“Não tentamos lutar contra a ciência”, diz Psicólogo sobre a Psicologia Cristã

A Psicologia Cristã voltou a ser debatida nas mídias e para alguns profissionais ela é mais do que uma designação de fé. Ela é uma abordagem terapêutica como qualquer outra especialidade da Psicologia

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Após a nomeação (suspensa pelo STF) de Marcelo Hodge Crivella, filho do Prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, para o cargo de secretário-chefe da Casa Civil, e a divulgação do Conselho Federal e Regional de Psicologia negando o reconhecimento da especialização em “Psicologia Cristã“, o debate sobre o tema religião e psicologia ganhou destaque em algumas mídias, especialmente entre os profissionais da Psicologia, como a Psicóloga cristã Marisa Lobo.

Na publicação de O Globo sobre a polêmica envolvendo Marcelo Hodge, foi mencionado o nome de um autor muito importante para uma melhor compreensão da importância que tem a Psicologia Cristã, por exemplo, fora do Brasil. Isso, porque, apesar da Psicologia Cristã ainda não ser reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia brasileiro, ela é uma área de atuação e estudo já reconhecida em países como os Estados Unidos.

Trata-se do Professor, Médico e Psicólogo (cristão) Eric L. Johnson, diretor da Sociedade de Psicologia Cristã nos EUA, autor de obras como “Práticas Baseadas em Evidências para Aconselhamento Cristão e Psicoterapia”, “Psicologia e Cristianismo”, entre outras, que são algumas das referências no campo da Psicologia Cristã fora do Brasil. Ex-professor do Northwestern College e da University of North Dakota, atualmente ele leciona no Southern Baptist Theological Seminary.

O Dr. Johnson, afirmou na publicação que existem pesquisas comprovando os benefícios da religião e da espiritualidade na mente humana, não apenas ligadas ao cristianismo, mas também ao budismo e hinduísmo, por exemplo. Com base nisso, ele afirmou que “A leitura da Bíblia, a reza e a meditação são usadas há séculos para confortar as pessoas”, sugerindo o fato de que não precisa haver, necessariamente, confronto entre a ciência e a fé, mas sim uma cooperatividade.


Sobre a Psicologia Cristã, ele disse que “É uma versão cristã. Não tentamos lutar contra a ciência, buscamos apenas o reconhecimento de uma visão diferente do mundo.”.

Mais do que uma versão; a Psicologia Cristã nos EUA é uma abordagem terapêutica

Noticiamos aqui que a Universidade de Biola, uma das mais conceituadas do país e onde o filho de Crivella fez Bacharelado em Psicologia, possui cursos de pós graduação em Psicologia com ênfase cristã e, portanto, considerado “Psicologia Cristã”, que vão da especialização ao doutoramento (para conferir, clique aqui), e todos são reconhecidos pela Associação Americana de Psicologia, a maior entidade científica dos profissionais de Psicologia naquele país.

A Psicologia Cristã nos Estados Unidos é uma abordagem terapêutica como qualquer outra área de especialização, e seu fundamento teórico é tão amplo quanto qualquer outra corrente da Psicologia. Isso, porque, autores como Sigmund Fraud, Carl Gustav Jung, Erick Fromm, Carl Ransom Rogers, Viktor Emil Frankl, Wilhelm Reich, apenas para citar alguns, tiveram estreita relação com a religião para formulação teórica de suas abordagens e conceitos.

A Psicologia Cristã, portanto, apesar de não reconhecida e não autorizada como viés terapêutico pelo Conselho Federal de Psicologia no Brasil, é uma realidade conceitual e teórica que escapa ao próprio Conselho. Ela pertence ao pensamento científico e se trata, por isso, de uma matéria sem fronteiras, que pode ser estudada e divulgada como tal, quer fora ou dentro do Brasil, e não apenas por Psicólogos.

Psicólogos praticando Psicologia Cristã no Brasil, existe?

O Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro, após a nomeação de Marcelo Hodge, publicou uma nota, onde afirma estar preocupado com profissionais que estariam, supostamente, praticando a Psicologia Cristã.

“O CRP-RJ está acompanhando com preocupação a proliferação de casos de profissionais que afirmam praticar “Psicologia Cristã”, diz o trecho da nota.

Uma pesquisa por Psicólogos que afirmam praticar essa abordagem, porém, não aparece nos resultados. Achamos Psicólogos(as) que se apresentam como cristãos, como é o caso de Marisa Lobo (capa) e Andréia Coliath, por exemplo, mas, ao que parece, há uma significativa diferença entre um profissional declarar sua fé e praticá-la dentro do consultório, certo?

No entanto, como vimos acima e aqui, no meio acadêmico internacional a Psicologia Cristã é bem mais do que apenas uma declaração de fé ou a palavra “cristão” associada a “psicólogo(a)”. Se trata de uma abordagem que exige especialização.

No Brasil, portanto, não há o exercício da Psicologia Cristã, uma vez que não existe em nosso país essa formação, muito menos o seu reconhecimento, o que a torna ilegal. Contudo, há diversos Psicólogos(as) cristãos que certamente possuem gabarito acadêmico suficiente para lidar com tal demanda, e isso é um fato, quer alguns reconheçam ou não.

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