Redação do ENEM propõe discussão sobre intolerância religiosa e líderes elogiam iniciativa

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A redação do ENEM 2016 tinha como tema “Caminhos Para Combater a Intolerância Religiosa no Brasil”, e diversas lideranças religiosas e até representantes de grupos ateus elogiaram a proposta, uma vez que as diferenças vêm sendo mais noticiadas do que a convivência pacífica.

O pastor Silas Malafaia comentou a escolha do tema e afirmou considerar contextualizado com o atual momento do país, observando que há vítimas de intolerância em todos os segmentos, incluindo os evangélicos. “Se tem algum evangélico, espírita ou católico intolerante, ele não representa o pensamento das religiões, menos ainda suas lideranças. As práticas de uns não podem ser espalhadas para o todo”, afirmou, criticando o extremismo, em declaração dada ao Extra.

O bispo Pedro Luiz Stringhini, responsável pela diocese de Mogi das Cruzes (SP), a intolerância religiosa deve ser combatida através da conscientização, para que a sociedade possa amadurecer: “É um tema interessante. Colocar o assunto na redação é importante porque na sociedade tem que ter lugar para tudo e para todos. Para tudo que é bom e vai para o caminho da liberdade, da expressão da fé. A intolerância atrapalha muito a vida democrática e é importante que a sociedade saiba aceitar as religiões diferentes”, afirmou.

De acordo com o líder católico, é dever do Estado respeitar e proteger as religiões: “Esses jovens que estão fazendo a prova são jovens que professam a fé católica, a fé evangélica e outras crenças, jovens que não têm religião… Há uma pluralidade na juventude, então se essa reflexão estimular o pensamento livre, o pensamento bom, é uma reflexão interessante”, acrescentou.


O xeque Jihad Hammadh, líder da comunidade islâmica no Brasil, também considerou positivo: “Toda discussão dos problemas da sociedade é válida, contando que tenha parâmetros e seja feita de forma estruturada”, opinou, lembrando que o país é um dos menos afeitos ao extremismo, já que no mundo existe uma escalada de violência em nome da fé.

“O temor é que isso se multiplique e aí teremos sim um problema de convívio. Por isso é importante discutir o tema”, disse, antes de lançar uma dúvida: “Que tipo de respostas são esperadas, como elas serão avaliadas, por quem e quais as crenças dos avaliadores?”.

O ateu Daniel Sottomaior, presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA), elogiou a escolha, já que enxerga que a intolerância religiosa no Brasil atinge também aos ateus, em forma de preconceito: “Já passou da hora de discutirmos esse tema e, infelizmente, as poucas abordagens que existem têm deixado passar questões importantes, como o fato de que o grupo mais discriminado no país é o dos ateus”, afirmou, em entrevista ao G1.

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