventurada Mãe, Virgem Digníssima, recorda-te de nós e obtém que também em nós o Senhor faça essas grandes coisas!”

    · Ao referir-se a Mat 1, 25 (“Mas não a conheceu até o dia em que…”): “Destas palavras não se pode concluir que após o parto, Maria tenha tido consórcio conjugal. Não se deve crer nem dizer isto.” (Obras de Lutero Ed. Weimer, Tomo 11, pág. 323).

    · “A bem-aventurada virgem via Deus em tudo; não se apegava a criatura alguma; tudo, ela o referia a Deus… por isso é puríssima adoradora de Deus, ela que exaltou Deus acima de todas as coisas.” (Weimer, T1, Pp 60s).

    · Texto de Lutero já no fim de sua vida: “Virgem antes, no e depois do parto, que está grávida e dá à luz. Este artigo (da fé) é milagre divino.” (Sermão Natal 1540: wa 49,182).

    · “O Filho de Deus fez-se homem, de modo a ser concebido do Espírito Santo sem o auxílio de varão e a nascer de Maria pura, santa e sempre virgem. (“Artigos da Doutrina Cristã”)

    · “Ele, Cristo, nosso Salvador, era o fruto real e natural do ventre virginal de Maria… Isto aconteceu sem a participação de qualquer homem e ela permaneceu virgem mesmo depois disso” (Martinho Lutero, “Sermões sobre João”, cap. 4, 1537-39 d.C.).

    · Por isto Lutero se insurgia contra aqueles que lhe atribuíam a doutrina de que “Maria, a Mãe de Deus, não tenha sido virgem antes e depois do parto, mas tenha gerado Cristo e outros filhos com contato com José” (Weimar, tomo 11, pg. 314). Os irmãos de Jesus, mencionados no Evangelho, são parentes do Senhor (Weimar, tomo 46, pg. 723; Tischreden 5, nº 5839). O reformador prometia 100 moedas de ouro a quem lhe provasse que a palavra “almah” em Is 7,14 não significa virgem ( Ed. Weimer, tomo 53, pg. 640 ).

    2) João Calvino (1509-1564):
    Calvino em Genebra (Suiça), foi muito mais radical do que Lutero na Alemanha. Imprimiu notas pessoais a reforma, entre as quais do Presbiterianismo. Eis alguns de seus comentários:

    · “Professo que da genealogia de Cristo não se pode deduzir que ele foi filho de Davi a não ser através da virgem.” (Calvini Opera 2,351).

    · A respeito de Mat 1, 25 : “Jesus é dito primogênito unicamente para que saibamos que ele nasceu da virgem.” (Calvini Opera 45,645).

    · A propósito Is 7,14: “O profeta teria feito coisa muito fria e insípida se, depois de anunciar algo de novo e insólito entre os judeus, acrescentasse: ‘Uma jovem conceberá’. É assaz claro, portanto, que ele fala da Virgem, que havia de conceber não conforme as leis ordinárias da natureza, mas por graça do Espírito Santo” (Calvini Opera 36,156s).

    · Calvino exalta as virtudes de Maria quando escreve: “Quando a Virgem disse: ‘Eis a Serva do Senhor’, ela se ofereceu e entregou totalmente a Deus, para que se servisse dela conforme os direitos de Deus. ‘Faça-se em mim’: entendo estas palavras como expressão de que Maria estava persuadida do poder de Deus e voluntariamente se dispunha a atender ao seu chamado; acreditou na promessa do Senhor, cuja realização Ela não somente esperava, mas também pedia ardorosamente” (Calvini Opera 45,30).

    · Ao comentar a frase: “Bem-aventurada me dirão todas as gerações”, julga que Maria assim “proclamava uma tão grande dádiva de Deus que não era lícito silenciá-la… Reconhecemos que este dom foi altamente honroso para Maria. De boa vontade seguimo-la como mestra e obedecemos aos ensinamentos e preceitos da Virgem” (Calvini Opera 45,38).

    3) Ülrico Zwínglio (1484-1531):
    Zwínglio em Zürich (Suíça) iniciou uma reforma que foi posteriormente absorvida pelo Calvinismo. Disse Zwínglio:

    · “Creio firmemente que, segundo o Evangelho, Maria como virgem pura, gerou o filho de Deus e no parto e após o parto permaneceu para sempre virgem pura e íntegra. Também acredito firmemente que ela foi por Deus exaltada acima de todas as criaturas bem-aventuradas (sobre os homens e anjos) na eterna bem-aventurança.” (Zwinglio Opera 1,424).

    · Os “irmãos do Senhor” eram, para Zwinglio, “os amigos do Senhor” (Zwinglio Opera 1,401).

    · Declarou: “Estimo grandemente a Mãe de Deus, a Virgem Maria perpetuamente casta e imaculada” (Zwinglio Opera 2,189).

    Explicações Complementares:

    A) Por que Jesus chamava Maria de Mulher ?

    Joa 19, 26-27: “Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis aí teu filho.’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis aí tua mãe.’ e desta hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.'”

    Gên 3, 15: “Porei ódio entre ti e a Mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”

    Apo 12, 17: “Este, então, se irritou contra a Mulher, e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus.”

    B) Como era o noivado de origem Judaica?

    Em hebraico é chamado Kiddushin. Era o compromisso de casamento feito pelos dois contraentes diante de duas testemunhas. Esse compromisso já era considerado um casamento legal. Os noivos tinham o prazo de um ano para passarem a morar juntos. Se durante o tempo de noivado nascessem filhos, esses filhos eram considerados como legítimos, porém o ato sexual entre os noivos neste período constituía um pecado.
    No tempo oportuno era feita uma grande festa nupcial e, somente então, a noiva passava a morar na casa do noivo. Com tal cerimônia, o casamento era considerado civilmente completo, legalmente constituído. Havia solene ritual público e comunitário para a celebração.

    Comentário: A idéia de abandono de Maria por José é compreensível diante do acontecimento. Antes de passarem a morar juntos, ou seja, antes da cerimônia solene da festa nupcial, Maria já estava grávida. De um lado, José a julgava mulher virtuosa e pura, por ser ele um homem justo, conforme diz o texto sagrado. De outro lado, havia o problema da gravidez dela, pois o filho não era dele. De acordo com a lei, ele deveria denunciá-la perante a sociedade, e ela seria apedrejada (Deu 22, 13-21). Diante disso, José que não queria acusar Maria porque sabia de suas virtudes, resolveu então deixá-la secretamente, sem acusá-la, o que a livraria da pena de morte.

    Nesse tempo ocorre a intervenção de Deus, que o evangelista descreve por meio do gênero literário dos “sonhos”, no qual deus lhe revela que “o que nela foi gerado vem do Espírito Santo” (Mat 1, 19-20). Ele entende e aceita a paternidade legal de Jesus

    Conclusão:

    Significado positivo
    Se a profissão da virgindade de Maria não implica menosprezo do matrimônio e do legítimo consórcio marital, pergunta-se: por que Deus, autor da instituição matrimonial, não quis que seu filho, feito homem, nascesse no mundo por via do consórcio marital? Em resposta explicamos: o filho de Maria virgem é verdadeiro homem; seu nascimento virginal não lhe mutila a natureza humana mas não é apenas verdadeiro homem: ele também é verdadeiro Deus, e, como tal, assinalado pelo seu modo de nascer. Modo portentoso. Deus Pai quis que o Salvador fosse dado ao mundo por natividade virginal. Esse desígnio deve ser entendido como desígnio de proporcionar aos homens um sinal ou símbolo que:

    a) A Salvação do gênero humano é algo totalmente gratuito; ela não se deve “Nem à vontade da carne, nem à vontade do homem” mas devido ao amor de Deus por nós;

    b) Se Jesus tivesse tido irmãos carnais, pensar-se-ia que esses irmãos também seriam deuses, causando o politeísmo e heresia.

    c) O matrimônio é monogâmico. Ora, se Maria tivesse tido filhos de outrem que não o Espírito Santo, seu Divino esposo, isso seria uma aberração, semelhante ao adultério. Esposa do Divino Espírito Santo uma vez, Maria devia se conservar sua esposa fiel sempre.

    d) Deus recriou o homem depois de haver assumido a dor e a morte da criatura, apresentou ao mundo Jesus Cristo ressuscitado. Nascimento virginal e ressurreição corporal estão intimamente associados entre si;

    e) Jesus no Evangelho diz que, após a ressurreição dos mortos já não haverá consórcio marital conforme Mat 22, 30: “Com efeito, na ressurreição nem eles se casam e nem elas se dão em casamento, mas são todos como os anjos no céu.” Ora, a conceição virginal de Jesus é um reflexo antecipado desse estado de coisas definitivas;

    f) Na virgindade de Maria torna-se claro o fato de que Deus pode assumir totalmente alguém para o seu serviço, isso acontece também hoje, nos tempos atuais, por exemplo: Freiras, Padres etc. e a virgindade física de Maria é o sinal de sua total entrega de Espírito a Deus. Mas sem a entrega interior de Maria, sua virgindade biológica, não teria sentido. Vê-se, pois, que a virgindade de Maria na sagrada escritura, é um fato, e um fato prenhe de mensagem. Sem mensagem para nós, o fato da virgindade seria brutal ou antinatural. Sem o fato da virgindade física, a mensagem seria abstrata, teórica ou mesmo vazia. O fato da virgindade de Maria e o significado da mesma são inseparáveis um do outro.

    g) Em última análise, nem a filosofia nem a ciência hoje estão aptas a afirmar ou negar que Maria tenha sido virgem perpétua, é somente a fé que o afirma; e é somente na fé que se professa tal verdade. A Fé, sem dúvida, baseada no testemunho da palavra de Deus escrita e oral, é indiscutível!

    FONTE:
    Associação da Escola de Fé Maria Mater Eclesiae ( Texto Básico )
    Site Veritatis Splendor
    Site da Associação Cultural Montfort
    Site Editora Cleófas
    Site da Associação Apostólica São João Maria Vianney
    Site Associação Cultural Santo Tomás
    Catecismo da Igreja Católica
    Revista Catolicismo
    Livro: A doutrina Católica Face as Objeções Protestantes – Pe. David Francisquini
    Livro: Católicos Perguntam – Dom Estevão Tavares Bettencourt
    Carta Encíclica Redemptoris Mater do Papa João Paulo II

  5. Gente, saibam de uma coisa, nao se importem muito com a resposta de ateus, pois os mesmos, podem ter certeza são desviados. Um dia se decepcionaram com os homens e colocaram a culpa em Deus.

  6. As pessoas gostam de falar da igreja que está tirando milhares de pessoas das drogas e da prostituição no Brasil e fora do Brasil. Ao invés de falar, por que não vai conhecer pra depois falar.

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