Pastor que fundou “igreja do metal” diz que recebeu “chamado para converter os roqueiros”

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Decoração predominantemente preta, som alto e pesado, fiéis vestidos como autênticos roqueiros e pregações abordando o cerne do Evangelho. Essa é a Crash Church, fundada pelo pastor Antonio Carlos Batista há 18 anos, e conhecida como a “igreja dos metaleiros”.

“Recebi um chamado de Deus, pedindo minha ajuda para converter os roqueiros”, relembra Batista, que deixou a Igreja Renascer em Cristo para se dedicar ao projeto de pregar a um grupo de pessoas que geralmente são vistas com antipatia.

Hoje, 18 anos depois, semanalmente, aos domingos, 100 fiéis vestidos como roqueiros típicos, usando camisetas pretas, botas, acessórios de couro, brincos e piercings, se reúnem para ouvir a mensagem e “ouvir um som”. As músicas, por sua vez, não fogem ao figurino, e trazem nas letras temas ligados ao cristianismo.

O pastor, também tatuado, barbudo e cabeludo, hoje tem 49 anos e é muito diferente, fisicamente, do homem que iniciou o projeto. À época, conta, não era adepto do metal. Hoje, é vocalista da banda que nasceu com a igreja, Antidemon, e já viajou pelo Brasil e outros 30 países.


O aluguel do templo usado pela Crash Church, no Alto do Ipiranga, em São Paulo (SP), tem 200 m² e custa mensalmente R$ 2.400,00, valor que é pago da mesma forma que todas as igrejas se custeiam: ofertas e dízimos, entregues voluntariamente pelos frequentadores.

Uma das fiéis da Crash Church é Ana Batista – que não possui nenhum vínculo de parentesco com o pastor. Em 1996, Ana integrava o movimento Terrorista Punk e invadiu um templo evangélico no centro da cidade, armada de soco inglês e punhal, para agredir Antonio Carlos Batista, que dirigia o culto.

“Eu odiava religião, queria impedir o trabalho”, disse à reportagem da Veja SP. Ao entrar, decidiu esperar e terminou ouvindo um trecho da mensagem. A Palavra mudou sua percepção, a fez desistir do ataque ao pastor e se converter ao Evangelho. Quatro meses depois, foi batizada nas águas e permanece fiel. “Hoje sou uma serva de Deus”, resumiu Ana.


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