Polícia deve arquivar acusação contra assessor de Feliciano e poderá indiciar Patrícia Lélis; Veja provas

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A denúncia de Patrícia Lélis contra Talma Bauer, chefe de gabinete do pastor Marco Feliciano (PSC-SP), deverá ser arquivada pela Polícia Civil de São Paulo, que estuda a possibilidade de indiciar a estudante por falsa comunicação de crime.

As investigações feitas pela equipe liderada pelo delegado Luís Roberto Hellmeister encontraram provas que indicam que a estudante de jornalismo não esteve em cárcere privado ou sob coação de Bauer.

Agora, a Polícia considera Patrícia suspeita de ter negociado seu silêncio por R$ 300 mil, divididos em seis parcelas. Os R$ 20 mil apreendidos com o jornalista Emerson Biazon seriam parte do primeiro pagamento.

Os investigadores tentam identificar um homem chamado Artur, do Rio de Janeiro, que teria ajudado Patrícia a intermediar a negociação.


Esse novo personagem da trama foi entregue por Emerson Biazon, que inclusive forneceu prints de tela de seu celular em conversas que teriam sido mantidas com Patrícia e tratando do recebimento dos R$ 300 mil.

Confira:

prints cel emerson biazon

As imagens acima foram entregues por Emerson durante depoimento prestado na tarde da última terça-feira, 09 de agosto. Na delegacia, o jornalista também entregou fotos de um encontro entre ele, Talma Bauer, Patrícia Lélis e um homem chamado Marcelo Machado na churrascaria Boi de Ouro, em São Paulo.

Marcelo Machado é o homem apontado por Patrícia Lélis como um produtor de eventos gospel em sua entrevista coletiva no Senado, na última segunda-feira à noite.

De acordo com informações do jornalista Leandro Mazzini, do Uol, Emerson disse à Polícia que a estudante afirmou que Machado seria seu empresário e teria chegado a ligar para ele, no Rio de Janeiro, pedindo o número de sua conta bancária Pessoa Jurídica para que fossem feitos depósitos mensais. “Ele desconfiou do que se tratava após respostas evasivas dela, e não topou o acordo”, comentou Mazzini em sua matéria.

Confira o almoço na churrascaria:

Emerson Biazon ao lado de Talma Bauer e Marcelo Machado ao lado de Patrícia Lélis durante o almoço
Emerson Biazon ao lado de Talma Bauer e Marcelo Machado ao lado de Patrícia Lélis durante o almoço

B. O.

A decisão de Patrícia em ir à delegacia denunciar Talma Bauer por cárcere e coação teria sido tomada, de acordo com Mazzini, após sua mãe, Maria Aparecida de Souza, ter viajado de Brasília a São Paulo, de surpresa, e convencido a estudante a denunciar a situação.

Maria Aparecida já havia revelado, dias antes, que sua filha havia ligado pedindo uma conta bancária atrelada a um CNPJ, para que fosse feito um depósito. A mãe da estudante afirmou a Mazzini, no entanto, que nenhum valor foi creditado nessa conta.

A Polícia descobriu que Patrícia teria feito compras de alto valor em um shopping, chegando a pagar R$ 700,00 em apenas uma maquiagem em um salão de beleza, antes de gravar o segundo vídeo em que desmentia as acusações contra Feliciano.

“A Polícia conseguiu provas de que houve gastos altos de Patrícia durante sua estadia por SP. O hotel e sua passagem aérea foram pagos por Bauer – o que evidencia que ela já viajara para a capital paulista ciente de que haveria o trato […] Hellmeister já está certo, com as evidências entregues por Emerson Biazon, de que não houve coação e sequestro da jovem”, comentou Mazzini.

Versão de Patrícia

A estudante afirmou, sem entrar em muitos detalhes, que a negociação feita por Emerson Biazon tinha sua anuência, mas que ela não havia feito exigências financeiras.

“Eu não queria dinheiro, nunca quis, e disse que se ele quisesse negociar que não me envolvesse nisso […] Eu só queria ficar em paz e minha vida de volta”, teria dito Patrícia Lélis a Leandro Mazzini, em ligação telefônica realizada na última terça-feira, 09 de agosto.

José Carlos Carvalho, advogado criminalista que atua na assistência a Patrícia, disse acreditar que sua cliente é inocente e que teria sido vítima de agressão e abuso sexual e/ou estupro.

Carvalho afirma que o relato de Patrícia sobre o cárcere privado o convenceu, e que está preparando a defesa da estudante caso a Polícia Civil de São Paulo a indicie por falsa comunicação de crime, que pode render pena de 1 a 6 meses de prisão ou multa, em caso de condenação.

O delegado Hellmeister, do 3º DP paulistano, estuda se deve indiciar Patrícia por falsa comunicação de crime, mas também, diante das evidências, poderá indiciar Talma Bauer na tentativa de silenciá-la mediante pagamento. A Polícia ainda não sabe a origem do dinheiro, incluindo os R$ 20 mil já apreendidos.

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