Sobrevivente de atentado terrorista diz que oração a livrou da morte: “Deus estava comigo”

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No final do ano passado, o mundo viu um casal de extremistas muçulmanos tirar a vida de 14 pessoas, ferir outras 17 e depois morrerem em confronto com a Polícia, que havia feito uma verdadeira caçada para capturá-los. Desse episódio lamentável, no entanto, nasceu o testemunho milagroso de Michelle Saltis.

A tragédia de San Bernardino, Califórnia (EUA), no dia 2 de Dezembro de 2015, perpetrada por Syed Farook, e sua esposa, Tashfeen Malik, poderia ter em sua contagem a vida de Michelle, que trabalhava com Farook.

“Sabe quando você acorda pela manhã e percebe que algo está errado, fora do normal? Foi mais ou menos assim que eu senti naquele dia”, disse Michelle, que tinha um mal-estar, mas mesmo assim, foi trabalhar.

Sobre o terrorista, ela revelou que ele era uma pessoa fechada e que quando o conheceu, ele estava frustrado por saber que iria ser pai: “Ele era o tipo de pessoa fechada, que guardava as coisas para si. Ele realmente não se envolvia muito com ninguém. Ele só parecia distante”, contou. “Eu só me lembro do dia em que fui a um passeio junto com ele. Ele me disse que estava esperando um bebê e eu lhe disse: ‘Oh, parabéns’, mas ele parecia desapontado. Eu só me lembro dele me dizendo: ‘Bem, isso não estava em nossos planos’”.


No dia do atentado, ele e a esposa deixaram o bebê na casa da avó. Pouco antes das 09h00 da manhã ele Farook chegou ao trabalho e sentou-se à sua mesa, a poucos metros de Michelle. “O tempo todo, ele estava meio quieto. A única coisa que me lembro é enquanto ele estava sentado lá, ficava olhando para o seu telefone celular. Ele o pegou e fez algo com ele. E então, eu me lembro de vê-lo se levantar e ir embora”, relatou.

Segundo informações da emissora Christian Broadcasting News (CBN), Michelle afirmou que vinte minutos depois de ter saído, Farook voltou com a esposa, vestidos com uniformes de combate e carregando um armamento pesado. “De repente, ouvi tiros. Olhei para trás, e vi uma pessoa em pé. E eu o vi levantar o rifle e começar a atirar por toda a sala, da direita para a esquerda. Eu simplesmente me joguei imediatamente no chão, bem rápido, e me fingi de morta, como se ele já tivesse atirado em mim”, relatou, lembrando que no momento do ataque, ela estava ao lado de uma colega de trabalho, Yvette Velasco, 27 anos, que foi atingida e morreu.

“O tiroteio continuou, eu não sei por quanto tempo, parecia uma eternidade para mim. E a próxima coisa que eu me lembro é dos disparos terem cessado”, acrescentou, pontuando que o casal terrorista não parecia satisfeito com o estrago, e antes de fugirem, um dos dois voltou até o lugar onde ela estava e novamente disparou: “Depois dos tiros, um deles veio e me chutou na perna direita. E então eu apenas ouvi: ‘Boom. Boom, boom, boom’. E eu percebi que tinha sido atingida”.

Os tiros disparados contra ela foram feitos à queima roupa com um fuzil AR-15. “Eu não sabia se eu iria escapar dali viva ou não”, afirmou, revelando que começou a orar. “Eu só fiquei lá deitada e a primeira coisa que fiz foi me voltar para Deus. Eu comecei a orar. Eu disse: ‘Deus, eu estou pronta. Eu estou pronta para ir para casa com o Senhor. Eu estou bem com isso. Mas se não for a minha hora, eu só peço que me proteja, que me mantenha segura. E mantenha todos aqui seguros, se também não for a hora deles, proteja-os’. E eu continuei falando com Ele, orando que mais e mais. Então eu disse: ‘Deus, por favor me ajude a manter a calma. Eu preciso ficar calma’”.

Minutos depois, centenas de policiais chegaram ao local, mas o casal terrorista já havia fugido. As investigações apontam que eles teriam tentado detonar bombas, mas com a falha, desistiram e foram embora.

Enquanto os policiais averiguavam o local, Michelle tentou se mexer e saber qual era sua real condição: “Foi literalmente como se estivesse em um filme. A próxima coisa da qual eu me lembro, é da polícia aparecendo. Ainda assustada, eu não sabia exatamente quem eram eles, no começo. Eu estava com medo ainda porque eu os vi também com um monte de armas e pensei, ‘Oh que ótimo! Mais pessoas aqui para atirar em nós’. Eu só me lembro de ouvi-los dizer: ‘Se você está ferido ou ferida, mas pode caminhar, vamos. Se não, fique aí. Nós vamos trazer ajuda’. E eu disse a mim mesma: ‘Estou ferida. Eu sei que vai ser difícil de andar, mas eu preciso sair daqui’. Então eu peguei minha bolsa e saí correndo”, contou.

Nesse meio tempo, a esposa de Farook, Tashfeen Malik, jurava lealdade ao Estado Islâmico nas redes sociais, usando seus últimos momentos de vida para revelar a motivação de suas ações.

Michelle, que estava sendo socorrida pelos policiais, estava ferida, mas as balas não a atingiram em cheio. “Eu lembro que eu comecei a chorar. Eu sabia que eu ia ficar bem. Eu sabia que Deus estava comigo”, contou.

Depois de ser submetida a uma cirurgia e descobrir a identidade dos terroristas, ela fez uma reflexão e optou por perdoá-lo: “Eu fiquei chocada e questionei: ‘Por que ele faria isso?’ Mas depois eu pensei: ‘Quer saber, eu tenho que perdoá-lo, porque é isso o que Deus faria em meu lugar. Se eu perdoá-lo, mesmo que eu não aprove o que ele fez, isso vai me ajudar a seguir em frente. Vai me ajudar a me curar. Se eu não fizer isso, as coisas só vão piorar. Vou cultivar essa raiva e manter esse ódio. Isso não é o que eu quero’”.

“O mais surpreendente é a graça de Deus, porque quando eu estava na sala, quando eu estava deitada no chão, quando eu fiz aquela oração, eu literalmente me senti protegida, como se tivesse um escudo sobre o meu corpo”, disse ela. “Quando ele (ou ela) atirou em mim, a menos de um metro de distância, as balas não me acertaram. E eu digo a todo mundo que foi porque eu tinha o escudo de Deus sobre o meu corpo, me protegendo. Ele respondeu às minhas orações. Ele me disse, de alguma forma, que aquela não era a minha hora. Ele tem algo melhor planejado para mim”, acrescentou, testemunhando seu livramento.

Mesmo fisicamente bem, ela ainda não pôde voltar ao trabalho, mas espera poder fazer isso em breve. Às vezes, ela lembra do atentado e tem dificuldades para dormir, mas, se considera uma sobrevivente: “Antes de todo o incidente, eu realmente comecei a questionar a minha fé. Eu comecei a me sentir como se não fosse o suficiente. Mas quando aquilo aconteceu, sem dúvida, me virei para Deus. Isso me fez perceber que minha fé não era fraca. Deus estava comigo naquela manhã e quando essa coisa toda começou a acontecer, Ele estava ao meu lado. Eu sabia que Deus estava comigo o tempo todo. É por Sua graça que eu ainda estou aqui”, concluiu.


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