Votação que cassou o mandato de Eduardo Cunha expôs racha interno na bancada evangélica

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A cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) mostrou que a bancada evangélica não tem a coesão que os próprios parlamentares e parte da mídia alegam.

De um lado, apoiando o ex-deputado, Marco Feliciano (PSC-SP) e Júlia Marinho (PSC-PA); do outro, a favor da cassação, a grande parte dos deputados.

Os protagonistas da bancada evangélica na votação contra Eduardo Cunha foram os deputados cabo Daciolo (PTdoB-RJ) e Clarissa Garotinho (PR-RJ). Logo após o discurso do ex-deputado, que determinou o fim de seu mandato, Cunha enfrentou ácidas críticas.

Daciolo, que meses antes já havia feito afirmações inflamadas contra Cunha, usou a tribuna para recitar um trecho da oração do Pai Nosso, e com a Bíblia na mão, afirmou: “Eu sou cristão, e a maior decepção que eu tive no Congresso foi a bancada evangélica”.


A filha do ex-deputado e ex-governador Anthony Garotinho dirigiu-se a Cunha para classifica-lo como “fariseu”, “mafioso” e “psicopata”. A deputada é membro da Igreja Presbiteriana.

“Eu o questionei na CPI da Petrobras: ‘deputado Eduardo Cunha, o senhor pode afirmar que não possui contas no exterior, em offshore?’ E vossa excelência mentiu descaradamente”, afirmou Clarissa, antes de criticá-lo por supostamente usar dinheiro de corrupção na movimentação de uma de suas empresas: “Teve a coragem de colocar carros luxuosos, comprados com dinheiro de propina, em nome de uma empresa dele chamada Jesus.com”.

Eduardo Cunha tem o registro de mais de 200 domínios na internet, entre eles, o mencionado pela deputada.

No final de sua crítica a Cunha, Clarissa citou a Bíblia: “Vossa excelência se afirma evangélico. Vossa excelência deveria se lembrar de um versículo que a Bíblia diz. Um versículo muito importante, que trata, deputado, do dinheiro. Está em Timóteo e diz: ‘O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males’. E esse foi o mal de vossa excelência. Fora Cunha”, concluiu.

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