Papa Francisco reafirma que ateus não precisam crer para serem salvos: “A misericórdia de Deus não tem limites”

189

O papa Francisco havia afirmado, meses atrás, que ateus poderiam ser salvos mesmo não crendo em Deus, se eles seguissem suas consciências na conduta de vida. Dias depois, a Igreja Católica divulgou um comunicado contrariando as declarações de seu pontífice.

Agora, a imprensa mundial volta a noticiar que o papa escreveu uma carta aberta direcionada ao fundador do jornal La Repubblica, Eugenio Scalfari, voltando a afirmar que os não crentes seriam perdoado por Deus, caso seguissem suas consciências.

A iniciativa do papa em escrever foi no sentido de responder uma lista de perguntas feitas e publicadas por Scalfari – que não é católico – em seu jornal.

“Você me pergunta se o Deus dos cristãos perdoa aqueles que não acreditam e que não buscam a fé. Gostaria de começar por dizer – e isso é o fundamental – que a misericórdia de Deus não tem limites, se você for a Ele com um coração sincero e contrito. O problema para aqueles que não acreditam em Deus é obedecer a sua consciência. O pecado, mesmo para aqueles que não têm fé, existe quando as pessoas desobedecem a sua consciência”, escreveu o papa Francisco.


A tréplica de Scalfari foi, em síntese, um único comentário de elogio ao papa: “Mais uma prova de sua capacidade e vontade de superar os obstáculos no diálogo com todos”, afirmou, referindo-se à postura de humildade do pontífice.

Robert Mickens, correspondente no Vaticano do jornal católico The Tablet, afirmou que o discurso do papa é uma tentativa de transformar a imagem da Igreja Católica, que é estigmatizada e vista como conservadora extrema. “Francisco é um conservador. Mas isso tudo significa que ele tenta ter um diálogo mais significativo com o mundo”, afirmou Mickens, em entrevista ao jornal The Independent.

Por Tiago Chagas, para o Gospel+

189 COMENTÁRIOS

  1. Na semana passada, vários sites e blogs divulgaram que o Papa Francisco, na homilia do dia 22/05, garantiu o Céu aos ateus bonzinhos. O fato é o que o Papa não disse nada disso, suas palavras foram profundamente deturpadas. Sobre a salvação, a mensagem de Cristo é translúcida: quem não crer, será condenado.
    Então Jesus disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Notícia a toda a humanidade. Quem acreditar e for batizado, será salvo. Quem não acreditar, será condenado.”

    – Marcos 16,16

    Essa condenação, certamente, não atinge as pessoas em estado de ignorância invencível, conforme já explicamos aqui.
    O que o Papa disse não tem nada a ver com “não tem problema se você é ateu, tanto faz crer em Deus ou não, todos vão se salvar se fizerem o bem”. Não foi isso. O que ele disse foi que todos são chamados a fazer o bem, todos têm esse ímpeto, sendo católicos, seguidores de outras religiões ou ateus. E esse desejo de bem pode ser um excelente fator de encontro, de entendimento entre católicos e não-católicos.
    “Se nós, cada um de nós, fizer o bem aos outros, pouco a pouco, lentamente, realizamos aquela cultura do encontro: aquela cultura de que tanto precisamos. Encontrar-se fazendo o bem.”

    – Papa Francisco, homilia do dia 22 de maio.

    Isso está de acordo com o que São Paulo expôs sobre a lei inscrita nos corações dos homens (a lei natural), que leva até aqueles que nunca ouviram falar de Jesus a fazerem o bem (Romanos 2, 14-15). Ou seja, a afirmação do Papa Francisco não trouxe nenhuma novidade, apenas reafirmou aquilo que já é reconhecido na Bíblia.
    Jesus morreu na cruz para que todos fossem redimidos com o Seu sangue, também disse o Papa. O que não quer dizer que todos aceitam essa redenção. Muitos a rejeitam e condenam a si mesmos. Uma pessoa que, até o seu último suspiro, endurece o coração e fecha a inteligência para reconhecer e aceitar a redenção divina, não pode ser salva. Deus oferece a Salvação a todos, mas não obriga ninguém a aceitá-la.
    Essa rejeição obstinada da misericórdia divina é o “pecado contra o Espírito Santo” (Mt 12,31), o único pecado para o qual não há perdão:
    “A misericórdia de Deus não tem limites, mas quem se recusa deliberadamente a acolher a misericórdia de Deus pelo arrependimento rejeita o perdão de seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo. Semelhante endurecimento pode levar à impenitência final e à perdição eterna.

    – Catecismo da Igreja Católica, §1864

    Como nos ensinou o Papa Francisco na citada homilia, temos que deixar que Jesus amplie os nossos horizontes, e assim vejamos o bem que está no coração dos não-católicos. Assim, pode crescer entre nós o afeto e o diálogo.
    Quem teve a graça de um encontro pessoal com Cristo sabe que o desejo de bem, de amor, de verdade e de justiça que pulsa em cada coração humano – inclusive no coração dos ateus – só se realiza plenamente na amizade com o Senhor. Sem a graça de Deus, até praticamos ocasionalmente boas ações, mas continuamos mergulhados em confusão e em erros. Reparem: quantas vezes metemos os pés pelas mãos e magoamos até quem mais amamos?
    Por causa da ferida do pecado original, muitas vezes não somos capazes de fazer o bem que desejamos. Como confessou São Paulo, “O querer o bem está em mim, mas não sou capaz de fazê-lo. Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero” (Rom 7,18-19). Só Jesus nos liberta dessa condição, enchendo os nossos corações com um amor e uma esperança antes inimagináveis.
    Daí a necessidade urgente de pedirmos que o Espírito Santo nos capacite para a missão. Que, conforme o pedido do Beato João Paulo II, não tenhamos medo de falar de Cristo, e sejamos apóstolos dos que estão à nossa volta (para ver esse discurso, clique aqui).

    Fonte: O Catequista

DEIXE UMA RESPOSTA