Em fuga do Estado Islâmico, criança iraquiana diz que ora para que Deus perdoe terroristas; Assista

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A pequena iraquiana Myriam, 11 anos, exilada de seu país natal para não ser morta pelos extremistas do Estado Islâmico, afirmou em uma entrevista recente que ora para que Deus os perdoe.

Ela vivia em Qaraqosh, considerada um dos maiores redutos de cristãos no Iraque. Em agosto do ano passado, os terroristas invadiram a região e provocaram a fuga em massa de 100 mil pessoas, segundo a agência France Presse (AFP).

Nesse cenário de calamidade, a postura centrada e objetiva de Myriam surge como um exemplo a ser seguido, por conta de sua fé inabalável. Entrevistada por um programa de TV infantil da emissora árabe cristã SAT-7 em dezembro de 2014, ela afirmou que não abre mão de sua crença em Jesus Cristo e que não guarda rancor ou ódio.

“Eu não vou fazer nada a eles [Estado Islâmico]. Eu somente vou pedir a Deus que os perdoe. […] Eu só estou triste por eles nos terem tirado de nossas casas”, afirmou a menina, respondendo ao apresentador Essam.


Quando a entrevista foi levada ao ar, Myriam estava vivendo em um campo de refugiados com sua família no Curdistão há aproximadamente quatro meses. Não há informações sobre sua localização atual.

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Invasão

Quando o Estado Islâmico tomou o controle do norte do Iraque, há pouco mais de um ano, a situação foi descrita como calamitosa por quem tinha acesso a informações sobre a área.

“Há 100 mil deslocados cristãos que fugiram para a região do Curdistão”, disse o patriarca caldeu Louis Sako à AFP, informando que todas as igrejas da região haviam sido “ocupadas e as cruzes foram retiradas”.

“É uma catástrofe, uma situação trágica. Pedimos ao Conselho de Segurança da ONU que atue de maneira imediata. Dezenas de milhares de pessoas aterrorizadas estão sendo expulsas de suas casas no momento em que conversamos. Não é possível descrever o que está acontecendo”, disse à AFP o monsenhor Joseph Thomas, arcebispo caldeu de Kirkuk e Suleimaniya.

4 COMENTÁRIOS

  1. Enquanto isso no Brasil, ouvimos coisas do tipo: “Deus está dizendo que por R$ 900,00 ele vai cumprir todas as promessas para sua vida até o final do ano”.
    Maranatha!

  2. (resumo copiado – Paul Crawford)

    A chocante experiência que estamos vivendo diante do grau assassino do Estado Islâmico faz com que venha ao caso reavaliar com outros olhos um contexto muito semelhante: o dos cristãos da Idade Média, que também sofreram atrocidades de todo tipo e se viram diante da urgência de reagir, ainda que fosse pela força.

    Foi nesse contexto que a cristandade empreendeu as Cruzadas: em reação a uma ameaça horrenda, que já durava mais de 400 anos e que precisava ser vigorosamente repelida.

    Até o ano 632, o Egito, a Palestina, a Síria, a Ásia Menor, o Norte da África, a Espanha, a França, a Itália e as ilhas da Sicília, da Sardenha e da Córsega eram todos territórios cristãos. Dentro das fronteiras do Império Romano, que ainda existia no Mediterrâneo oriental, o cristianismo ortodoxo era a religião oficial e esmagadoramente majoritária.

    Apenas um século mais tarde, em 732, os cristãos já tinham perdido o Egito, a Palestina, a Síria, o Norte da África, a Espanha, a maior parte da Ásia Menor e o sul da França. A Itália e suas ilhas associadas também estavam sob ameaça; tanto que as ilhas acabariam sob o domínio islâmico no século seguinte. Logo após o ano de 633, as comunidades cristãs da Arábia foram inteiramente destruídas. Tanto os judeus quanto os cristãos foram expulsos da península arábica. Os da Pérsia estavam sob forte pressão. Dois terços do antigo mundo cristão romano se viam agora governados pelos muçulmanos.

    O que é que tinha acontecido? Cada uma dessas regiões listadas acima foi tomada pelos muçulmanos no espaço de apenas cem anos. Cada uma delas foi arrancada do controle cristão por meio da violência, em campanhas militares deliberadamente concebidas para expandir o território do islã. E o programa de conquistas do islã não terminou por aí. Carlos Magno bloqueou o avanço muçulmano rumo à Europa ocidental por volta do ano 800, mas as forças islâmicas simplesmente mudaram seu foco para a Itália e para a costa francesa, atacando a Itália continental em 837. Uma luta confusa pelo controle do sul e do centro da Itália prosseguiu durante o resto do século IX e continuou no século X.

    Longe de ser “gratuitas” e de não terem sido provocadas de fora, as Cruzadas representam o primeiro grande contra-ataque cristão ocidental em defesa própria diante dos ataques muçulmanos ocorridos continuamente durante mais de 400 anos, desde o início do islã, no século VII, até o final do século XI, e que ainda continuariam depois também. Três das cinco principais sedes episcopais do cristianismo (Jerusalém, Antioquia e Alexandria) tinham sido capturadas já no século VII; Constantinopla seria tomada em 1453, deixando em mãos cristãs apenas uma das cinco (Roma).

    Todo o Norte da África, antigamente repleto de cristãos, foi conquistado. Chegou a haver 500 bispos cristãos no Norte da África. Hoje, as ruínas da Igreja estão enterradas na areia. Há bispos titulares, mas não residentes. Toda a Ásia Menor, tão amorosamente evangelizada por São Paulo, foi perdida. Grande parte do sul da Europa esteve a ponto de ser tomado também. É mesmo possível afirmar categoricamente que os cristãos deviam assistir impávidos ao próprio extermínio sem se defender?

    Talvez se as Cruzadas não tivessem acontecido, os muçulmanos teriam invadido a Europa, e hoje, seriamos todos muçulmanos, rezando em direção a Meca.

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