Igrejas históricas brasileiras recomendam voto em candidatos que valorizem “a vida e a família”

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A realização das eleições no Brasil no próximo dia 05 de outubro proporcionou às chamadas “igrejas protestantes históricas” a divulgação de um pronunciamento a respeito do quadro político no país.

Assinado pelas convenções das igrejas Metodista, Luterana, Congregacional do Brasil, Batista, Presbiteriana, Wesleyana e Metodista Livre, entre outras, o documento traz recomendações aos fiéis que não votem em candidatos que tenham propostas que não sejam coerentes com a justiça e paz; integridade da vida e da criação; preservação da família; honestidade e respeito ao bem público.

O texto também orienta os fiéis sobre o fato de que a profissão de fé evangélica de um candidato não o credencia automaticamente a merecer o voto, pois a Bíblia ensina que “a fé sem obras é morta”.

Com severas críticas à corrupção e ao modelo político que loteia cargos em empresas e órgãos públicos em troca de apoio no Poder Legislativo, o texto foi escrito por juristas evangélicos das denominações citadas acima, e tem recebido apoio de diversas denominações, inclusive pentecostais.


Confira o pronunciamento que expressa “o papel de seus membros no exercício pleno da cidadania, bem como o comprometimento dessas igrejas com o Estado democrático de direito e o seu reconhecimento e apoio às instituições democráticas, expressas nos Poderes constituídos da República”:

1. Nenhum sistema ideológico de interpretação da realidade social, inclusive em termos políticos, pode ser aceito como infalível ou final nem é capaz de interpretar os conceitos bíblicos da história e do reino de Deus, no entanto, cremos que Deus, Senhor da história, realiza a Sua vontade de várias maneiras, inclusive por meio da ação política;

2. As eleições são parte do processo de busca permanente de equidade social,  de garantia dos direitos fundamentais à pessoa humana, de vivência ética e comunitária, às quais estimulamos o protagonismo de homens e mulheres cristãos, comprometidos com os valores do Evangelho de Cristo;

3. A democracia é um valor universal, bem como o governo representativo dela decorrente e a sociedade democrática pressupõe pluralidade de ideias e a livre expressão do pensamento político, alternância do poder, em forma republicana de participação popular;

4. Os chamados mensalões, julgados e ainda não julgados pelo STF, expuseram, na esfera partidária, a dualidade de forças políticas de matizes ideológicas distintas, que se digladiam eleitoralmente, visando o acesso ao poder, mas revelam a fragilidade dos partidos majoritários na elaboração de suas amplas alianças partidárias que, em muitos casos, não são de natureza político-ideológica, mas se constituem em verdadeiro fisiologismo;

5. O sistema de financiamento de campanhas admitido no Brasil é perverso, indutor e retroalimentador da corrupção e termina por eleger, majoritariamente, verdadeiros representantes do poder econômico e não dos interesses da maioria da população;

6. O atual sistema político reflete partidos políticos que não têm identidade e realizam alianças que não fidelizam ideais, mas denunciam conveniências e interesses corporativistas. De igual modo, o modelo presidencialista de coalizão compromete a ética e a democracia cujos pressupostos são a fiscalização e a alternância no poder;

7. Candidatos/as frutos de estratégias de marketing e alianças comprometedoras não são dignos de voto;

8. Ninguém deve receber voto simplesmente por expressar a fé evangélica, antes, deve-se recordar que “a fé, se não tiver obras, por si só estará morta” (Tg 2.1). Entretanto candidatos e partidos que defendem em seus programas posições que se oponham a valores cristãos tais como justiça e paz; integridade da vida e da criação; preservação da família; honestidade e respeito ao bem público não podem merecer nosso voto.

9. O processo político não se esgota com as eleições e os valores da cidadania, marcados por gestões públicas transparentes e probas, têm correspondência na vida de integridade cotidiana de cada cidadão e cidadã brasileira, na participação, nas reivindicações e na projeção de ações que visem o bem comum.

10. Repudiamos o “voto de cabresto”; o chamado “curral eleitoral”, bem como a troca do voto por favores sejam pessoais ou coletivos, exortando seus integrantes a exercerem o direito do voto de maneira consciente e bem fundamentado cientes da delegação de poder que o sufrágio nas urnas confere aos eleitos.

Conclamamos o povo de Deus que se reúne em nossas igrejas à participação na escolha das futuras lideranças: presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais e, para isso, também o convocamos à oração e à reflexão, que possam nos orientar para que nossas escolhas se traduzam no bem comum de todos os brasileiros e brasileiras (grifo nosso).


11 COMENTÁRIOS

  1. Partidos políticos brasileiros que se comprometeram com a legalização do aborto em seus estatutos:
    • PT
    • PSOL
    • PPS
    • PV
    • PSTU
    • PCO
    • PCdoB
    • PDT
    • PCB

  2. Isso é um puxão de orelha em alguns irmãozinhos que não se informam antes de defender certos candidatos. A Marina Silva mesmo, após o debate na Rede Record, na Terça feira da semana passada me decepcionou, pois poderia não se meter na briga Fidelix X Luciana Genro, mas foi lá na coordenação do partido e se comprometeu a estudar o caso da fala de Fidelix para entrar com processo contra ele Ela teria que se comprometer com suas convicções, pois a Luciana Genro coloca em sua campanha o que ela tem como convicções como o aborto, liberalização das drogas, ativismo homossexual, entre outras.
    Fidelix está com a espada no pescoço por que não fugiu às suas. Eduardo Jorge, defende os absurdos dos absurdos e ainda pede para quem não os defende pedir perdão à “nação”(?), etc.
    No mesmo caminho foi o Pastor Everaldo, que também manifestou repudio à fala de Fidelix. Vamos combinar: Taxar evangélicos de religiosos fundamentalistas é ofensa e ninguém se manifestou contra isso quando Luciana genro usou esse termo diversas vezes em suas falas, discursos, debates e panfletos. Fidelix usou uma linguagem cientifica “Órgão excretor não reproduz”. Ele não usou aqueles termos que vemos em literatura de banheiro publico, portanto ele foi verdadeiro, honesto e realista. Marina silva e Pr. Everaldo ou já o eram ou tornaram- se desonestos no decorrer da campanha! levados pela conveniência do momento.
    Quanto ao voto, existe algo que está acima da religião, das convicções e da questão politico partidária; A competência para dirigir uma nação de 200 milhões de pessoas, com sérios problemas e com um histórico de corrupção que extrapola o s limites da tolerância massiva do povo. Nesse caso acho ainda que com muito penar e pouca recomendação, Aécio Neves ainda seria a melhor opção!

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