Em semana decisiva, dois tribunais diferentes podem abrir caminho para afastamento de Dilma

15

O governo da presidente Dilma Rousseff (PT) atravessa uma semana que pode ser decisiva para as definições políticas de um futuro próximo, com a possibilidade de abrir-se os precedentes necessários para a cassação ou anulação de seu mandato.

Espera-se que o Tribunal de Contas da União (TCU) julgue nesta quarta-feira, 07 de outubro, as contas de 2014, que tiveram 18 irregularidades apontadas pelos técnicos do tribunal.

A equipe do governo, pressentindo a derrota, pediu o afastamento do ministro-relator do caso, Augusto Nardes, e queixou-se ao Supremo Tribunal Federal (STF) de que o TCU não havia concedido um amplo direito de defesa à presidente.

O presidente do TCU, Aroldo Cedraz, encaminhou ao STF um documento elaborado pela área técnica do tribunal que comanda rebatendo os argumentos da defesa do governo, e apontando que o ritual de apuração e audição da defesa seguiram os padrões estabelecidos, de acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo. Se as contas de Dilma forem rejeitadas, ficará configurado o crime de desrespeito à lei de responsabilidade fiscal.


Por outro lado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu reabrir uma ação movida pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) para investigar a possibilidade de ter havido abuso de poder econômico durante a campanha que culminou com a reeleição de Dilma em 2014.

O PSDB alega que os fundos de campanha do PT foram abastecidos com recursos desviados da Petrobras, no esquema de corrupção que ficou conhecido como petrolão e vem sendo investigado pela Operação Lava-Jato.

A reabertura da ação foi definida na última terça-feira, 06 de outubro, com o voto favorável ao processo do presidente do TSE, José Dias Toffoli. A ministra Luciana Lóssio, ex-advogada pessoal de Dilma Rousseff, votou contra, alegando que uma ação eleitoral não pode durar mais de um ano na Justiça Eleitoral para não ferir a estabilidade necessária para o governante administrar, sendo “preciso pôr fim às disputas, já que as eleições têm, no máximo, dois turnos”.

A abertura do processo é uma decisão inédita no país, e pode culminar com a cassação da chapa que elegeu Dilma. Nesse caso, o vice-presidente Michel Temer (PMDB), também perderia o cargo.

Para que um novo presidente fosse escolhido, o atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), assumiria o cargo interinamente, enquanto o TSE decide se dá posse a Aécio Neves (PSDB), segundo colocado nas eleições de 2014, ou se convoca novas eleições presidenciais para um mandato tampão até dezembro de 2017.


15 COMENTÁRIOS

  1. Verdade é ela se perdeu,está arrombando o pais e acaba com o mesmo,haja vista a senhora Dilma,e um fantoche que governa pra o poder secreto,ILLUMINATIS,se tirar ela,e colocar ooutro será pra governar pra eles,sempre,quem nao for morre..a uma cartilha a se seguir,e nela existem serie de etapas,diante das cameras,e documento uma séria de falsidades,sorrisos ela sabe que ela trabalha PARA SATANISTAS MAIS IMPIEDOSOS DA FACE DA TERRA,ROCKFELLERS,ROCKSHILDS,BILLDEBERGS,mais nao fara qualquer diferença,ou se a trocada for o proximo tera outros planos a serem cumpridos..dentro dessa cartilha..ELA NAO GOVERNA PRA O GADO,ela governa pra O PODER SECRETO.

    • ISSO DE CERTEZA!

      SE EDUARDO CUNHA TIVER NO GRUPO AI LASCA TUDO!

      SO DEUS PRA FAZER UM MILAGRE!

      MAS OS RICACOS DE LA SAO TRABALHADORES, OS POLITICOS DAQUI SO ENCHEM OS PROPRIOS RABOS!

  2. Não há base jurídica ou constitucional para afastamento segundo insignes juristas.

    O que há é uma tentativa de golpe paraguaio. Mas se isso acontecer, estará lançada uma crise que não se resolverá em muitos anos, com a perda da credibilidade internacional do Brasil, o recrudescimento da beligerância das massas que nesse cenário verá a entrada de amplos setores da esquerda e que agora estão em silêncio. A crise econômica se aprofundará com a carestia dos receituários econômicos da direita e isso enfurecerá as multidões. Temo muito pelo futuro do Brasil em um cenário de caos, vioência, desagregação social que conduzirá a nação para o fenômeno da anomia.

    • O grande jurista Ives Gandra Matins um dos juristas que ajudou a elaborar a nossa constituição de 88 disse que tem argumentos mais que suficientes para o impeachment!
      Realle outro jurista que assinou o pedido de impeachment junto com o ex-petista Hélio Bicudo diz que o sofreu estelionato eleitoral…a casa caiu cara pálida! Hora de acordar a Dilmentira.

      • SAMUEL J0SÉ

        As palavras desse SANDR0 estã0 de cabeça pra baix0.
        0 que é cert0 ele c0nsidera errad0 e o errad0, ele c0nsidera cert0.
        Será que ele é petista?
        0u será que DILMA é h0m0 sexual?
        Porque só nesses dois casos é que Sandro elogia alguém, inclusive o que ele mais faz é defender o indefensável, ele pega um copo de plástico e tenta provar que é vidro.
        Ele chama de “inteligente” um idi0ta chamad0 Jean, a única c0isa que fez f0i ter vencid0 o BBB0sta, o pr0grama mais p0dre, pútrid0 e putrefat0 da Gl0b0Lix0, um verdadeir0 cano de esg0t0 que desemb0ca na sala da tua casa.
        0 pr0blema d0 impichament0 não é a saída da presidAnta, mas quem vã0 c0l0car no lugar dela, p0de ser alguém pi0r ainda.
        Já se esqueceram d0 infame pr0jet0 da Lei de Terceirizações?
        Se o substitut0 f0r d0 PMDB, v0cês vã0 sentir saudades da DILMAri0nete, que parece estar no p0der, mas é o Lulalá quem está puxand0 as c0rdinhas.
        É ele o verdadeir0 presidente, não ela, ele tent0u um terceir0 mandat0, apesar de t0da a sujeira d0 primeir0 e d0 segund0 (p.ex. o escândal0 d0 Mensalã0), mas não deu cert0, aí tir0u uma candidata da cart0la, com0 o mágic0 faz no circ0.
        Faland0 em circ0, o Brasil é o mai0r d0 mund0, com milhões de palhaç0s.
        E mais a ilusi0nista Dilma, só mesm0 ilusã0 para acreditar que seria uma presidente que g0vernaria bem, está lá só de enfeite, com Lulalá g0vernand0 por pr0curaçã0.
        0u entã0, ela terceiriz0u o g0verno para ele.
        F0RA, DILaMA!!!!
        Para quem critic0u tant0 0s des-g0vernos de C0ll0r e FHC, eu esperava c0isa muit0 melh0r, mas criticar e dep0is fazer pi0r ainda, é muita hip0crisia e safadeza.
        Aqui vã0 uns exempl0s, no g0verno FHC Lula falava mal da CPMF, dep0is que peg0u a chave d0 c0fre pass0u a c0nsiderar a CPMF uma maravilha, a p0nt0 de dizer desesperad0, para verg0nha de t0d0s, que o país ficaria ing0vernável sem ela.
        NO g0verno de FHC Lula chamava o B0lsa Família de “criad0ur0 de vagabund0s”, dep0is que assumiu, ele multiplic0u o númer0 de beneficiári0s, afinal quant0 mais esm0la 0ficial, mais nasce filh0 p0bre.
        Tem gente fazend0 um m0nte de filh0s, para receber bastante $$$ d0 B0lsa Família, afinal para que trabalhar, se o $$$ d0 g0verno é garantid0?
        ISS0 NÃO PASSA DUMA REEDIÇÃ0 D0 “PÃ0 E CIRC0” R0MANO.
        Enquant0 o p0vã0 tava lá no Circ0 vend0 lutas de gladiad0res e cristã0s send0 j0gad0s a0s leões, esquecia de sua vida miserável e não pr0testava c0ntra o g0verno.
        Por que no NOrte e NOrdeste Lula sempre ganha?
        Porque é 0nde tem mais p0bres e miseráveis, que sã0 mais fáceis de enganar.
        Lulalá e Dilma deveriam pedir a cidadania norte-c0reana, p0is lá é o paraís0 para eles.
        Dep0is façam amizade com o ditad0rzinh0 comunista Kim J0ng Pum e pr0nt0, não vai ser difícil para quem el0giava Fidel Castr0.
        Lá não há liberdade de expressã0 nem de nada, 0s j0rnais só falam bem d0 manda-chuva e de seus amig0s, não há internet e criticar o g0verno dá cadeia, às vezes a família inteira.
        Só passa no cinema o que Pum apr0var.
        Só é divulgad0 no rádi0 o que Pum apr0var e um detalhe: desligar o rádi0 é crime.
        T0das as músicas sã0 s0bre a família Pum.
        E dizem que o Pum ditad0rzinh0 norte-coreano é gay…ele comprovadamente tem um irmão gay, que foi excluído da sucessão do “trono” exatamente por isso.

  3. esta semana orando pelo nosso país, orava perguntando a Deus porque permitirá que uma mulher gay e ateia fosse presidenta deste que é uma das maiores nações do mundo.
    confesso senti muita revolta a o ver que este partido o pt, não só esvaziou os cofres públicos, bem como tentou de todas as maneiras, acabar com esta sociedade, tentou acabar com a família tradicional e estimulou todo tipo de lei, que beneficie aos gays
    isto tudo sem falar da lei do aborto e união estavel e adoção por gays
    sem falar de outras benecies onde na minha casa minha divída entram os gays em fila privilegiada , a frente dos héteros.
    perguntei a Deus porque, e ele me explicou, que qualquer candidato que vencesse as eleições fosse a cristã marina ou aecio neves, ambos estariam em uma armadilha um ardil de satanás, pois teriam pego o país quebrado pelos desmandos e roubos dos petralhas
    e desta forma seriam massacrados assim como estão sendo todos os governadores que assumiram estados onde o pt governava
    não conseguiriam gerir as contas e ai seriam massacrados pelo pt, que numa próxima eleição mesmo o josé babuino ganharia com facilidade, como salvadores da pátria
    mas agora disse Deus só ganham eleição se todos estiverem dominados por demonios
    ADEUS PT

  4. Este texto incrível é para todos quantos pensam que há base para impeachment:

    “Bandeira de Mello: Sem base legal, impeachment é espernear de coxinhas
    “Não há base legal nenhuma para impeachment.” A enfática declaração parte de um dos juristas mais respeitados do país. Em entrevista ao Portal Vermelho, Celso Antônio Bandeira de Mello, considerado o maior especialista em Direito Administrativo brasileiro, classifica a tentativa de derrubar Dilma Rousseff como “um espernear dos coxinhas”, um tipo de “golpe disfarçado”. Para ele, a oposição – com aval da mídia – tem medo de enfrentar o ex-presidente Lula em 2018 e quer “ganhar no tapetão”.

    Por Joana Rozowykwiat

    Na última quinta (1), Bandeira de Mello recebeu a reportagem do Portal Vermelho em seu escritório, localizado em uma esquina da Avenida Paulista. Simpático – e também ácido em algumas colocações –, ele conversou com a equipe por mais de uma hora. Avaliou a atual conjuntura política, fez críticas à mídia, à sua influência sobre o Judiciário e à classe média alta brasileira. Entre uma história e outra, defendeu a manutenção do mandato de Dilma e os êxitos da gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
    “Eu não acho que vai haver impeachment. O que há é o seguinte: você perde em campo, você foi esmagado no campo, então você vai querer ganhar no tapetão se puder. Mas não existe base nenhuma para impeachment. A demonstração disso é que chegou a haver gente que queria responsabilizar [a presidenta] por um mandato anterior. Isso é um absurdo, uma coisa ridícula. Daqui a pouco, se o sujeito for presidente, 10, 20 anos depois, você vai responsabilizar ele pelo mandato anterior?”, questionou o jurista.

    A referência é à tentativa da oposição de usar, como base para um afastamento da presidenta, as chamadas “pedaladas fiscais” – utilização de dinheiro de bancos públicos para pagar benefícios sociais e aumentar o superavit primário na gestão anterior. O Tribunal de Contas da União marcou para esta quarta (7) o julgamento das contas de 2014 do governo, que avalia a questão.

    De acordo com Bandeira de Mello, mesmo que o TCU rejeite as contas, não há razão para um afastamento. Um indicativo de que as coisas não estariam relacionadas, segundo o jurista, seria a diferença entre o quórum necessário para aprovar as contas e aquele exigido para a admissão de crime de responsabilidade. “Para o Legislativo rejeitar as contas de um presidente, pode ser por uma maioria simples. Ao passo que o quórum necessário para admissão da denúncia [de crime de responsabilidade] é altíssimo. Já se vê que o constituinte teve essas coisas como absolutamente distintas’, avaliou, em conversa com o Vermelho.

    Indagado sobre o pedido de impeachment assinado pelo seu colega, o jurista Hélio Bicudo, Celso Antônio Bandeira de Mello informou que sequer leu a peça. “Achei que não valia a pena. Para mim, é evidente que tudo isso é um espernear dos coxinhas. Juridicamente, essas coisas são todas sem sentido. Não é o caso de eu perder meu tempo lendo isso, coisas que, de antemão, você desqualifica”, afirmou, para em seguida ressaltar que admira Bicudo pela coragem que teve ao combater o esquadrão da morte. “Mas daí a imaginar que ele esteja qualificado [para avalizar o impeachment]… Não vi ninguém até agora com qualificação na área do direito público [fazer isso]. No Direito brasileiro você não vai encontrar publicistas de grande valor de direita”, opinou.

    Para ele, que é professor da PUC-SP, as motivações da oposição em campanha pela derrubada da presidenta são apenas políticas. “É preciso um grande cuidado para não confundir aquilo que é um sentimento político pessoal com aquilo que, na verdade, o Direito estabelece. Há casos em que, se você não consegue fazer por bem, quer fazer por mal. Nessa situação, não pude deixar de pensar em um personagem de Eça de Queiros, que dizia assim: se não vai na palavra, vai na murraça”, compara.

    Bandeira de Mello defendeu ainda que um eventual impedimento da presidenta seria “uma catástrofe” para o país. “Seria a demonstração de que não adianta ser eleito. Milhões de pessoas escolhem um presidente, e algumas centenas tiram. Precisa de algo sério demais para acontecer isso. Do contrário, a democracia não vale nada. Tirar a Dilma sob acusações, eu diria, ingênuas seria para democracia algo muito ruim”, destacou.

    Mídia, inimiga do Brasil

    O jurista contou ao Vermelho que vê com desgosto e tristeza o atual momento da política brasileira. Mas, bem-humorado, disse que não crê que o país esteja tão mal hoje, quanto no tempo do governo do PSDB. “Se você pensar, no governo daquele senhor Fernando – não o defenestrado – o outro, que está por aí, pontificando como sempre, o Brasil quebrou duas vezes. O que eu estou chamando de quebrar? Não ter o suficiente e precisar recorrer ao FMI. No governo dele, duas vezes o Brasil recorreu ao Fundo Monetário Internacional. Hoje, não. Hoje temos dinheiro no FMI, quer dizer, nós não estamos tão ruins, como estivemos.”

    Segundo ele, a diferença é que hoje a mídia está em campanha contra Dilma. “A imprensa não dizia nada, pelo menos nada de tão pavoroso como passou a dizer no governo Dilma. Então não estou tão impressionado assim com a situação econômica. É que houve notoriamente uma crise internacional muito grande. A Dilma pegou essa crise. Eu não vou dizer que a administração dela é isso e aquilo, porque não sou político, não estou por dentro, mas, seguramente, não é calamitosa como a de Fernando Henrique. Logo, o que há de diferente? Há que a imprensa resolveu derrubar a Dilma.”

    Crítico contumaz da mídia tradicional brasileira, o jurista ressaltou o poder dos veículos de comunicação e sua capacidade de interferir na conjuntura. “O poder da mídia é muito grande, então fica essa sensação de que o Brasil está mal. Se um de nós aqui fosse empresário e todo dia lesse que o Brasil está mal, que o Brasil não paga, isso e aquilo. Ia investir? É claro que não ia. Só um louco iria. Isso significa um aprofundamento da situação”, apontou.

    Diante deste cenário, Bandeira de Melo não hesita em dizer: “Eu acho que a mídia é o grande inimigo do Brasil”. Segundo ele, a concentração e a propriedade cruzada dos meios de comunicação é algo “calamitoso” para o país.

    “Meia dúzia de indivíduos controlam os meios de comunicação. Como é possível que alguém tenha um controle tão grande dos meios de comunicação e faça a cabeça dos brasileiros? A televisão é uma tecnologia de primeiro mundo, em cima da cabeça do terceiro. É evidente que aquilo entra como faca em manteiga quente. Faz o que quiser. Não é como em outros países, onde as pessoas têm muitas fontes de informação para se averberar”, condenou.

    Bandeira de Mello brincou, dizendo que, em um determinado momento, comemorou o encolhimento da Folha de S. Paulo, jornal que ele já chegou a processar. “Encolheu tanto, ficou fininho o jornal, que eu cheguei a pensar que fosse virar um selo, mas parece que já se recuperou. O fim desses meios de comunicação seria um bem para o Brasil, eu acho. Porque eles parecem que não têm o menor sentimento de amor à pátria”, disparou.

    Segundo ele, a mídia tem exercido uma influência perniciosa, inclusive sobre o Judiciário. “Juiz tem mais medo de imprensa que o gato tem do cachorro”, criticou, citando o julgamento do “mensalão” como a maior demonstração dessa interferência.

    Ao comentar a situação da mídia brasileira, o jurista contrapôs a postura do governo do PT à adotada pela presidenta Cristina Kirchner, na Argentina. “O grande pecado, ao meu ver, do governo PT foi não ter feito uma regulamentação da mídia. A Cristina teve coragem de enfrentar o grupo Clarín. No Brasil ninguém teve coragem de enfrentar esses grupos. Então eles estão aí, pintam e bordam, inconsequentemente. Até porque o Judiciário, quando condena a mídia, condena a valores insignificantes. Eu acho que a mídia, quando fosse condenada, tinha que ser a vários e vários milhões de reais. Era a única maneira de sentir na carne”, defendeu.

    Delação sob tortura

    Na entrevista ao Vermelho, Bandeira de Mello falou ainda sobre a Operação Laja Jato. De acordo com ele, as investigações têm sido conduzidas com violação aos princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito. “Quando menino, a gente aprende que uma das piores coisas que podem acontecer é você ser um dedo-duro. Agora, no Brasil, você ser dedo-duro parece que virou título de glória”, alfinetou, referindo-se ao fato de grande parte das denúncias estarem amparadas em depoimentos obtidos em delações premiadas.

    Bandeira de Mello questionou a validade das denúncias promovidas por investigados. “Você vai e mete uma pessoa na cadeia e vai mantendo ela indefinidamente, em condições odiosas. É uma verdadeira tortura, até você falar. Que raio de delação é essa? Que valor tem isso? Eu diria que nem ao menos é a delação premiada. Pelo que eu saiba, nos Estados Unidos, eles não torturam as pessoas para o cara fazer delação. No Brasil, esse juiz [Sérgio Moro, que comanda a Lava Jato] bota essa gente na cadeia e vai ficando. Tem gente que está há 11 meses presa. Meu Deus do céu! O cara diz qualquer coisa que você quiser que diga. Então, não acredito nessas tais delações”, criticou.

    O professor avalia que o fatiamento dos processos relacionados à Operação Lava Jato era inevitável, uma vez que um mesmo juiz não pode ter jurisdição sobre tudo que ocorre no país. “De repente ele [Moro] virou um juiz universal. Só porque ele gosta, ou sei lá, prende pessoa a torto e a direito”, disse.

    Em seguida, um pouco reticente, afirmou: “Olhe, eu vou emitir uma opinião, talvez audaciosa e que não se cumpra jamais. Assim que passar toda essa onda que está havendo, todo esse endeusamento, eu acho que esse homem [Moro] corre risco de que o Conselho Nacional de Justiça aplique uma punição a ele. O destino desse homem, o futuro não é tão bom quanto ele imagina. Não é correto você fazer o que ele anda fazendo. Ele não respeita os direitos humanos”, opinou.

    O Direito não muda o mundo

    Especialmente após as manifestações de 2013 e as denúncias de corrupção envolvendo políticos e empresários, o tema da Reforma Política ganhou força entre diferentes atores. Para Bandeira de Mello, no entanto, a Constituição brasileira já é “excelente” e não precisa de reforma. Precisaria apenas ser aplicada, além de ter regulamentadas algumas questões, como a das comunicações.

    “Uma Constituição que diz quais são os objetivos da República Federativa do Brasil e começa por dizer ‘constituir uma sociedade livre, justa e solidária’; uma Constituição que coloca como fundamento da ordem econômica os princípios que ela coloca e, quando trata da ordem social, ela valoriza em primeiro lugar o trabalho, depois que vem o tema do capital; essa é uma Constituição maravilhosa. Ela é desrespeitada. O que nós precisaríamos é aplicar a Constituição”, defendeu.

    Para ele, o problema do país e da política não está nos textos jurídicos. “Só economista acha que você muda o mundo mudando o Direito. Você não muda o mundo com isso. O mundo muda quando muda a cultura. O Direito ajuda numa certa direção ou noutra. É importante que o direito seja bom, mas achar que ele vai resolver, não resolve.”

    O jurista citou, no entanto, como exemplo de algo danoso previsto na legislação até então o financiamento empresarial de campanha, que recentemente foi proibido pelo STF. “Você deixa que as empresas conduzam a política brasileira dando dinheiro”, resumiu. Para ele, a tentativa da oposição de voltar a discutir o assunto no Congresso, aprovando uma emenda constitucional, não terá êxito, uma vez que o entendimento do Supremo é o de que o financiamento empresarial de campanha fere cláusulas pétreas.

    O professor defende que uma das questões que o país precisa combater é a das pessoas que não têm base popular, mas se elegem porque possuem apoio financeiro. “Uma vez, perguntei a um político qual era a pior coisa. Ele disse: uma campanha longa, porque o dinheiro acaba e os que têm mais dinheiro compram seus cabos eleitorais. Isso bem mostra o poder do dinheiro numa eleição.”

    O jurista advoga então pelo fim da influência econômica para elevar a qualidade da política. “Na hora que acabar isso, quem vai se eleger? Desgraçadamente, gente de rádio e televisão. Há verdadeiros imbecis que conseguem se eleger porque falam para o povão. Um povo ainda inculto vai nessa conversa. Esse é o perigo que sobra quando não há dinheiro. Mas, fora daí, quem é? É o cara que milita junto ao povo. O sujeito que trabalha em organização sindical, por exemplo. É o sujeito que realiza obras de benemerência. E é assim que deve ser. São as pessoas ligadas ao povo que devem se eleger.”

    O ódio da classe média alta

    Ao afirmar que não costuma votar em candidatos que defendem a sua camada social, Bandeira de Mello fez então uma dura crítica à classe média alta brasileira, que teria raiva daqueles que ascenderam durante a gestão do ex-presidente Lula.

    “A minha classe social talvez seja a pior de todas, a chamada classe média alta, porque os ricos não são tão ruins assim, eles só têm uma preocupação que é ganhar dinheiro”, declarou. Segundo ele, a classe média alta destila seu ódio contra aqueles que melhoraram de vida.

    “Antigamente o cara não tinha dinheiro para pagar um ônibus para ir até a terra dele no Nordeste. Hoje em dia ele tem carro. Por quê? Eu não me incomodo de dizer a verdade. Porque o Lula fez isso. O Lula permitiu que o povão pudesse viver muito melhor. Esse tipo de gente [a classe média alta] é que não gosta do Lula. É gente que acha que ser doutor é título, não é. Aquela gente lá não é melhor que o povão em nada. Mas em nada”, comparou.

    Segundo ele, são essas pessoas que querem agora afastar a presidenta do cargo. “É essa gente, que vem aqui na Paulista. Os chamados coxinhas, que vêm com bolsa Louis Vuitton, que querem derrubar a Dilma. Os outros, coitados, iludidos, vêm atrás. Não tem essa gente que fala em volta de regime militar? Gente que nem sabe o que é um regime militar, não sabe o horror que é.”

    Sem retrocesso

    Já no fim da entrevista, ao ser perguntado sobre as difíceis relações entre os poderes no país e as dificuldades do presidencialismo de coalizão, Celso Antônio Bandeira de Mello avaliou que o país passa por uma fase muito ruim. Lembrou que atualmente os presidentes da Câmara e do Senado são investigados por corrupção, mas destacou que, em épocas de desenvolvimento, desvios deste tipo costumam ser comuns. “É o período em que corre mais dinheiro, não é?”

    Ele lembra então de uma viagem que fez por Suécia, Dinamarca e Noruega. “Lá, eu pensei que, se o mundo continuar progredindo, é aqui que vamos chegar. Você passa e não vê polícia. As pessoas obedecem porque obedecem mesmo. E as regras são rigorosamente cumpridas. Tinha muitos imigrantes, que todo mundo respeitava. Eu não vi gente pobre. Se o mundo continuar progredindo, acho que é isso. Quanto mais igualitária for a sociedade, melhor, mais felizes são as pessoas, maior a dignidade.”

    Aos 78 anos, o prestigiado jurista avalia que, para o Brasil chegar lá, contudo, “tem muito chão”. “Ainda somos bastante subdesenvolvidos, desgraçadamente. E não vamos mudar isso de uma hora para outra. Claro que não vou ver nada disso, mas ficarei feliz sabendo que os meus netos vão ver. Já é uma grande coisa”, ponderou.

    “Agora, se começarem com esse tipo de golpe disfarçado…”, completou o jurista, voltando a falar nas tentativas de derrubar o governo do PT. “Eles não estão satisfeitos porque perderam a eleição. Então esperem a próxima! Estão com tanto medo do Lula, que já querem inviabilizar que ele seja candidato. Eu reconheço, para eles é uma desgraça. Você ver gente simples, do povão, desfrutando das coisas que você desfruta? Para essa gente, dói”, atacou.

    Segundo ele, as pessoas que são contra a redução das desigualdades e ameaçaram abandonar o Brasil quando Lula se elegeu, deveriam mesmo ter ido para Miami. “Meus Deus, tomara que eles vão mesmo, que saiam daqui pessoas com essa mentalidade, para o Brasil poder ir para a frente. E o Brasil irá para a frente. A história tem altos e baixos, mas ela não anda para trás. É só olharmos o passado para vermos que já vivemos momentos muito piores que esse. No mundo todo. E fomos devagarinho evoluindo, até chegar ao ponto de termos uma Dinamarca, uma Noruega”, conclui o esperançoso professor.”

    Fonte: w#w#w#.vermelho#.org.#br/noticia/271185-1

DEIXE UMA RESPOSTA