O crack “rouba a sua alma”, diz ex-dependente que deseja ser Teóloga

Ela esteve 25 anos presa por assalto e mais 14 pelo vício em crack, mas, Jesus Cristo lhe alcançou através da Cristolândia e atualmente com quase 60 anos ela testemunha sua conversão e diz que deseja se tornar uma teóloga

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Sílvia Regina é hoje um exemplo de transformação impressionante. Sua vida foi marcada por uma onda de sofrimento, crimes, prisão e dependência das drogas, mas tudo mudou quando ela decidiu ouvir a mensagem de Jesus Cristo lhe oferecendo a verdadeira libertação e paz de espírito. Após 25 anos presa e 14 como dependente do crack, Silvia conta um pouco do seu testemunho e como hoje sonha em ser uma teóloga.

“Fui treinada pra ser bandida por um homem que só mais tarde descobri que era o meu próprio pai. Eu era assaltante e cheguei a ter uma gangue, até que fui presa. Depois, conheci o pai da minha filha e fiquei grávida.”, contou ela numa entrevista publicada no site da Convenção Batista do Estado de São Paulo – CBESP.

Atualmente perto dos 60 anos, Silvia nasceu em 1957, mas teve boa parte da sua vida perdida devido ao mundo do crime e das drogas. Ela foi presa em 1975, com 18 anos, após se envolver com assaltos, passando 25 anos na prisão sem poder criar a própria filha, que precisou deixar com a mãe; “ela registrou minha filha no nome dela. Quando sai, ela não me aceitou, como não aceita até hoje”, disse ela.

O início do vício em crack

Silvia saiu da prisão com 43 anos. Sua mãe já havia morrido e sua filha estava crescida e casada. Ela não teve contato com a filha e não tinha ninguém da família que pudesse lhe ajudar; “não tinha o que fazer nem pra onde ir. A intenção era procurar a família. Mas não tinha ninguém. Minha mãe já tinha morrido e eu não conhecia meu irmão. Procurei emprego, fiz um teste (profissional) e passei, mas não fui admitida porque tinha acabado de sair.”, disse ela na matéria.


Ela então encontrou uma antiga colega de prisão que lhe ofereceu um trabalho em uma fazenda no Rio Grande do Sul. Certa de que não iria mais fazer assaltos, ela aceitou o convite, mesmo sem saber exatamente do que se tratava; “Fui fazer droga. Fazer ‘pedra’. Depois de alguns meses estava viciada. Mesmo sem usar. Só com o cheiro daquilo. Quando descobri que estava viciada fiquei com raiva de tudo e de todos, até de Deus.”, disse ela.

Após três meses Silvia voltou para São Paulo, mas como já estava viciada, foi viver na região conhecida como “Cracolândia”, onde gastou todo seu dinheiro e passou a depender das ruas; “O crack rouba tudo seu. Ele rouba sua alma.”, disse ela. “Fui para as ruas. Fiquei aqui, na Cracolândia. Levava droga de um lugar pra outro pra ter dinheiro e “pedras”, acrescentou.

A conversão de Silvia através da Cristolândia e seu desejo de ser Teóloga

Após 14 anos presa na prisão do crack, silva contou que por várias vezes tentou fugir dos missionários da Cristolândia:

“…eu tinha problema com os “amarelinhos” (cor da camisa na Cristolândia). A polícia eu até enfrentava. Mas eles, quando via de longe, fugia. Um dia, a Fernanda (Mazzini), me deu um abraço e disse no meu ouvido que Jesus me amava. Isso mexeu comigo. Ela mexeu com meu coração. Eu queria tomar banho. Estava suja. Perguntei: ‘Como você abraça alguém nessas condições? Eu que fumo e você que fica louca?'”, disse ela.

Levada para uma casa de convivência, Silvia começou a se aproximar das atividades da Cristolância e a refletir mais sobre sua condição; “Já estava com 40kg, mas a droga nos amortece. Eu lembro que ainda fiz um trato com Deus e disse que se eu saísse das drogas eu ia servi-Lo de verdade. Eu ia arrumar um jeito.”, contou.

Após um tempo, Silvia começou a ver que as pessoas são diferentes do que ela havia conhecido a vida inteira, e que Deus refletia seu amor na vida de um cristão, o que fez com que ela aceitasse a conversão e se entregasse à Jesus Cristo; “comecei a ver que nem todo mundo era ruim. Pedi pra Mirian (Leite): Eu quero me batizar e pedi pra Deus que queria ver meu irmão”, disse ela.

Após isso, a Cristolândia e ajudadores organizou seu reencontro com seu irmão, o qual também se converteu ao evangelho. Através dele, Silvia pode reencontrar também seus dois netos e sua filha, com quem chegou a conversar e disse esperar o tempo de Deus para curar as mágoas. Atualmente, Silvia ora pela salvação da sua filha, que um dia orou por ela, mas que agora está afastada do evangelho.

Perguntada sobre o motivo de querer ser Teóloga, Silvia explicou:

“Num seminário em Campinas ouvi sobre a conversão de Paulo e não entendi. Porque aquele homem tão ruim de repente vira um apóstolo. Como? Por quê? Comecei a perguntar. O pastor tentou me explicar e disse: “Por que você não tenta fazer teologia?”. Não dei muita bola. Mas um dia a Geane (Campos) estava pregando e me lembrei do meu voto de servir a Deus e falei a ela: “Geane, eu quero ser teóloga”.

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