Walcyr Carrasco compara projeto apelidado de “cura gay” a “fofoca” e critica “preconceito” de evangélicos; Leia na íntegra

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O polêmico PDC 234/2011, apelidado como “cura gay”, levou o autor Walcyr Carrasco a protestar com um artigo, em que compara a proposta do deputado federal João Campos (PSDB-GO) com “fofoca”.

Usando como ilustração a trama do livro Os Miseráveis, de Victor Hugo, Carrasco diz considerar a “fofoca” algo “maléfico” e resultado de “preconceito”.

“A proposta de ‘cura gay’, do deputado Marco Feliciano, já foi muito comentada. Seria chover no molhado dizer quanto isso nos ridiculariza internacionalmente, já que a Organização Mundial da Saúde não classifica a homoafetividade como doença e, portanto, não se trata de algo a curar. Mas quero olhar a questão por outro ângulo. Todo esse movimento liderado por Feliciano, entre os evangélicos, e pela deputada Myrian Rios, como católica carismática, entre outros, não pode ser confundido com fé. É uma enorme curiosidade pela vida alheia. Como fofoca transformada em questão política”, escreveu o autor da novela Amor à Vida, da TV Globo.

Segundo Walcyr Carrasco, as “fofocas” tem o poder de destruir vidas e distorcer fatos: “Tenho uma tia que frequenta a igreja Assembleia de Deus. Nunca corta os cabelos, devido a uma interpretação do Velho Testamento, em que eles são descritos como ‘véu da mulher’ – embora nada proíba Feliciano de depilar as sobrancelhas. Adolescente, eu morava em Marília, interior de São Paulo. Uma jovem evangélica da Assembleia deixou de ser virgem. A fofoca se espalhou no templo. A moça foi expulsa publicamente da igreja. Não é o primeiro preceito cristão acolher os pecadores?”, questiona o autor.


Carrasco conclui sua análise dizendo que o PDC 234/2011 é resultado de um ciclo iniciado por “fofocas” que levam à discriminação de homossexuais: “Normatizar a vida dos fiéis é exercer poder sobre eles. Esse poder é exercido pela fofoca entre os membros da comunidade religiosa, que passam a controlar o comportamento uns dos outros. Trazer esse tema, da igreja, para a política, é um acinte para a sociedade. Quanto mais se fala em ‘cura gay’, mais cresce o preconceito. E o preconceito estimula a fofoca, o controle sobre o comportamento alheio. É um risco para quem acredita nas liberdades individuais”.

Confira a íntegra do artigo de Walcyr Carrasco, para o site da revista Época:

Um dos meus livros prediletos é Os miseráveis, de Victor Hugo, do século XIX. Creio que um dos trabalhos mais apaixonantes da minha vida foi traduzi-lo e adaptá-lo para jovens. Uma das passagens mais marcantes, descrita em detalhes no original, fala do poder da fofoca. Fantine é mãe solteira e deixou sua filha, a menina Cosette, aos cuidados de um casal, a certa distância da cidade onde se fixou. Trabalha como operária e envia quase tudo o que ganha para o sustento da menina. Só que não sabe ler e escrever. Recorre a um profissional para redigir suas cartas e ouvir as respostas. As colegas de trabalho desconfiam. Para quem tantas cartas, afinal? Convencem o homem que as escreve não a revelar seu conteúdo – ele é discreto –, mas a fornecer o endereço para onde são enviadas. Uma delas, então, viaja às próprias custas para apurar a história. Volta com a satisfação de “saber de tudo”. Conta o que sabe para todas. Estigmatizada numa época em que ser mãe solteira era uma desonra, Fantine briga com as outras. É demitida por moralismo. Acaba nas ruas como prostituta. Quem leu o livro, viu algum dos filmes ou versões teatrais inspirados na obra sabe que ela vende os dentes e cabelos para depois morrer tragicamente. Onde começou toda a sua via-crúcis? Na curiosidade sobre a vida alheia.

Acredito que a fofoca é maléfica. É fundamentada no preconceito. Tem o poder de destruir vidas. Em sua primeira peça de teatro, em 1934, a escritora americana Lilian Hellman (1905-1984) aborda o tema. A peça, The children’s hour, foi sucesso na Broadway e ganhou versão cinematográfica com as estrelas da época, Audrey Hepburn e Shirley MacLaine. Aqui no Brasil, o filme ganhou o título de Infâmia. (Procurem, vale a pena ver.) Narra a história de duas mulheres, sócias fundadoras de uma escola infantil nos Estados Unidos. Uma aluna as acusa de ter uma relação homossexual. Não têm, de fato. Mas a avó da garota espalha a fofoca na comunidade. Perdem os alunos, quebram financeiramente e, finalmente, uma delas se suicida. Histórias como essa são frequentes. No mundo artístico, encontro jovens que deixaram a cidade distante onde viviam, porque não suportavam mais os falatórios. Certa vez, em visita à pequena Bernardino de Campos, interior de São Paulo, onde nasci, conversei com um rapaz de cabelos pintados de verde, num estilo meio punk, cuja família se mudara para lá. Fazia faculdade, mas queria voltar a São Paulo, onde trabalhava como motorista. Eu me espantei:

– Prefere o trânsito de São Paulo a terminar um curso universitário, ter uma carreira?

– Aqui, meu cabelo virou até notícia na rádio – respondeu ele.

Por que falo sobre tudo isso?

Sim, sei que a proposta de “cura gay”, do deputado Marco Feliciano, já foi muito comentada. Seria chover no molhado dizer quanto isso nos ridiculariza internacionalmente, já que a Organização Mundial da Saúde não classifica a homoafetividade como doença e, portanto, não se trata de algo a curar. Mas quero olhar a questão por outro ângulo. Todo esse movimento liderado por Feliciano, entre os evangélicos, e pela deputada Myrian Rios, como católica carismática, entre outros, não pode ser confundido com fé. É uma enorme curiosidade pela vida alheia. Como fofoca transformada em questão política. Convivo com esse tipo de comportamento não é de hoje. Tenho uma tia que frequenta a igreja Assembleia de Deus. Nunca corta os cabelos, devido a uma interpretação do Velho Testamento, em que eles são descritos como “véu da mulher” – embora nada proíba Feliciano de depilar as sobrancelhas. Adolescente, eu morava em Marília, interior de São Paulo. Uma jovem evangélica da Assembleia deixou de ser virgem. A fofoca se espalhou no templo. A moça foi expulsa publicamente da igreja. Não é o primeiro preceito cristão acolher os pecadores?

Normatizar a vida dos fiéis é exercer poder sobre eles. Esse poder é exercido pela fofoca entre os membros da comunidade religiosa, que passam a controlar o comportamento uns dos outros. Trazer esse tema, da igreja, para a política, é um acinte para a sociedade. Quanto mais se fala em “cura gay”, mais cresce o preconceito. E o preconceito estimula a fofoca, o controle sobre o comportamento alheio. É um risco para quem acredita nas liberdades individuais. Inevitavelmente surgirão novas vítimas, como a Fantine de Victor Hugo.

Por Tiago Chagas, para o Gospel+

12 COMENTÁRIOS

    • Pra quem acredita na Bíblia Renato. Para o budista, o espírita, o macumbeiro, o xintoísta, o ateu, não. E o Brasil tem maioria cristã, mas sendo uma democracia, tem que respeitar as outras crenças, e não pode querer impor os costumes cristãos aos outros. Segue o exemplo de Deus. Ele estabelece o que é certo e errado, mas não viola a consciência de ninguém, mas deixa que cada um siga a sua própria consciência, e se responsabilize pelos seus atos.

      Agora, esse Walcyr se diz tão culto, e está comentando um assunto que não domina. Isso, porque ele nem sabe quem foi o autor da PDC/234, e muito menos que não se trata de uma “cura gay”.

      • Concordo contigo meu caro Eduardo, convenhamos, pelo menos da minha parte, que cada vez que abro um jornal ou leio uma noticia sobre isso cresce a minha diginação e raiva da ignorancia e alienação de pessoas que estão na midia, e o quão a midia tornou o publico mais ingnorante trazendo um sentimento de frustação e intencionando na mente destes de que somos ditadores religiosos.

    • Acontece que cada um faz o que acha que é certo. Ninguém tem o direito de entrar na vida intima de uma pessoa e ditar de que ela deve gostar. Mesmo que o homossexualismo seja abominável pela bíblia, isso não quer dizer que temos o direito de chamá-los de pecadores. Eles estão prejudicando a vida de alguém? Claro que não. E quem discrimina, ofende e maltrata os homossexuais, são pessoas honradas e “boas”? Deve pensar que sim, né? Quando Jesus Cristo andou na Terra, ele não veio condenar as pessoas, mas sim salvá-las. É um absurdo que ainda hoje, vemos atitudes tão desumanas contra seres humanos. Há pessoas que parecem ficar paradas no tempo, não veem nada além de seus pensamentos e opiniões. Concordo plenamente com o Walcyr.

  1. Meu Deus do céu, como pessoas com vasta inteligência podem se portar como meros ignorantes, infelizmente foi exatamente isso que esse senhor fez. Por acaso, niguem sabe alguns fatos sobre esse tal projeto, então vamos a algumas considerações importantes, pelo menos três:
    1º O deputado Marco Feliciano não é autor do projeto;
    2º Ele é presidente da CDH da câmara, dessa forma tem que colocar na pauta assuntos relativos ao tema;
    3º O projeto visa excluir dois artigos de um parecer do CNP (Conselho Nacional de Psicologia), que vetam o direito constitucional dos profissionais de se pronunciarem sobre o assunto, a Constituição diz que é liver a manifestação de opinião, ou estou errado, outrossim, não tratar uma pessoa que se auto – considera psicológicamente abalada, por qualquer que seja o motivo, tenhamos senso do rídiculo.
    Se ninguém sabia disso, fica como informação, para que não fiquem falando por boca dos outros, como seres humanos incapazes de formar opinião própria, e caso esse senhor não tovesse essas informações, o que considero bastante difícil, ele deveria analisar a situação e formular teses com base em dados concretos, essa é minha opinião.

  2. Eu diria que é mais um ignorante que segue uma causa sem ao certo saber de onde ela vem, o porque, e os fatos… aah (suspiro) se todos fossem desalienados!

  3. Não sou contra casamento gay pois acho que cada um escolhe o que faz da própria vida. Assinar um documento, não fere o direito legal dos outros. A não ser é lógico que o casamento gay seja obrigatório dentro de igrejs a evangélicas ou qualquer outra que não desejem realizá-lo. O senhor Walci Carrasco convive com fofocas o tempo todo afinal alem de vir de uma cidade pequena ele vive no meio artístico que é movido e curiosidade e fofocas. Porém querer fazer os outros acreditarem que a lei 234 é motivada por “controle da vida do outro” é uma falacia. Pense um pouco. Se hoje homossexuais e transexuais tem direito de mudarem seus corpos de acordo com seus próprios desejos chegando até a mudar de sexo, porque um homem ou mulher que se sinta incomodado com os próprios desejos não pode se tratar para descobrir o que se passa na sua alma. Não há promessa de cura gay. Há uma analise na insatisfação da pessoa por ela desejar pessoas do mesmo sexo. Se ela mudar sua “opção” sexual por conta de um tratamento o que tem de mais?
    Dizem que é errado um homossexual buscar ajuda devido a sua insatisfação por seus desejos sexuais e que ele deve se aceitar do jeito que é. No entanto custear transformações plastica e quimicas no organismo não seria uma não aceitação de si próprio?

  4. Não sou contra casamento gay pois acho que cada um escolhe o que faz da própria vida. Assinar um documento, não fere o direito legal dos outros. A não ser é lógico que o casamento gay seja obrigatório dentro de igrejas a evangélicas ou qualquer outra que não desejem realizá-lo. O senhor Walci Carrasco convive com fofocas o tempo todo afinal alem de vir de uma cidade pequena ele vive no meio artístico que é movido e curiosidade e fofocas. Porém querer fazer os outros acreditarem que a lei 234 é motivada por “controle da vida do outro” é uma falacia. Pense um pouco. Se hoje homossexuais e transexuais tem direito de mudarem seus corpos de acordo com seus próprios desejos chegando até a mudar de sexo, porque um homem ou mulher que se sinta incomodado com os próprios desejos não pode se tratar para descobrir o que se passa na sua alma. Não há promessa de cura gay. Há uma analise na insatisfação da pessoa por ela desejar pessoas do mesmo sexo. Se ela mudar sua “opção” sexual por conta de um tratamento o que tem de mais?
    Dizem que é errado um homossexual buscar ajuda devido a sua insatisfação por seus desejos sexuais e que ele deve se aceitar do jeito que é. No entanto custear transformações plastica e quimicas no organismo não seria uma não aceitação de si próprio?

  5. Concordo! Qual é a prioridade da igreja? É oferecer ajuda e amor ao próximo ou apontar o pecado? Se os evangélicos acham que a homossexualidade é um pecado, eles estão em seu direito pois sua religião condena mas na minha opinião, eles estão agindo de forma errada ao apontarem o “pecado alheio”. Julgar antes de amar não vai atrair “ninguém” para uma igreja, ninguém terá vontade de ver um culto quando pessoas como Malafaia, Feliciano e outros apontam o erro da pessoa antes de convida-la para uma igreja. Estão fazendo tudo ao contrário!

  6. quem é ele para falar de fofoca??? a emissora que ele trabalha o que mais faz é isso ,falar da vida de tudo quanto é artista … além do mais e as novelinhas ,hiper ,mega , ultra , hexa “exemplares” pra sociedade que ele escreve , que eu aqui nem preciso citar conteúdos destas novelas e programas globais incluindo big brother brasil, que é até anunciada como a “casa mais vigiada ” , ah fofoca destrói vidas ????ohhh falou o senhor protestante anti fofocas !!! dá licença ne meu querido vai perder seu tempo escrevendo novelinhas vazias ,e chatas que é o assunto do qual você entende .

  7. Em sua ótima retórica, Walcyr Carrasco referindo-se a proposta de “cura gay”, do deputado Marco Feliciano, diz que fofoca, preconceito e vingança é o que mais existe entre Gays, e confirma isso! – Você conhece alguém mais vingativo?
    – Ele obrigou Marina Ruy Barbosa a dizer que é covarde – “Ele não engoliu e nem vai engolir o fato de a atriz ter ido contra a sua vontade e se recusado a ficar careca em Amor à Vida. Além de fazer a personagem Nicole morrer e voltar como fantasma, o autor obrigou a Marina a dizer (nas entrelinhas) que é covarde… Na cena em que Nicole desiste de raspar a cabeça, ela dirá a seguinte frase: “Eu sou uma covarde!”. Os atores que conhecem bem o vingativo Walcyr e outros escritores globais, sabem disso.

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