Abalado pela crise econômica e denúncias de corrupção, PT sofre sua maior derrota nas urnas

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As eleições 2016 foram o marco de uma severa punição popular ao Partido dos Trabalhadores (PT), que vinha desde o final de 2015 alegando que era alvo de um golpe no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Centro de escândalos de corrupção há pelo menos dez anos – o mensalão já estava nas manchetes em 2006, ano da reeleição de Lula – o PT experimentou uma brusca redução de popularidade, influência e receita em 2016.

Uma análise simples aponta para a pior derrota entre todas as legendas, sob qualquer aspecto. No âmbito das prefeituras, as amplas derrotas sofridas pelo PT esse ano retroage o plano de poder do partido em, no mínimo, 12 anos.

Em 2004, ainda com a empolgação da eleição de Lula à presidência em 2002 – e antes do surgimento do escândalo do mensalão – o PT elegeu 411 prefeitos. Em 2008, cresceu 36% e chegou a 558.


Já em 2012, o PT conquistou 644 prefeituras. Nesse ano, o partido exibia o plano mais ousado da história política do Brasil: conquistar, em 2016 ou no mais tardar em 2020, 1.500 prefeituras país afora.

Esse foi o ano, também, que o então homem-forte do partido e do primeiro governo Dilma, Gilberto Carvalho, anunciou no Fórum Social de Porto Alegre (RS), que o governo petista precisaria disputar com as igrejas evangélicas a formação de opinião das classes C, D e E. A ambição de se tornar uma espécie de religião fez com que o PT sofresse inúmeras crítica, com muitos pastores reagindo à tentativa de interferência. Na ocasião, Carvalho se viu obrigado a recuar.

No entanto, a derrocada do modelo econômico adotado pelo PT no governo federal e a revelação dos escândalos da Petrobras, atingindo quase todos os nomes fortes do partido, incluindo seu fundador, Lula, levou a um resultado desastroso: apenas 256 petistas foram eleitos para comandar prefeituras pelo país, e outros sete disputam o segundo turno, em situação não muito favorável.

A queda em relação a 2012 será de 59%, a maior de todas as legendas, com um caso emblemático em São Paulo, que o partido perdeu a prefeitura para seu principal adversário político no país, o PSDB.

Por fim, o número de eleitores que selecionaram as teclas 1 e 3 na hora de votar também registrou uma redução absurda: seus candidatos receberam, ao todo, 6,8 milhões de votos, contra 17,2 milhões há quatro anos – uma queda de 60%, de acordo com dados do TSE.

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