As chuvas voltaram a castigar o litoral de Santa Catarina, provocando deslizamentos em três bairros de Palhoça, na região metropolitana da capital. Em 12 horas, de ontem à tarde até a madrugada de hoje, a chuva acumulada em São José, vizinha de Palhoça, foi de 179 milímetros, superando a média mensal de 172 milímetros.
No Morro do Baú, município de Ilhota, próximo a Blumenau, uma das áreas mais atingidas por deslizamentos no final de novembro, a Defesa Civil de Santa Catarina suspendeu as ações de reconstrução e busca de vítimas. Há riscos de novos deslizamentos no local. Em Palhoça, a Defesa Civil evacuou um condomínio residencial de 32 apartamentos por medida de segurança.
Em Itajaí, no Vale do Itajaí, a 78 quilômetros ao norte de Florianópolis, a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) enterrou 1.350 bovinos, 200 ovinos e mais de 1.500 outros animais mortos durante as enchentes.
Móveis e eletrodométicos passaram a ser as doações prioritárias no momento. As doações em dinheiro recolhidas pelas nove contas bancárias abertas pela Defesa Civil arrecadaram, até hoje, 25,2 milhões de reais (10,5 milhões de dólares).
A Coordenação para a Ajuda Humanitária, organismo das Nações Unidas (ONU), constatou que fenômenos climáticos causaram a morte de 7 mil pessoas e provocaram perdas superiores a 7 bilhões de dólares na América Latina e no Caribe em 2008.
Douglar Reiner, da Coordenação para a Ajuda Humanitária, disse, na quinta-feira, 11, que a região registra um déficit de financiamento para situações emergenciais de grande escala. Ele atribuiu o desinteresse de doadores para as emergências na América Latina e no Caribe em boa medida aos meios de comunicação.
“Uma de nossas preocupações é a concentração de reportagens sobre o impacto dos fenômenos nos Estados Unidos. Quando o furacão Gustav ameaçava a costa estadunidense tivemos uma grande cobertura. Assim que o furacão deixou de ser uma ameaça para os Estados Unidos as notícias praticamente cessaram”, exemplificou.
Deslizamentos são responsáveis por 70% das mortes registradas em acidentes naturais na região do Caribe e da América Latina, deduziu o organismo da ONU.
Em Santa Catarina, cheias e deslizamentos mataram 128 pessoas e 26 estão desaparecidas; 32,8 mil pessoas estão desalojadas e desabrigadas.
Fonte: ALC