Historiador critica esvaziamento de escolas de samba por conversões ao Evangelho; Pastor rebate: “Religião é escolha pessoal”. Leia na íntegra

17

No artigo “As velhas baianas somem das passarelas” escrito pelo professor de História Luiz Antonio Simas, critica a conversão ao Evangelho por parte de membros das escolas de samba, e afirma que a ausência dessas pessoas no carnaval empobrece a festa e prejudica a formação da comunidade.

“Ocorre hoje, porém, um problema da maior gravidade nas escolas de samba, amplamente comentado no meio e, infelizmente, pouco repercutido na imprensa: a velha baiana corre o risco de desaparecer, arrancada das fileiras de sua escola pela conversão às igrejas evangélicas que, cada vez mais fortes, demonizam o samba, o carnaval e suas práticas”, afirma o professor, na publicação veiculada pelo jornal O Globo.

Segundo Luiz Antonio Simas, “são inúmeros os casos de passistas, ritmistas e, sobretudo, baianas, que abandonaram os desfiles atendendo a determinações de pastores”. O professor ainda observa que “diversas escolas de pequeno porte já entram na avenida perdendo pontos, pois o regulamento dos desfiles exige um número mínimo de baianas para o cortejo”, e conclui afirmando que a mensagem das igrejas evangélicas afastam tais pessoas de sua comunidade: “Onde elas estão? Nas igrejas, ouvindo pregações apocalípticas contra a festa”.

Simas ainda polemiza, ao minimizar o conteúdo da mensagem evangélica aderida pelos novos convertidos e a definição de pecado, ensinada nas igrejas: “Atribuindo ao carnaval um perfil maligno, fundamentando suas críticas em uma arraigada noção de pecado e em uma vaga ideia de redenção, estes líderes religiosos retiram do ambiente das escolas personagens que, até então, tinham ali construído seus elos comunitários mais bonitos. É pecado sambar?”, questiona.


O colunista do Gospel+, pastor Rubens Teixeira, publicou um artigo em resposta à argumentação do professor Luiz Antonio Simas: “A cultura dos povos são mutáveis por diversas razões, sejam elas pelo incremento de novas ideias, modificações das crenças, pelos comportamentos tornarem-se anacrônicos, pela evolução social ou por qualquer outra razão que a sociedade permitir. Não há que se falar em cultura imposta. Cada grupo, inclusive, é o responsável pela manutenção dos seus elos e traços culturais”, contextualizou.

A mesma medida pode ser aplicada em relação às religiões, acredita Teixeira: “As religiões possuem uma dialética bem democrática também. As pessoas escolhem mudar de religião, ou manterem-se nelas, por razões muito íntimas. Normalmente buscam nos templos o bem estar espiritual, buscam encontrar Deus. Não acredito que a maioria das pessoas escolham religiões por questões culturais, mas por necessidades espirituais”.

O ponto em torno da liberdade religiosa e de expressão também foi mencionado por Teixeira como ingrediente essencial na compreensão das escolhas feitas pelas pessoas que resolvem converter-se ao Evangelho.

“As pessoas não são fervorosas de suas religiões apenas por imposição familiar ou social. O fervor está associado a fé, à certeza que a pessoa tem e aos resultados que obtém de suas práticas, especialmente em um país em que a liberdade religiosa é garantida”, ponderou o pastor, que acredita não fazer “sentido querer cultivar pessoas em uma ou outra religião para atender interesses econômicos difusos imersos no carnaval”.

O pastor Rubens Teixeira observou ainda que “nenhum grupo religioso, de sã consciência, pregaria a sua mensagem apenas para esvaziar uma festa popular ou outra religião”, reforçando que as escolhas feitas por quem se converte são baseadas naquilo em que acreditam: “As pessoas pregam as mensagens que creem, e, a partir daí, as outras, escolhem se converter, ou não. Depois de convertida, uma pessoa pode, inclusive, se reconverter à religião anterior. A Liberdade Religiosa é um Direito Fundamental previsto na Constituição da República do Brasil e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ser de qualquer religião ou de nenhuma delas é uma escolha personalíssima”.

Por fim, Teixeira ainda ressalta que a pregação evangélica não incita o boicote à tradicional festa popular e questiona se a liberdade de crença deve ser posta de lado em favor do carnaval: “Evangélicos não dificultam a ocorrência do carnaval, mas ensinam que as pessoas não devem: embriagar-se, prostituir-se, agredir-se, expor sua nudez publicamente, porque o nosso corpo é templo do Espírito Santo. Isso nada tem a ver com o carnaval. Então as pessoas deveriam por um decreto moral-intelectual-fundamentalista manter-se na ética de agradar o que é bom para quem paga? Destruir-se em prol da diversão alheia?”

Abaixo, leia a íntegra do artigo do professor de História Luiz Antonio Simas:

Em um samba belíssimo, que embalou o carnaval de 1984 da Unidos de Vila Isabel, Martinho da Vila fala dos sonhos da velha baiana, “que foi passista/brincou em ala/dizem que foi o grande amor do mestre-sala”.

Poucos versos abordam com mais felicidade a ideia da escola de samba como uma instituição comunitária, forjadora de elos entre segmentos populares que, à margem das benesses do poder instituído, inventaram mundos e, desta maneira, se apropriaram da vida e produziram cultura. A moça passista, que desfilou como componente de ala, chegou ao final da trajetória ungida baiana, matriarca do samba e de sua gente simples.

Ocorre hoje, porém, um problema da maior gravidade nas escolas de samba, amplamente comentado no meio e, infelizmente, pouco repercutido na imprensa: a velha baiana corre o risco de desaparecer, arrancada das fileiras de sua escola pela conversão às igrejas evangélicas que, cada vez mais fortes, demonizam o samba, o carnaval e suas práticas.

O problema atinge, sobretudo, as escolas mais pobres, que contam basicamente com os componentes das próprias comunidades para fazer o carnaval. São inúmeros os casos de passistas, ritmistas e, sobretudo, baianas, que abandonaram os desfiles atendendo a determinações de pastores. Diversas escolas de pequeno porte já entram na avenida perdendo pontos, pois o regulamento dos desfiles exige um número mínimo de baianas para o cortejo. Onde elas estão? Nas igrejas, ouvindo pregações apocalípticas contra a festa.

Atribuindo ao carnaval um perfil maligno, fundamentando suas críticas em uma arraigada noção de pecado e em uma vaga ideia de redenção, estes líderes religiosos retiram do ambiente das escolas personagens que, até então, tinham ali construído seus elos comunitários mais bonitos. É pecado sambar?

É evidente que tal prática se inscreve numa disputa pelo mercado da fé, cujo motor é o combate pelo maior número possível de fiéis. É óbvio, também, que as escolas de samba têm fortes raízes fincadas nas religiosidades afro-ameríndias, notoriamente na Umbanda e no Candomblé. Sabemos, por exemplo, que algumas baterias de grandes escolas desenvolveram seus toques característicos a partir dos ritmos consagrados aos orixás. A guerra aberta às escolas de samba deve ser compreendida, portanto, em um panorama mais amplo: é um capítulo da guerra santa travada por fundamentalistas cristãos contra as práticas culturais e religiosas dos descendentes de africanos no Brasil.

O efeito é perverso. Ao construir um discurso de salvação, alicerçado em promessas de tempos melhores, os fundamentalistas da fé buscam matar exatamente o que, durante muito tempo, deu a estas pessoas a noção de pertencimento. Não basta, para os arautos do fanatismo, construir uma nova referencia; é necessário matar o que veio antes, arrasar a terra, negar o outro, destruir a tradição. Conhecemos este filme e o final não é feliz.

Resta botar a boca no trombone e torcer para que no peito da velha baiana do samba do Martinho, aquela que cresceu, amou o mestre-sala e envelheceu dentro de sua escola, o arrepio do surdo de marcação, a harmonia do cavaco e os desenhos dos tamborins superem as trombetas da intolerância. Afinal de contas, não é pecado sambar e celebrar a vida.

Confira a íntegra da resposta do Pastor Rubens Teixeira neste link.

Por Tiago Chagas, para o Gospel+


17 COMENTÁRIOS

  1. rapaz dez a zero para nós, deixaram o mundo da religião afro, e hinos de culto a entidades satanicas, tem mais é que esvaziar, a próxima vitória ém acabar com os lavadores da escada da igreja do bom fim

  2. GLÓRIA DEUS, LOUVADO É O SENHOR!!O SENHOR ESTÁ CHAMANDO UM POVO PRA SUBIR COM ELE…MAS DEIXOU O LIVRE-ARBÍTRIO, QUEM DESEJA SAMBAR QUE SAMBE…NÓS CRENTES DANÇAMOS COMO MIRIAM…KKKKKK

  3. As pessoas acham que beneficio para a sociedade é ver mulheres nuas, mostrando suas vergonhas com musicas satanicas, isso é sociedade? isso é pornografia a céu aberto, e as pessoas não ver, mais quando a igreja adentra esse espaço, tranforma as vidas, dar um novo parecer, eles dizem que é baixaria, que é errado, há vai criar vergonha na cara, serviço prestado é o que a igreja faz, tira o jovem das drogas, da prostituição, das bebedices, isso é serviço prestado, o que falta hoje nas pessoas, é falta de DEUS na vida, vai criar vergonha na cara e para de criticar NÓS EVANGELICOS, POIS NÓS TEMOS UM DEUS QUE CUIDA DO SEU POVO.

  4. Tem que acabar mesmo essa porcaria. Um monte de gente se drogando, bebendo, prostituindo e sem contar os milhões de dinheiro público que são distribuídos às escolas de samba e em festas de ruas.
    Como consequencia há famílias destruídas pelas drogas, pessoas com doenças sexualmente transmissíveis, abortos ilegais, jovem se viciando, brigas, discussõs, roubos para sustentar os vícios, dirigente de escolas de samba desviando verba pública, lixo nas ruas, lugares público depredados,etc coisas que corrompem a sociedade.
    Agora cada um faz o que achar melhor, depois não venham chorar o leite derramado.

  5. o tal historiador devia estar preocupado é com os traficantes que sobm e descem os morros armados a caça de inocentes pra adentrar nas fileiras do trafico. isto sim é preocupante. isto sim devia ser levado em discursão. agora quantoas baianas elas nunca deviam ter saído de onde vieram.

  6. Que nada, o carnaval agora é outro.

    Os cristãos vão rebolar e fazer sexo ao som de música gospel.

    Do jeito que as igrejas estão, o mundo lá fora é mais decente do que as coisas que acontecem dentro de uma igreja.

  7. Vai esvaziar cada vez mais em nome de Jesus!!! isso é uma vitória, o escritor que está indignado com a falta das “baianas” para incrementar a festa da carne não sabe que as pessoas não vão por ordem pastorais, mas porque estão separadas para adorar somente a Jesus com seus corpos que outrora serviam ao diabo.. acaba carnaval, o Brasil vai ser conhecido como Pais do Evangelho em nome de Jesus!

  8. Este é um sinal claro, de que a volta de Jesus para buscar a sua igreja está proxima, quando um pais como o Brasil, que nos ultimos anos esteve sem perseguição aos que pregam a verdade começa a persseguir os que pregam, é porque estamos no caminho certo… Pois é sinal de que o reina das trevas esta se sentindo incomodado.
    Continuemos a pregar o veradeiro evangelho, que liberta desta libertinagem desenfreada que é o carnaval. E oremos a Deus para que este jornalista veja, que as escolas de samba perdem muito mais gente morta por causa do trafico do que para as igrejas evangelicas.

  9. A questão do pertencimento é muito interessante, pois se de um lado temos o samba e o carnaval como exemplos da cultura brasileira por outro lado observamos que a cultura evangélica em nosso país ignorou ritmos brasileiros em detrimento de uma musicalidade norte-americana.
    Mas as afirmações de alguns críticos caem por terra quando observamos que alguns grupos evangélicos adotaram há muito tempo o samba em seu repertório. A exemplo disto muitos sambistas reconhecidos nacionalmente lançaram CD’s de samba evangélico, como por exemplo os cantores Waguinho e Juninho do banjo. Porque é em ritmo de samba não deixa de ser louvor, na verdade é um novo paradigma musical no meio evangélico. O próprio título de um dos CD’s de Waguinho expõe muito bem esta questão: “Samba Adorador”.
    Mas, não podemos negar que existe uma identidade evangélica, a qual sofreu, e ainda, sofre, influência das cultura norte-americanas e européias. Afinal a fé evangélica brasileira originou-se destes grupos culturais. Todavia temos presenciado um crescente números de ministros de louvor que entendem a importância de uma identidade cultural brasileira, com ritmos musicais nacionais. A exemplo disto o cantor evangélico Luiz Arcanjo, que integra o Ministério Trazendo a Arca, lançou há um tempo atrás o CD com ritmos brasileiros, onde destaco a música: “Samba pra Deus”.
    Então sugiro professor de História Luiz Antonio Simas que aprofunde suas pesquisas, abdique de suas perspectivas pessoais, e contemple a mudança que está ocorrendo no meio evangélico.

  10. O AUTOR DA CRÍTICA, NO LUGAR DE AGRADECER A DEUS POR UMA ALMA SALVA, ESTÁ INCOMODADO COM O QUE A PALAVRA DE DEUS FAZ: SALVA E LIBERTA. SE ELE ESTÁ INCOMODADO, VISTA-SE DE BAIANA E VÁ PARA A AVENIDA DANÇAR.

    “A PALAVRA DA CRUZ É LOUCURA PARA OS QUE SE PERDEM, MAS PODER DE DEUS PARA OS QUE SÃO SALVOS.” (I Coríntios 1:18)

    “Mas, levantando-se no conselho um certo fariseu, chamado Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo, mandou que por um pouco levassem para fora os apóstolos;
    E disse-lhes: Homens israelitas, acautelai-vos a respeito do que haveis de fazer a estes homens,
    Porque antes destes dias levantou-se Teudas, dizendo ser alguém; a este se ajuntou o número de uns quatrocentos homens; o qual foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada.
    Depois deste levantou-se Judas, o galileu, nos dias do alistamento, e levou muito povo após si; mas também este pereceu, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos.
    E agora digo-vos: Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará,
    Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus.” (Atos 5:34-39)

DEIXE UMA RESPOSTA